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Carreira4 setembro 2026

Mulheres ortopedistas transformam a especialidade e desafiam barreiras

Mulheres ortopedistas ampliam sua presença na especialidade e enfrentam barreiras culturais na formação, na carreira e nas subespecialidades.
Por Redação Afya

Em uma área tradicionalmente homogênea, discussões sobre diversidade impulsionam mudanças e fortalecem novas trajetórias profissionais.

Apesar de as mulheres já representarem 50,9% dos médicos no Brasil, segundo a Demografia Médica 2025, a Ortopedia segue como uma das especialidades mais masculinas do país: cerca de 90% dos ortopedistas são homens.

O imaginário tradicional ainda associa a área à força física, ao desgaste corporal e à resistência. Por muito tempo, esses elementos funcionaram como barreiras para a entrada de mulheres ortopedistas.

Saiba mais: Demografia Médica 2025 mostra avanço das mulheres na profissão

retrospectiva ortopedia

Redes de apoio ampliam a presença de mulheres ortopedistas

Esse cenário, porém, está mudando. A Associação das Mulheres Ortopedistas do Brasil (AMOB) tornou-se um marco recente dessa transformação ao criar uma rede de apoio, mentoria e visibilidade.

A entidade também trouxe para o debate temas como assédio, maternidade durante a formação, oportunidades de carreira e acesso às subespecialidades. Esses espaços coletivos têm ampliado o protagonismo feminino e ajudado a desconstruir estereótipos que afastavam estudantes e residentes da área.

No mês da Consciência Negra, quando o país volta o olhar para desigualdades históricas e para a importância da representatividade, a ampliação do número de mulheres de diferentes origens e trajetórias na Ortopedia reforça como a diversidade também qualifica a prática médica.

Leia também: O espaço da mulher negra na Medicina: herança, desafios e transformações

“Ortopedia não é força, é técnica”

A história da Dra. Jéssyka Emília dialoga diretamente com essa mudança de percepção. Filha do traumatologista Dr. João Bartolomeu Pinto Rabelo, ela cresceu observando a Ortopedia de perto.

O contato com a especialidade despertou seu interesse por uma área que descreve como “resolutiva, dinâmica e cheia de caminhos possíveis”, desde o consultório até o centro cirúrgico, passando pelo atendimento a atletas, uma de suas paixões.

Ainda assim, a médica enfrentou o peso de trabalhar em um ambiente majoritariamente masculino.

“Em alguns momentos, precisei provar minha capacidade além do que seria esperado.”

Comentários sobre força física e resistência surgiram durante sua formação, embora nunca tenham sido o centro de sua trajetória.

Para Jéssyka, o equívoco cultural mais comum é imaginar que a Ortopedia depende de força bruta.

“Ortopedia não é força, é técnica.”

A exigência, explica, está no gesto preciso, no entendimento da biomecânica e na capacidade de pensar o procedimento — atributos que independem de gênero.

Residência médica, apoio coletivo e saúde mental

A residência, intensa como em outras áreas cirúrgicas, foi marcada por preceptores que ensinaram a Jéssyka tanto Ortopedia quanto lições de vida. Alguns se tornaram referências positivas; outros, exemplos do que não reproduzir.

O apoio do grupo de residentes fez diferença para atravessar a rotina exaustiva. O equilíbrio entre estudo, descanso, lazer e convivência familiar tornou-se, para ela, uma forma de sustentar o propósito profissional e a saúde mental ao longo da jornada.

Leia também: A saúde mental do residente de Medicina: desafios e possibilidades

Participação feminina ainda é menor nas subespecialidades

Os dados das subespecialidades reforçam a importância dessa mudança. O Boletim da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé) de 2022, por exemplo, aponta que áreas como cirurgia do tornozelo e pé ainda apresentam participação feminina reduzida, reproduzindo a desigualdade observada na Ortopedia geral.

Mesmo assim, o crescimento do número de mulheres ortopedistas, cada vez mais visíveis em congressos, equipes cirúrgicas e serviços de residência, vem produzindo transformações concretas.

A presença feminina amplia perspectivas de cuidado, qualifica a relação com os pacientes e leva um olhar mais plural às decisões clínicas e ao ambiente de trabalho.

Representatividade influencia novas escolhas profissionais

Para Jéssyka, o impacto simbólico dessa nova geração é profundo, especialmente entre estudantes que ainda não se veem representadas na especialidade.

“Fico muito feliz quando alunas me dizem que querem ser ortopedistas porque veem que é possível. Isso me mostra que estou no caminho certo.”

O futuro, para ela, passa pela divulgação da Ortopedia ainda durante a graduação, por políticas de incentivo à permanência de mulheres nos programas de residência, pela redução das barreiras culturais e pela valorização de lideranças femininas.

“Quero ver cada vez mais mulheres ocupando esse espaço. A Ortopedia também é nossa.”

Leia também: Conheça a liderança feminina na saúde e os caminhos para a equidade

 

#Conteúdo otimizado com o auxílio de IA e revisado pela equipe do Portal Afya.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Equipe de Jornalistas da Afya.

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