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Urologia29 julho 2026

Atualizações sobre infecções urológicas: o que é importante saber em 2026?

Infecções urológicas impactam significativamente o bem-estar e a qualidade de vida, devido à ampla ocorrência e manifestações clínicas

A Associação Europeia de Urologia (EAU) publicou no último mês as principais atualizações sobre diagnóstico e manejo das principais infecções em urologia. O consenso reúne as principais orientações, não somente para urologistas, mas também generalistas que comumente recebem pacientes com tais queixas em seus serviços.

Atualizações sobre infecções urológicas: o que é importante saber em 2026?

Nova classificação das Infecções do Trato Urinário (ITU)

O novo guideline de EAU abandonou a consagrada classificação de infecções do trato urinário complicada e não complicada e classificou tais infecções em localizadas e sistêmicas. ITUs localizadas são aquelas que apresentam sintomas apenas no trato urinário inferior (disúria, polaciúria, urgência), enquanto as ITUs sistêmicas apresentam sintomas locais acompanhados de sintomas sistêmicos como febre, calafrios, delírio, hipotensão, dentre outros.

A EAU orienta que fatores de risco podem estar presentes em ambos os casos e devem ser investigados adequadamente de acordo com a história patológica pregressa do paciente em questão.

Abordagem da Bacteriúria Assintomática (BA)

Classicamente a BA é definida como presença de bactérias na concentração acima de 105 UFC/mL de urina, sem qualquer sintoma de ITU. Na grande maioria dos pacientes não é indicado qualquer rastreio, solicitação exames complementares e, principalmente, nenhum tipo de tratamento, incluindo diabéticos controlados, idosos, receptores de transplante renal, portadores de cateteres e mulheres pós menopausa.

A exceção à regra gira em torno de pacientes que serão submetidos a procedimentos urológicos que perfurem a mucosa, e gestantes. Para estas, orienta-se tratamentos curtos ou dose única, como a Fosfomicina.

Cistite e Cistite recorrente em mulheres

O diagnóstico clínico segue sendo a regra para casos de cistite, sobretudo em mulheres, dispensado qualquer investigação complementar. Urocultura e laboratório são indicados em casos atípicos, falhas de tratamento, gestantes ou suspeita de microrganismos resistentes. O tratamento de primeira linha varia entre Fosfomicina, Nitrofurantoína, além de outras drogas comercializadas na Europa. Vale destacar que EAU contraindica como primeira linha as aminopenicilinas e fluoroquinolonas.

Nos casos de cistite recorrente, definida como 3 ou mais episódios em um ano ou 2 ou mais episódios em 6 meses, orienta-se a confirmação da ITU através de urocultura. A EAU não recomenda exames de imagem ou cistoscopia em mulheres abaixo dos 40 anos de idade, sem fatores de risco. Medidas preventivas podem ser utilizadas, tais como: estrogênio vaginal, profilaxia pós coital, dentre outras.

Pielonefrite

Geralmente, vem acompanhado de sintomas sistêmicos e por isso agrupada dentro da nova classificação em ITU sistêmica. Neste caso, por seu potencial de gravidade, recomenda-se sempre a urocultura e exames de imagem, preferencialmente USG. TC ou RM são reservados se houver suspeita de obstrução da via urinária ou persistência da febre por mais de 48-72h na vigência de tratamento antibiótico.

O início do tratamento não deve aguardar o resultado da urocultura, por isso recomenda-se o tratamento empírico inicialmente. As opções variam entre Amoxicilina + aminoglicosídeo, cefalosporina de 2° ou 3° geração + aminoglicosídeo ou cefalosporina de 3° geração isolada, com tempo de duração por 7-10 dias (se homem, o mínimo passa a ser 14 dias).

ITUs associada a cateteres vesicais

A primeira medida nesses casos segue sendo a retirada ou troca imediata do dispositivo. Após isso, início de antibioticoterapia empírica, semelhante a pielonefrite. Vale ressaltar que piúria ou alteração de odor/aspecto não confirmar o uso de antibióticos.

Infecções genitais

Na atualização de 2026 do guideline europeu, não houve mudanças significativas no que tange à abordagem e tratamento de infecções genitais. Uma nova atualização presente no novo documento é o diagnóstico de Herpes Simplex por PCR/cultura da lesão e tratamento com aciclovir ou valaciclovir.

O que levar para a prática médica?

ITUs não são patologias de tratamento exclusivo do médico urologista. É importante que todo generalista tenha conhecimento sobre o disposto no texto acima, para que desta forma o melhor tratamento seja iniciado o mais rápido possível para o paciente.

Autoria

Foto de Caio Henrique da Silva Teixeira

Caio Henrique da Silva Teixeira

Conteudista médico na afya. Formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Municipal Souza Aguiar (2025), atualmente em residência de Urologia pelo Hospital Federal do Andarai.

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