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Anestesiologia6 fevereiro 2026

Manipulação espinhal e cuidado psicossocial em lombalgia aguda

Dor lombar: estudo mostra que autocuidado biopsicossocial com apoio clínico reduz incapacidade mais que tratamento médico isolado.

A dor lombar é o fenômeno álgico mais comum na população, acometendo mais da metade das pessoas em pelo menos um episódio em sua vida.  É fortemente influenciada por fatores físicos, psicológicos e sociais que acabam permanecendo inter-relacionados.  

Dependendo da sua gravidade e duração torna-se incapacitante, impedindo o paciente de ter uma vida econômica, familiar e social minimamente produtiva. No entanto, a maioria dos tratamentos concentra-se apenas na redução dos sintomas, principalmente de forma medicamentosa, sem abordar as necessidades biopsicossociais e emocionais desses pacientes. 

O objetivo desse estudo visou determinar a eficácia da manipulação da coluna vertebral e do autocuidado biopsicossocial com apoio do profissional clínico, em comparação com o cuidado exclusivamente médico, em pacientes adultos com maior risco de desenvolver dor lombar crônica incapacitante. 

Métodos  

Foi realizado um estudo clínico randomizado com 1000 pacientes de três clínicas de pesquisa das Universidades de Minnesota e Pittsburgh no período de novembro de 2108 a maio de 2023 com um follow up final em junho de 2024. Foram analisados pacientes adultos com quadros de lombalgia aguda e subaguda com risco de cronificação de moderado a grave baseado na ferramenta STarT Back. Esses pacientes foram divididos em 4 grupos e submetidos a procedimentos pelo período de oito semanas. 

Os procedimentos realizados foram divididos em: terapia de manipulação espinhal isolada e combinação de autocuidado com manipulação espinhal comparados com cuidados médicos específicos. A manipulação espinhal e o autocuidado foram realizadas por uma equipe de fisioterapeutas e quiropráticos. 

Os principais desfechos avaliados após um ano de follow up foram incapacidade lombar mensal medida pelo questionário de Roland-Morris Disability e intensidade dolorosa semanal pela escala numérica de dor. Análises secundárias avaliaram pacientes que obtiveram uma redução de 50% ou mais dos desfechos primários. 

Leia também: Eficácia e segurança dos tratamentos para lombalgia crônica: qual funciona melhor?

Resultados 

Entre os 1000 participantes randomizados, com idade média de 47 anos, sendo 58% mulheres, 93% completaram o estudo.  

O resultado do teste global analisando os quatro grupos foi estatisticamente significante para incapacidade lombar (P = .001; autocuidado com apoio clínico, 4,7; manipulação da coluna isolada, 5,5; autocuidado com apoio clínico combinado à manipulação da coluna, 4,8; cuidados médicos tradicionais, 5,9), mas não para intensidade da dor (P = .16; autocuidado com apoio clínico, 2,8; manipulação da coluna isolada, 3,0; autocuidado com apoio clínico combinado à manipulação da coluna, 2,8; cuidados médicos tradicionais, 3,0).  

Ao longo dos 12 meses do estudo, a incapacidade pela dor lombar foi significativamente menor quando realizada com cuidados médicos tradicionais junto com autocuidado com apoio clínico, assim como com autocuidado com apoio clínico combinado à manipulação da coluna comparado a manipulação da coluna isoladamente. 

Em relação a intensidade da dor, as diferenças entre os grupos não foram estatisticamente significativas.  

Os grupos que receberam autocuidado com apoio clínico e autocuidado combinado a manipulação espinhal, apresentaram uma maior incidência de pacientes que relataram uma redução de 50% ou mais na incapacidade lombar sendo: grupo de autocuidado com apoio clínico 67%, grupo de manipulação da coluna isolada 54%, grupo de autocuidado com apoio clínico combinado a manipulação da coluna 65% e grupo de cuidados médicos tradicionais 54%. 

Mensagem prática 

Nesse estudo em questão pode-se concluir que em pacientes com dor lombar aguda ou subaguda e com maior risco de desenvolver dor lombar crônica incapacitante, o autocuidado biopsicossocial com apoio da equipe multidisciplinar apresentou reduções estatisticamente significativas, na incapacidade, mas não na intensidade da dor, em comparação aos cuidados médicos tradicionais ao longo de um ano de acompanhamento. A manipulação da coluna isoladamente não apresentou diferenças significativas em nenhum dos desfechos. 

Esse fator nos faz entender que em relação a lombalgia, o apoio psicossocial e o ensinamento a prática de autocuidado ao paciente são de grande importância para o seu tratamento em comparação apenas ao tratamento clínico, uma vez que síndromes álgicas são componentes determinantes para o desenvolvimento de incapacidade social do paciente. O acolhimento por parte da equipe multidisciplinar e o a consciência da necessidade de autocuidado são elementos que contribuem para que pacientes com síndromes álgicas principalmente lombares não evoluam para incapacidades crônicas ao longo da vida. 

Autoria

Foto de Gabriela Queiroz

Gabriela Queiroz

Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Ministério da Educação (MEC) ⦁ Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Centro de Especialização e Treinamento da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (CET/SBA) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) ⦁ Membro da American Academy of Pain Medicine ⦁ Ênfase em cirurgias de trauma e emergência, obstetrícia, plástica estética reconstrutiva e reparadora e procedimentos endoscópicos ⦁ Experiência em trauma e cirurgias de emergência de grande porte, como ortopedia, vascular e neurocirurgia ⦁ Experiência em treinamento acadêmico e liderança de grupos em ambiente cirúrgico hospitalar ⦁ Orientadora acadêmica junto à classe de residentes em Anestesiologia ⦁ Orientadora e auxiliar em palestras regionais e internacionais na área de Anestesiologia.

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