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Carreira8 março 2026

Conheça algumas histórias inspiradoras de médicas brasileiras

A medicina brasileira é marcada por trajetórias femininas que transformaram a prática clínica e a saúde pública. Saiba mais!
Por Redação Afya

A medicina brasileira é marcada por trajetórias femininas que transformaram a prática clínica, a saúde pública, a educação médica e o cuidado humanizado. Em diferentes especialidades e contextos – do atendimento à beira do leito à formulação de políticas globais de saúde – essas médicas constroem legados que ultrapassam consultórios e hospitais, influenciando gerações de profissionais e pacientes.

A seguir, reunimos histórias de seis médicas brasileiras vivas e atuantes que se destacam pela excelência técnica, compromisso social e capacidade de inovar no cuidado em saúde.

  

Marinella Della Negra: quatro décadas na linha de frente de grandes epidemias

Com 46 anos de atuação no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, a Dra. Marinella Della Negra é reverenciada por muitos pacientes e colegas como um testemunho vivo da trajetória e legado do hospital. Formada em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo em 1971, a médica acompanhou e enfrentou alguns dos episódios mais marcantes da saúde pública nacional.

Ao longo da carreira, esteve na linha de frente da epidemia de meningite nos anos 1970, do surto de febre tifóide, da pandemia de HIV/Aids desde os primeiros casos nos anos 1980, da gripe H1N1 em 2009 e do surto de febre amarela em 2018. Liderou a equipe responsável pelo atendimento dos primeiros casos de aids pediátrica no País, em um período marcado por incertezas científicas e ausência de terapias eficazes.

Em 1989, devido a participação em protocolos de pesquisa para o uso de antirretrovirais em crianças, Marinella e sua equipe receberam a doação de um cheque (com valor equivalente à de um carro popular zero quilômetro). O dinheiro foi usado para criar a Associação de Auxílio à Criança Portadora de HIV, que agora se chama Associação de Auxílio à Criança e Adolescente Portador de HIV (AACP HIV), entidade que apoiou famílias com tratamentos, cestas básicas e transporte. Quando as crianças cresceram, a associação passou a custear a faculdade, dando formação universitária a 30 pacientes. Hoje, a médica é presidente da associação.

Isadora Jochims: quando ciência e arte se encontram no cuidado humanizado

Reumatologista formada pela Universidade Federal de Goiás, com residência e mestrado em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília (UnB), a Dra. Isadora Jochims construiu uma trajetória que une conhecimento científico, arte e humanização do cuidado. Coordenadora do Grupo Analgesia, coletivo de arte formado por profissionais de saúde e mulheres com dores crônicas, também realiza ilustrações de doenças reumáticas para a revista médica Capital Reumato.

Membro da Comissão de Humanização do Hospital Universitário de Brasília (HUB), ela foi a idealizadora do projeto “Prontuário Afetivo” durante a pandemia de covid-19. O projeto consistia em quadros ao lado do prontuário médico de cada paciente com informações sobre quem era aquela pessoa, como gostos, músicas, time de futebol, histórias, colhidas junto à família. Essa iniciativa permitiu que pacientes sedados e sem visitas fossem reconhecidos como pessoas, humanizando o tratamento e acelerando a recuperação.

“Minha missão é aliar ciência e humanidade para cuidar de cada paciente com empatia e promover saúde e qualidade de vida”, define a Dra. Isadora.

 

Ana Claudia Quintana Arantes: referência nacional em cuidados paliativos

Médica formada pela Universidade de São Paulo, com residência em Geriatria e Gerontologia e especialização em Cuidados Paliativos no Brasil e no exterior, a Dra. Ana Claudia Quintana Arantes tornou-se uma das principais vozes sobre envelhecimento, finitude e morte digna no País.

Fundadora da Associação Casa do Cuidar e da Casa Humana, atua na formação de profissionais de saúde e na assistência domiciliar a pacientes em fase avançada de doenças. Seu trabalho ganhou projeção nacional após a palestra TEDx “A morte é um dia que vale a pena viver”, que acumula quase 4 milhões de visualizações. A palestra também deu origem ao livro homônimo, publicado no Brasil e em diversos outros países.

Com uma abordagem sensível e direta, Ana Claudia contribuiu para ampliar o debate sobre cuidados paliativos, luto e qualidade de vida, trazendo o tema para o centro das discussões médicas e sociais.

 

Valéria Petri: pioneirismo na dermatologia e na Aids

Formada pela Escola Paulista de Medicina, onde ingressou como docente ainda na década de 1970, a Dra. Valéria Petri construiu uma carreira acadêmica de excelência. É mestre em Imunologia, doutora em Dermatologia e professora titular desde 1996.

Foi a primeira médica no Brasil a identificar o sarcoma de Kaposi como manifestação da Aids, em 1982, e a descrever, anos depois, as principais afecções dermatológicas associadas à síndrome. Seu trabalho teve reconhecimento internacional e contribuiu de forma decisiva para o entendimento clínico da doença no País.

Como docente, Dra. Valéria formou gerações de especialistas, deixando um legado de rigor acadêmico e precisão clínica que ainda hoje influencia a dermatologia moderna.

 

Myrian Krexu: a primeira cirurgiã cardiovascular indígena do Brasil

Nascida em Xanxerê (SC) e criada na Terra Indígena Rio das Cobras, a Dra. Myrian Krexu é a primeira cirurgiã cardiovascular indígena do Brasil, pertencente à etnia Guarani Mbyá. Aprendeu a ler e escrever com a avó e desde a infância sonhava em ser médica.

Ingressou no curso de Medicina da Unioeste por meio do Vestibular dos Povos Indígenas e, após se formar, atuou por três anos na saúde indígena, atendendo sua própria comunidade e outras aldeias. Posteriormente, decidiu seguir a especialização em cirurgia cardíaca, unindo habilidade manual e paixão pela cardiologia.

A Dra. Myrian defende a união entre o conhecimento técnico-científico e os saberes ancestrais. Para ela, o resgate da medicina tradicional e o respeito ao conhecimento das ervas medicinais podem coexistir com a alta complexidade, promovendo um cuidado mais integral e respeitoso às culturas originárias.

 

Mariângela Simão: liderança brasileira na saúde global

Pediatra e sanitarista, a Dra. Mariângela Batista Galvão Simão construiu uma carreira marcada pela atuação em políticas públicas e organismos internacionais. Com mestrado em Saúde Pública pela Universidade de Londres, acumulou quase três décadas de experiência no sistema público de saúde brasileiro.

Foi diretora do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, secretária de Saúde no Paraná e ocupou cargos de liderança no UNAIDS e na Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre 2017 e 2022, atuou como diretora-geral adjunta da OMS para Acesso a Medicamentos, Vacinas e Produtos Farmacêuticos.

Durante a pandemia de covid-19, teve papel de destaque na articulação global para a distribuição de vacinas e terapias seguras. Atualmente, é Secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde, mantendo atuação estratégica na formulação de políticas de saúde pública.

 Inspiração que transforma a medicina

Essas histórias mostram que o sucesso na medicina vai além de títulos e cargos. Ele se constrói no compromisso com o paciente, na capacidade de inovar, na defesa da ciência, na humanização do cuidado e no impacto social gerado ao longo do caminho.

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Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.

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