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Pediatria6 julho 2026

Cólica infantil: como conduzir e orientar as famílias na prática clínica?

Cólica infantil: entenda os critérios atualizados pelo Roma V, os sinais de alerta e como conduzir, com evidências, o pedido por abordagens naturais na consulta pediátrica.

Este conteúdo foi produzido pela Afya em parceria com Weleda de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal Afya.

A cólica infantil continua sendo uma das queixas mais frequentes nos primeiros meses de vida e um dos principais motivos de consulta pediátrica.1,2,3 Embora seja considerada uma condição benigna e autolimitada, o choro intenso e a dificuldade de consolar o lactente costumam gerar grande ansiedade familiar, levando a repetidas buscas por atendimento e por diferentes estratégias terapêuticas.2-4

Além do impacto sobre o bebê, o quadro desafia o pediatra a equilibrar avaliação clínica rigorosa, orientação baseada em evidências e acolhimento das expectativas dos cuidadores.2-4 Esse cenário se torna ainda mais complexo quando surgem dúvidas sobre abordagens complementares e pedidos por alternativas consideradas naturais.

Essas questões são discutidas no videocast “Cólica infantil e abordagem natural na prática clínica”, apresentado pela Dra. Sabrina Gois e pelo Dr. Jôbert Novaes. Ao longo da conversa, são abordados temas como a atualização dos critérios diagnósticos, os sinais de alerta que exigem investigação adicional, o papel das intervenções complementares e os limites éticos da condução clínica baseada em evidências.

Neste post, você encontra alguns dos principais insights do episódio.

A cólica infantil ainda é um desafio para pediatras e famílias

A manifestação clássica da cólica infantil é o choro inconsolável em um lactente previamente saudável, geralmente com piora no fim da tarde ou durante a noite.2,3 O quadro costuma atingir seu pico nas primeiras semanas de vida, frequentemente por volta da sexta semana, e tende a melhorar espontaneamente nos meses seguintes.2,3

Além do choro intenso, alguns lactentes podem apresentar sinais como rubor facial, distensão abdominal, flexão dos membros inferiores, punhos fechados e arqueamento do tronco.3 Embora esses achados não estejam presentes em todos os casos, costumam aumentar a preocupação dos cuidadores.2,3

Na prática, a dificuldade de compreender a causa do desconforto e a sensação de impotência diante do choro são alguns dos fatores que explicam por que a cólica infantil continua sendo uma das principais fontes de ansiedade familiar nos primeiros meses de vida.2,3

O que mudou com a chegada do Roma V?

Uma das atualizações mais relevantes discutidas no episódio é a mudança proposta pelo Roma V, que substituiu o termo “cólica infantil” por síndrome do desconforto do lactente.1

A atualização amplia a compreensão do quadro e reforça que não se trata apenas de um problema gastrointestinal.1 Atualmente, considera-se que diferentes mecanismos podem estar envolvidos, incluindo alterações da microbiota, intolerâncias ou hipersensibilidades alimentares, imaturidade neurodigestiva e fatores comportamentais.2,3,5

Essa mudança acompanha a literatura mais recente e reforça o caráter multifatorial da condição, afastando explicações simplistas para um quadro que continua desafiando pesquisadores e profissionais de saúde.2,3,5

Quando o choro do lactente exige investigação adicional?

Apesar de ser um quadro frequente e geralmente benigno, a cólica infantil permanece como um diagnóstico de exclusão.2,3,5

A avaliação clínica deve incluir história detalhada e exame físico completo, com atenção ao padrão do choro, alimentação, evacuações, ganho de peso e sintomas associados.2,3 Quando não há alterações ao exame físico e o lactente se apresenta saudável, exames complementares costumam ser desnecessários.3

Por outro lado, alguns sinais exigem investigação adicional, como:2,3

  • febre;
  • letargia;
  • vômitos persistentes ou em jato;
  • sangue nas fezes;
  • diarreia importante;
  • recusa alimentar;
  • distensão abdominal significativa;
  • perda de peso ou mau ganho ponderal.

Nessas situações, é fundamental considerar diagnósticos diferenciais antes de atribuir os sintomas à cólica infantil.2,3

Como conduzir as expectativas das famílias diante da busca por soluções naturais?

Muitos pais chegam ao consultório em busca de soluções rápidas para aliviar o sofrimento do bebê. Entre as dúvidas mais frequentes estão as relacionadas a probióticos, fórmulas especiais, restrições alimentares e abordagens consideradas naturais.

Nesses casos, o acolhimento das preocupações da família deve caminhar lado a lado com a comunicação clara sobre o que as evidências científicas mostram até o momento.2,4

A condução adequada passa por explicar o caráter benigno e autolimitado do quadro, esclarecer o que já foi excluído durante a avaliação clínica e discutir, de forma objetiva, os benefícios e limitações das diferentes intervenções disponíveis.2-7

Acolher a expectativa dos cuidadores não significa validar automaticamente a eficácia de determinada estratégia, mas construir uma decisão compartilhada baseada em critérios técnicos e éticos.2-4

O que as evidências mostram sobre probióticos, lactase e camomila?

Entre as intervenções mais estudadas para cólica infantil, o Lactobacillus reuteri DSM 17938 apresenta resultados mais favoráveis principalmente em lactentes amamentados ao seio.2-4

Já a simeticona, frequentemente utilizada na prática clínica, não demonstra benefício consistente quando comparada ao placebo.2,4 A lactase, por outro lado, apresentou resultados positivos em estudos específicos, com redução do tempo de choro e irritabilidade após algumas semanas de acompanhamento.5

A camomila também vem sendo investigada nesse cenário.3,6 Estudos citados durante a conversa apontam associação entre seu uso e redução de sintomas em determinados contextos clínicos.3,6,7 Os especialistas ressaltam, entretanto, a importância de considerar a qualidade das evidências disponíveis e as questões relacionadas à segurança e padronização das formulações utilizadas.3,6

O futuro do manejo da cólica infantil

O entendimento da cólica infantil continua evoluindo.3-5 Atualmente, há crescente interesse em áreas como microbiota intestinal, probióticos específicos, estratégias dietéticas e intervenções enzimáticas.3-5

Ao mesmo tempo, os estudos mostram que ainda existem muitas perguntas sem resposta.3,5 A tendência é que o manejo se torne cada vez mais individualizado, considerando características clínicas específicas de cada lactente em vez de buscar uma solução única para todos os casos.1,3,5

Assista ao videocast completo e acompanhe a discussão na íntegra

O manejo da cólica infantil exige avaliação clínica cuidadosa, comunicação clara com os cuidadores e decisões baseadas em evidências.2-5,7

Em um cenário marcado por dúvidas, ansiedade familiar e busca por soluções rápidas, compreender os limites e as possibilidades de cada abordagem continua sendo fundamental para a prática pediátrica.

Autoria

Foto de Sabrina Gois Santos

Sabrina Gois Santos

Redator em Pedpapers. Graduada em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2011). Residência em pediatria no Hospital Infantil Menino Jesus e título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) – 2014. Pós-graduação em homeopatia e título de Especialista em Homeopatia pela Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB) - 2016. Pós-graduada em Pediatria Integrativa - 2024. MBA em Gestão de Serviço Privado de Imunização Humana - 2025.

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Referências bibliográficas

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