O Sistema Único de Saúde vai passar a oferecer um teste genético capaz de identificar mutações hereditárias associadas ao câncer de mama e de ovário. A incorporação da tecnologia foi oficializada pelo Ministério da Saúde em portaria publicada no Diário Oficial da União, no dia 13 de maio de 2026. O exame utiliza a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS, na sigla em inglês) para detectar alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, conhecidos por aumentar significativamente o risco de desenvolvimento de tumores.
Segundo a portaria, a rede pública terá prazo de até 180 dias para implementar a oferta do teste.
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Medicina de precisão no SUS
A incorporação representa um avanço na chamada medicina de precisão, estratégia que utiliza informações genéticas do paciente e do tumor para orientar diagnósticos e tratamentos mais individualizados. Até então, exames desse tipo estavam concentrados principalmente na rede privada, onde os custos podem chegar a milhares de reais.
Na prática, o teste permite identificar se o câncer tem origem hereditária, informação que pode influenciar diretamente a escolha do tratamento e o acompanhamento clínico da paciente.
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Impacto no tratamento do câncer
Mulheres com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem ter acesso a terapias-alvo específicas, como os inibidores de PARP, medicamentos desenvolvidos para tumores com esse perfil genético. Além disso, o resultado do exame pode orientar decisões sobre cirurgias preventivas e protocolos de rastreamento mais intensivos. Especialistas destacam que o diagnóstico precoce dessas alterações aumenta as possibilidades de tratamento personalizado e melhora o acompanhamento dos casos de maior risco.
Benefício também alcança familiares
A identificação das mutações não beneficia apenas a paciente diagnosticada. Como as alterações podem ser hereditárias, familiares também podem descobrir precocemente se carregam o mesmo risco genético. Com isso, é possível adotar estratégias preventivas antes do aparecimento do câncer, incluindo acompanhamento médico mais frequente e exames específicos.
Apesar do avanço, especialistas alertam que a estrutura de oncogenética no SUS ainda é limitada e concentrada em poucos centros especializados no país.
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*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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