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Terapia Intensiva31 agosto 2026

Enfisema subcutâneo e choque por conta de uma causa incomum

CHERP pode estar associada à polipose adenomatosa familiar. Entenda quais características da lesão devem levantar suspeita.

O que ocorreu? 

Os autores apresentam um caso clínico de paciente de 68 anos com síndrome do desconforto respiratório agudo associado à gripe (influenza). Após 7 dias de tratamento, ele parecia estável e estava usando cateter nasal de alto fluxo. Repentinamente ele desenvolveu enfisema subcutâneo progressivo principalmente no hemitórax direito. Faz-se tomografia de tórax imediatamente, que revela enfisema subcutâneo na mesma região em que a clínica aparecia e pneumomediastino importante. 

Qual foi a conduta imediata? 

A conduta foi o início de ventilação mecânica e oxigenação por membrana extracorpórea venovenosa (VV-ECMO), mas o paciente apresentou deterioração hemodinâmica, com hipotensão refratária e turgência jugular patológica após 4 dias. O enfisema subcutâneo aumentou no pescoço e se alastrou pelo tronco do paciente. Foi identificado em nova TC um pneumomediastino hipertensivo. 

Corrigindo a rota 

A conduta mais óbvia no momento seria a aspiração por agulha, como se fizesse pericardiocentese. A drenagem torácica não é adequada pela falta de pneumotórax. Se a drenagem por agulha for insuficiente, a descompressão toracoscópica (via subxifóide) pode ser eficaz. Chamou-se o cirurgião torácico que procedeu ao procedimento com toracoscopia, permitindo a colocação minimamente invasiva de dreno. A intervenção resultou em melhora hemodinâmica e radiográfica, sem complicações hemorrágicas, permitindo a remoção dos drenos após a descontinuação da ventilação mecânica. 

Explicando o caso 

O dano pulmonar intenso, que no caso acima foi causado inicialmente pelo vírus influenza, e que pode ter sido maximizado por dispneia e volumes pulmonares excessivos, causou dissecção de ar pelo tecido broncovascular, que avançou até o mediastino. Quando mais intenso, pode ocorrer pneumotórax concomitante, mas não é obrigatório. Se o pneumomediastino for intenso e não escoar para tecidos adjacentes como o subcutâneo ou espaço pleural, pode haver compressão cardíaca, funcionando semelhante a um tamponamento pericárdico. O pneumomediastino hipertensivo exige a descompressão urgente nos casos com choque e afastando outras causas possíveis. Mas não existem diretrizes estabelecidas para o procedimento: a punção pericárdica subxifoide ou a toracoscopia são opções apropriadas, especialmente em casos de ar mediastinal compartimentalizado. 

Mensagens para o dia-a-dia: 

Nem todo paciente com enfisema subcutâneo e choque apresenta pneumotórax hipertensivo; 

Pneumomediastino pode se tornar hipertensivo e exige abordagem específica. 

Autoria

Foto de André Japiassú

André Japiassú

Editor médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com residência médica na área de Clínica Médica e Terapia Intensiva na mesma UFRJ (2000). Especialista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) desde 2000. Mestrado em Clínica Médica pela UFRJ (2003) e Doutorado em Ciências pela Fundação Oswaldo Cruz (2009).

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