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Cardiologia23 outubro 2026

Quase 3 em cada 10 estudantes têm pressão na faixa de hipertensão, aponta SBC

Levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre hipertensão infantil relacionou alterações da pressão arterial ao excesso de peso e à gordura abdominal.
Por Gabriela Costa

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) identificou pressão arterial na faixa de hipertensão em 28,3% das crianças e adolescentes avaliados na primeira fase do projeto Brasil Coração Saudável. O levantamento analisou 6.092 estudantes de 7 a 18 anos, em 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, entre junho e outubro de 2026.

Os resultados preliminares foram apresentados durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em outubro. Além dos participantes com pressão na faixa de hipertensão, outros 11,6% apresentaram pressão arterial elevada, classificada no levantamento como pré-hipertensão.

Pressão arterial elevada varia conforme a faixa etária

A proporção de participantes com pressão na faixa de hipertensão foi de 30,2% entre 7 e 10 anos, 23,6% entre 11 e 14 anos e 34% entre 15 e 18 anos. Entre os meninos, o percentual chegou a 29,8%, enquanto entre as meninas o número foi de 26,9%.

Os resultados representam alterações identificadas na triagem escolar, com medidas repetidas em uma única visita. Portanto, não correspondem a diagnósticos confirmados de hipertensão, que exigem avaliação em outras consultas.

Obesidade infantil acompanha maior frequência de hipertensão

O levantamento também identificou excesso de peso em 33,1% dos participantes, sendo 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade.

A proporção de pressão na faixa de hipertensão aumentou conforme o estado nutricional: 22,6% entre estudantes com peso adequado, 30,1% naqueles com sobrepeso e 48,4% entre os participantes com obesidade.

Gordura abdominal se associa à pressão elevada

A análise também identificou associação entre o acúmulo de gordura abdominal e a frequência de pressão arterial na faixa de hipertensão. Entre os participantes com relação cintura/estatura acima de 0,5, o percentual foi de 40,6%, em comparação com 24,4% entre aqueles com medidas iguais ou inferiores a esse limite.

A associação também foi observada na avaliação da circunferência abdominal. Entre os estudantes com medida igual ou superior ao percentil 90, 46,3% apresentaram pressão na faixa de hipertensão, contra 26,3% entre aqueles abaixo deste percentil.

No total, 17,4% dos participantes apresentaram relação cintura/estatura superior a 0,5, enquanto 14,1% tinham circunferência abdominal igual ou superior ao percentil 90.

Apesar de os resultados indicarem maior frequência de alterações pressóricas entre estudantes com adiposidade abdominal aumentada, por se tratar de uma análise descritiva, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito.

Brasil Coração Saudável ampliará avaliação nas escolas

O projeto Brasil Coração Saudável, desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), tem como objetivo mapear os fatores de risco cardiovascular entre crianças e adolescentes brasileiros. A iniciativa busca reunir informações sobre as condições de saúde dessa população para apoiar a elaboração de políticas públicas voltadas à prevenção das doenças cardiovasculares e à redução da mortalidade.

Nesta primeira fase, o programa prevê avaliar 12.422 crianças e adolescentes, dos quais 6.092 já haviam participado até 7 de outubro de 2026, o equivalente a 49% da meta. A coleta ocorreu em 38 escolas de três estados, com maior participação do Rio Grande do Sul (3.059 estudantes) e de Minas Gerais (2.973), além de São Paulo (60).

Com a ampliação da coleta, a expectativa é reunir um conjunto mais abrangente de informações sobre pressão arterial, excesso de peso, gordura abdominal e outros indicadores de saúde cardiovascular. Os resultados ainda são preliminares e não representam estimativas nacionais, mas poderão contribuir para identificar necessidades de prevenção e orientar futuras estratégias de saúde pública voltadas à população infantojuvenil.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista em formação pela Universidade Federal Fluminense.

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