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Terapia Intensiva27 agosto 2026

Conhecimento sobre sepse no Brasil ainda é baixo, mostra pesquisa nacional

Pesquisa nacional mostra avanço no conhecimento sobre sepse no Brasil, mas reconhecimento da emergência e das sequelas ainda é baixo.

A sepse se mantém como um problema mundial de saúde e envolve mais de 40 milhões de pessoas, com 11 milhões de mortes anualmente. Este panorama parece ter piorado após a pandemia de Covid, não só pelo próprio vírus Sars-cov-2, que causou mortalidade excessiva ao longo de quatro anos, mas também após a pandemia com uma explosão de doenças infecciosas, virais e bacterianas. Apesar do reconhecimento da sepse, pelos profissionais de saúde e do melhor tratamento concorrente, a mortalidade ainda é muito alta. 

A falta de conhecimento do público leigo sobre a sepse pode ser um dos problemas a ser solucionado. O próprio termo sepse é reconhecido apenas por 2% dos japoneses, enquanto reconhecido por mais de 80% dos alemães. A correta definição de sepse varia de 4% em Singapura até 92% na Suécia. Uma revisão sistemática publicou que apenas 50% da população conhece o termo sepse em poucos países. Pessoas jovens, mulheres, pessoas ligadas ao sistema de saúde e com maior nível de educação são aqueles que mais reconhecem o termo. 

conhecimento sobre sepse

Como a pesquisa avaliou o conhecimento da população brasileira sobre sepse

O Instituto latino-americano de sepse (ILAS) promoveu três pesquisas sobre o conhecimento do público leigo em 2014, depois em 2017 e agora em 2026. A pesquisa foi realizada através do Instituto Datafolha, da mesma maneira que faz pesquisas de conhecimento geral de vários assuntos, inclusive políticos. O objetivo dos pesquisadores era saber se houve uma evolução temporal do conhecimento do termo sepse. Além do reconhecimento da definição e de ser uma doença tempo-dependente e com acometimento de deficiências a longo prazo. Foram selecionados 2.100 participantes, para que ocorresse um erro de resultado de 2% para mais ou para menos. A pesquisa foi feita em 130 cidades brasileiras em janeiro de 2026.  

A primeira pergunta era sobre o conhecimento do termo sepse. E posteriormente, se a resposta fosse sim, a pessoa era apresentada a uma série de opções sobre a definição de sepse, incluindo uma resposta aguda do organismo a uma infecção grave. Outras opções de resposta foram: “uma infecção da corrente sanguínea”, “uma banda de rock”, “uma operação lava jato” ou “nenhuma das acima” ou “eu não sei”. 

Conhecimento sobre sepse no Brasil ainda é baixo, apesar de avanços nos últimos anos 

Temporalmente o conhecimento do público leigo sobre o termo melhorou de 2,6% em 2014 para 5,8% em 2017 e 10,3% em 2026. Trinta e seis por cento dos participantes também acertaram em reconhecer a sepse como uma resposta do hospedeiro a uma infecção. O impacto de doença tempo-dependente e a longo prazo da sepse foi baixo e não mudou muito ao longo do tempo, com cerca de 15 a 18% das pessoas reconhecendo a sepse como uma emergência médica e na qual o tratamento tem que ser feito em tempo curto. Uma proporção pequena dos respondentes também identificou a sepse como uma causa importante de morte em torno de 6%. A nível de comparação, o termo infarto do meu cardio foi amplamente reconhecido, mas que 98% e identificado com sintomas corretos e como uma potencial causa, ele morte por mais de 85% das pessoas que responderam a pesquisa. 

Apenas 24% dos participantes reconheceram que a sepse pode causar danos cognitivos e físicos a longo prazo enquanto 46% subestimou estas consequências, e 20% reportou que não sabia que elas acontecessem. 

Em relação a característica dos participantes, o ano da pesquisa não influenciou muito as respostas e o único fator que se associou com respostas corretas foi o maior nível educacional. Pessoas mais jovens, homens, residentes fora de capitais e com menor nível de renda estão associados ao menor reconhecimento de sepse. A região geográfica e o tipo de cidades, seja pequena, média ou grande também não contribuiu para discriminação do modelo de comparação em relação àqueles que responderam adequadamente ou não.  

Conscientização sobre sepse pode melhorar o reconhecimento precoce e os desfechos clínicos 

A sepse no Brasil ainda tem um baixo conhecimento por parte do público leigo; 

O termo correto é reconhecido apenas por um terço das pessoas que já ouviram falar da palavra sepse e ainda não há um reconhecimento pobre sobre ser uma emergência médica e sobre as sequelas a longo prazo da síndrome; 

Campanhas de conscientização do público leigo podem potencialmente melhorar o reconhecimento da síndrome e aumentar a performance do tratamento no curto prazo. 

Autoria

Foto de André Japiassú

André Japiassú

Editor médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com residência médica na área de Clínica Médica e Terapia Intensiva na mesma UFRJ (2000). Especialista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) desde 2000. Mestrado em Clínica Médica pela UFRJ (2003) e Doutorado em Ciências pela Fundação Oswaldo Cruz (2009).

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