Os resultados do Vigitel 2025, divulgados pelo Ministério da Saúde, revelam um panorama preocupante sobre os hábitos de sono da população brasileira. Pela primeira vez, o inquérito telefônico incluiu dados específicos sobre descanso noturno e identificou que 20,2% dos adultos que vivem nas capitais dormem menos de seis horas por noite. A privação de sono é mais frequente entre mulheres, idosos e pessoas com menor escolaridade.
Saiba mais: Insônia e seus múltiplos tipos e origens
Entre as mulheres, 21,3% relataram dormir menos de seis horas, contra 18,9% entre os homens. A maior prevalência foi observada em pessoas com 65 anos ou mais (23,1%) e em mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, grupo no qual o índice chega a 29%. Em São Paulo, cerca de um em cada cinco adultos apresenta sono de curta duração, proporção semelhante à observada em capitais como Aracaju, Fortaleza, João Pessoa e Manaus. Maceió lidera o ranking, enquanto Campo Grande apresenta a menor taxa.
Falta de sono afeta quase um terço da população adulta
O levantamento também mostra que 31,7% dos moradores das capitais apresentam ao menos um sintoma de insônia. O problema é mais comum entre mulheres, atingindo 36,2%, contra 26,2% entre os homens. Em algumas capitais, como Maceió, quase metade das mulheres relatou sintomas relacionados à dificuldade para dormir, enquanto cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte também registraram percentuais elevados.

Avanço da obesidade, diabetes e hipertensão
Além do sono, o Vigitel confirma a progressão de doenças crônicas no país. A prevalência de excesso de peso saltou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024. No mesmo período, os casos de obesidade mais do que dobraram, chegando a 25,7% da população adulta, com maior impacto entre as mulheres.
Leia mais: Algoritmo para avaliação de adultos com doença crônica relacionada à obesidade
A prevalência de diabetes cresceu 153% desde 2006 e atualmente atinge 12,9% dos adultos, chegando a mais de 30% entre idosos com 65 anos ou mais. Já a hipertensão arterial passou de 22,6% para 29,7% no período analisado, sendo mais comum entre mulheres, idosos e pessoas com baixa escolaridade.
Alimentação, atividade física e resposta do governo
Os dados mostram estagnação no consumo regular de frutas e hortaliças e baixa adesão às recomendações nutricionais, especialmente entre pessoas com menor nível educacional. Por outro lado, houve redução no consumo frequente de refrigerantes e aumento da prática de atividade física no lazer, embora a atividade física no deslocamento tenha diminuído.
O relatório foi apresentado durante o lançamento do programa Viva Mais Brasil, nova estratégia do Ministério da Saúde voltada à prevenção de doenças crônicas e à promoção da qualidade de vida. A iniciativa prevê investimento de R$ 340 milhões em ações de incentivo à atividade física, alimentação saudável, ampliação da vacinação e redução de fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.