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Cardiologia21 outubro 2019

Atualização da SBC em RCP: Qualidade e Causas Reversíveis na PCR

Protocolo no atendimento da PCR segue uma sequência lógica de condutas que melhoram as taxas de reversibilidade do processo que desencadeou o evento.

As diretrizes recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforçam a importância da qualidade da ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e da identificação das causas reversíveis na parada cardiorrespiratória (PCR).

Epidemiologia e ritmos de PCR

Os dados sobre PCR no Brasil ainda são limitados, mas algumas tendências são bem estabelecidas.

Ambiente extra-hospitalar

  • Principais ritmos:
    • Fibrilação ventricular (FV)
    • Taquicardia ventricular sem pulso (TVSP)
  • Representam até 80% dos casos
  • Melhor prognóstico quando tratados precocemente

Desfibrilação em até 3–5 minutos:

  • Sobrevida de 50% a 70%

Ambiente intra-hospitalar

  • Ritmos mais comuns:
    • Atividade elétrica sem pulso (AESP)
    • Assistolia
  • Prognóstico pior
  • Sobrevida < 17%

Cadeia de sobrevivência

O manejo da PCR segue uma sequência estruturada de ações que aumentam as chances de reversão.

PCR intra-hospitalar

  • Vigilância e prevenção
  • Reconhecimento precoce
  • Acionamento da equipe de emergência
  • RCP imediata de alta qualidade
  • Desfibrilação precoce
  • Suporte avançado de vida
  • Cuidados pós-PCR

PCR extra-hospitalar

  • Reconhecimento da PCR
  • Acionamento do serviço de emergência
  • RCP imediata
  • Desfibrilação precoce
  • Atendimento pré-hospitalar
  • Suporte avançado
  • Cuidados pós-PCR

Causas reversíveis: os 5Hs e 5Ts

A identificação e o tratamento das causas reversíveis são fundamentais em todos os ritmos de PCR.

5Hs

  • Hipovolemia
  • Hipóxia
  • Hidrogênio (acidose)
  • Hipo/hipercalemia
  • Hipotermia

5Ts

  • Trombose coronariana
  • Trombose pulmonar
  • Tamponamento cardíaco
  • Tóxicos
  • Tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo)

Drogas no Suporte Avançado de Vida

Recomendações principais

  • Amiodarona ou lidocaína:
    • Primeira escolha em FV/TVSP refratária (IIb B)
  • Lidocaína:
    • Alternativa à amiodarona (IIb B)
  • Betabloqueadores:
    • Podem ser considerados após retorno da circulação espontânea (RCE) (IIb B)
  • Atropina:
    • Não recomendada na PCR (IIb C)
  • Sulfato de magnésio:
    • Não recomendado de rotina (III B)

Antiarrítmicos após retorno da circulação espontânea

Evidências

  • Amiodarona:
    • Melhora sobrevida até admissão hospitalar
  • Lidocaína:
    • Pode ser utilizada em infusão contínua após PCR (IIb C)
  • Betabloqueadores:
    • Possível redução de mortalidade
    • Evidência ainda limitada

Riscos:

  • Instabilidade hemodinâmica
  • Piora da insuficiência cardíaca
  • Bradicardia

Uso de torniquete na RCP

O torniquete pode ser útil em situações específicas, mas exige cautela.

Indicações

  • Hemorragias externas graves
  • Cenários com múltiplas vítimas
  • Ambientes inseguros

Possíveis complicações

  • Síndrome compartimental
  • Lesão nervosa
  • Isquemia e amputação

 Seu uso deve ser restrito a profissionais treinados.

Conclusão

A atualização da SBC reforça que:

  • RCP de alta qualidade salva vidas
  • Desfibrilação precoce é determinante no prognóstico
  • Identificar causas reversíveis é essencial

O sucesso no manejo da PCR depende da execução rápida, coordenada e baseada em evidências.

Autoria

Foto de Alexandre Marins Rocha

Alexandre Marins Rocha

Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ⦁ Pós-graduação em Cardiologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro ⦁ Mestre em Ciências Cardiovasculares pela Universidade Federal Fluminense ⦁ Ecocardiografista no Labs Amais Grupo Fleury

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Referências bibliográficas

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