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Cardiologia16 janeiro 2017

Índice tornozelo-braço – como medir e qual sua utilidade?

O índice tornozelo-braquial é um exame complementar não invasivo auxiliar no diagnóstico da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) dos membros inferiores. Foi descrito originalmente por Winsor em 1950.

Por Eduardo Lapa

Texto enviado pelo Dr Eduardo Sansolo – especialista em cirurgia vascular pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

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O índice tornozelo-braquial é um exame complementar não invasivo auxiliar no diagnóstico da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) dos membros inferiores. Foi descrito originalmente por Winsor em 1950.

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Este índice é calculado pela razão da pressão sistólica da artéria braquial direita ou esquerda (o maior valor) com a pressão sistólica das artérias maleolares tibial anterior ou tibial posterior (o maior valor).Possui algumas vantagens como: baixo custo, realizável por médicos não especialistas treinados adequadamente, necessita somente de um esfigmomanômetro e sonar Doppler ou estetoscópio.

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Além de sua utilidade na avaliação da DAOP, também serve como indicador de doença aterosclerótica em outros territórios e como marcardor prognóstico para eventos cardiovasculares. Vários estudos já demonstraram que pacientes com índice tornozelo-braquial <0.9 possuem mortalidade 3-6 vezes maior em 5 anos comparados com controles.

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Fatores que influenciam o ITB

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           A diferença entre as pressões arteriais sistólica e diastólica aumenta conforme se desloca distalmente na árvore arterial ( elevação da PAS e redução da PAD). Como consequência deste fenômeno físico, indivíduos de estatura elevada tendem a apresentar ITB’s maiores que indívíduos mais baixos. Uma vez que se trata de uma razão, fatores que afetam a hemodinâmica geral não costumam alterar o ITB, tais como a hemodiálise e a frequência cardíaca.

           Pacientes portadores de diabetes ou insuficiência renal crônica apresentam grande prevalência de calcificação na camada média das artérias da perna o que impede o colabamento com insuflação do manguito pressórico e eleva falsamente o ITB. Neste caso, o índice deve ser calculado pela artéria do hálux, a qual costuma ser preservada do cálcio.

         

 O ITB na prática clínica

Este índice é calculado bilateralmente através da seguinte razão:

ITB Direito : Maior PAS do tornozelo direito

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                    _________________________Maior PAS braquialITB Esquerdo : Maior PAS do tornozelo esquerdoMaior PAS braquialComo interpretar?≥0,9 – normal0,71 a 0,9 – alteração discreta0,41-0,7 – alteração moderada≤0,4 – alteração importante≥1,4 – sugere calcificação de Mockenberg

Entretanto um ITB <0,9 não deve ser tratado como uma variável binária para o diagnóstico da DAOP. Para o julgamento do valor deste índice deve ser levada em consideração a probabilidade pre-teste da presença da doença na qual são incluídos os dados clínicos do paciente. Desta forma, este valor (<0,9) se comparado ao padrão-ouro (angiografia) possui sensibilidade de 75% e especificidade de 90%.

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Protocolo de medição do ITB

       

  • O paciente deve permanecer em repouso por 5 a 10 minutos em decúbito dorsal horizontal.
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  • Não deve ter fumado por pelo menos 2 horas antes.
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  • O manguito do esfigmomanômetro deve ter largura de pelo menos 40% da circunferência do membro.
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  • Deve-se proceder a aferição da PAS nas duas artérias braquiais normalmente.
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  • O manguito deve ser colocado na perna com sua borda distal 2 cm acima do maléolo medial.
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  • Deve ser aferida a PAS nas artérias pediosa (no dorso do pé) e tibial posterior (posterior ao maléolo medial)
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  • O método de aferição do fluxo (sonar Doppler, estetoscópio ou esfigmomanômetro eletrônico) deve ser o mesmo para os quatro membros.

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Colocamos abaixo um vídeo exemplificando o processo:https://www.youtube.com/watch?v=o72WAbC5rY8Referências bibliográficas:Winsor T. Influence of arterial disease on the systolic blood pressure gradients of the extremity. Am J Med Sci. 1950;220:117–126.Yao ST, Hobbs JT, Irvine WT. Ankle systolic pressure measurements in arterial disease affecting the lower extremities. Br J Surg. 1969;56: 676 – 679.Bird CE, Criqui MH, Fronek A, Denenberg JO, Klauber MR, Langer RD. Quantitative and qualitative progression of peripheral arterial disease by non-invasive testing. Vasc Med. 1999;4:15–21.http://circ.ahajournals.org/content/126/24/2890Newman AB, Shemanski L, Manolio TA, Cushman M, Mittelmark M, Polak JF, Powe NR, Siscovick D. Ankle-arm index as a predictor of cardiovascular disease and mortality in the Cardiovascular Health Study: the Cardiovascular Health Study Group. Arterioscler Thromb Vasc Biol. 1999;19:538 –545.Aboyans V, Lacroix P, Doucet S, Preux PM, Criqui MH, Laskar M. Diagnosis of peripheral arterial disease in general practice: can the ankle-brachial index be measured either by pulse palpation or an automatic blood pressure device? Int J Clin Pract. 2008;62:1001–1007.

Autoria

Foto de Eduardo Lapa

Eduardo Lapa

Redator em Cardiopapers; especialista em Cardiologia pelo InCor-HCFMUSP; especialista em Ecocardiografia pela SBC; Especialista em Clínica Médica pela SBCM; doutor e mestre pelo Departamento de Cirurgia da UFPE; preceptor das residências de cardiologia e Ecocardiografia do HC-UFPE.

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