A Sociedade Brasileira de Pediatria lançou, em junho deste ano, recomendações para o diagnóstico e manejo da sepse neonatal precoce (SNP). Um documento científico muito interessante com uma abordagem bem completa sobre o tema.
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Dentro das recomendações destacam-se:
- A identificação de fatores de risco maternos para SNP associada a antibioticoterapia profilática intraparto, em tempo correto, são maneiras efetivas de prevenir a sepse neonatal;
- É essencial uma boa comunicação entre a equipe de obstetrícia e de neonatologia;
- Recém-nascidos (RN) assintomáticos porém com fator de risco para SNP e idade gestacional (IG) acima de 35 semanas, devem ser examinados com frequência e coletadas culturas. A indicação de antibioticoterapia (ATB) deve ser feita se surgirem sintomas sugestivos de infecção;
- Desconforto respiratório leve a moderado após o nascimento deve ser acompanhado de perto e inicialmente sem ATB, exceto na piora ou persistência dos sintomas por mais de seis horas;
- Se sinais clínicos sugestivos de sepse precoce, ou quadro clínico persistente ou progressivo, os RN devem receber ATB após a coleta de culturas;
- RN prematuros por cesariana eletiva devido a indicação materna porém com bolsa amniótica íntegra não devem receber ATB;
- Prematuros com idade gestacional igual ou inferior a 34 semanas com fator de risco materno para SNP ou instabilidade cardiorrespiratória devem receber ATB após coleta de culturas. Devem também ser reavaliado sem 36 a 48 horas;
- A hemocultura e a cultura do líquor darão o diagnóstico etiológico;
- Exames laboratoriais, como hemograma e proteína C reativa (PCR) auxiliam na exclusão da SNP, porém não devem ser valorizados no diagnóstico, nem na continuação de ATB se RN clinicamente bem com culturas negativas;
- Os ATB empíricos indicados são: penicilina G cristalina ou ampicilina associada a gentamicina ou amicacina;
- Se indicado ATB, se evolução clínica for favorável e as culturas forem negativas em 36-48 horas, o tratamento deve ser suspenso, exceto em casos de evidência de infecção localizada, como pneumonia ou meningite;
- Se culturas positivas, escolher monoterapia baseada no antibiograma;
- Se boa evolução clínica, escolher o menor tempo de tratamento possível. Na SNP confirmada em cultura, o paciente deve receber 7 a 10 dias de tratamento. No caso de pneumonia e sepse clínica, o período varia entre 5 a 7 dias;
- Só considerar tratamento mais prolongado se houver evolução clínica e microbiológica ou infecção de sítio específico, como na meningite por Gram-positivo (14 dias) e por Gram-negativo (21 dias).
Para finalizar vale lembrar os fatores de risco para SNP:
- Trabalho de parto prematuro;
- Rotura de membranas ≥ 18 horas;
- Colonização materna pelo estreptococo do grupo B em gestante sem antibioticoterapia profilática intraparto;
- Corioamnionite: caracterizada por febre materna intraparto ≥ 39,0 °C ou 38-38,9 °C que persiste por mais de 30 minutos associada a, pelo menos, um dos seguintes achados: leucocitose materna (> 15.000), drenagem cervical purulenta ou taquicardia fetal.
- Febre materna nas 48 horas antes do parto;
- Cerclagem ou pessário na gestante;
- Procedimentos de medicina fetal 72 horas antes do parto;
- Infecção materna do trato urinário materna sem tratamento ou em tratamento há menos de 72 horas.
Vale lembrar também que a sepse neonatal precoce é uma importante causa de morbimortalidade neste período.
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