Nesta quarta-feira (19/08), as farmacêuticas Moderna e Merck anunciaram os resultados obtidos no estudo de fase 3 que investigava a eficácia de uma nova vacina personalizada contra câncer de pele melanoma. Criada a partir de tecnologia de mRNA, a vacina foi testada como tratamento adjuvante ao pembrolizumabe (Keytruda®) em pacientes com melanoma em estágios IIB a IV submetidos à ressecção completa.
Segundo as fabricantes, a combinação da vacina com a imunoterapia com pembrolizumabe reduziu o risco de recidiva ou morte quando comparada ao uso da imunoterapia sozinha; sendo essa a primeira vez que essa combinação demonstrou uma melhora clinicamente significativa no tratamento da doença. Os resultados parciais do estudo divulgados em janeiro deste ano apontavam uma redução de 49% no acompanhamento de cinco anos.

Vacina de mRNA contra o câncer de pele melanoma
Batizada de Intismeran Autogene, a vacina foi desenvolvida não com o objetivo de criar uma imunização geral contra a doença, mas utilizar a assinatura genética única do tumor de um paciente e empregar o mRNA na criação de um medicamento desenvolvido especificamente para o câncer daquele indivíduo.
Para a Moderna, os resultados obtidos ao utilizar as informações codificadas no câncer de um paciente específico para desenvolver uma terapia personalizada que ajude a treinar seu sistema imunológico para combatê-lo, demonstram o potencial de uma classe de medicamentos totalmente nova e de uma maneira inteiramente nova de pensar o tratamento do câncer.
Continuidade dos estudos e outros tipos de câncer
As fabricantes informaram que já estão realizando estudos da aplicação da intismeran tanto em monoterapia quanto em combinação com o pembrolizumabe e outras terapias oncológicas, em outros tipos de tumor e estágios da doença — incluindo câncer de pulmão, bexiga, rim e melanoma.
O acompanhamento dos pacientes envolvidos no estudo INTerpath-001 também continuará e serão avaliados os desfechos secundários importantes. Os resultados completos devem ser apresentados à comunidade científica e autoridades regulatórias no futuro. Ainda que o tratamento esteja sendo analisado em vias regulatórias aceleradas (tanto na FDA quanto na EMA), o registro e aprovação para uso pela população geral ainda devem demorar um pouco.
Saiba mais: Câncer de pele melanoma, como manejar?
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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