A Fiocruz publicou no último dia 29 de abril, o Boletim Infogripe referente a semana epidemiológica 16 (19/04 a 25/04 com dados inseridos no SIVEP-Gripe até o dia 25/04/2026). A análise indicou que, embora no cenário nacional os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentem sinal de estabilidade nas tendências de curto e longo prazo, com exceção do Rio de Janeiro, São Paulo, e Rio Grande do Sul, as outras unidades federativas (UF) estão com incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas). Além disso, 16 apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas): Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Tocantins.
Segundo os pesquisadores da Fiocruz, os dados demonstram o impacto da sazonalidade do vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A no país. Já casos associados à covid-19 seguem em baixa em todo o país.
Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
Casos relacionados a infecção pelo VSR continuam aumentando em estados de todas as regiões do país, contudo com sinais de queda no AM, MT, RO e RR, e sinal de estabilidade ou estabilização em GO, MA e TO. SRAG por VSR afeta especialmente crianças de até dois anos.
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Influenza A
Casos de SRAG associados à Influenza A aumentaram no Centro-Sul (DF, ES, MG, MS, PR, SC, RS e SP) e em alguns estados do Norte (AC, RO e RR) e Nordeste (AL, PB). Contudo, apresentam tendência de queda em boa parte das regiões Norte (AM, AP, PA, TO), Nordeste (BA, CE, MA, PR, PI, RN), além do Mato Grosso, enquanto os estados de Goiás e Sergipe apresentam sinal de interrupção do crescimento.

Influenza Sazonal e Gripe K
Devido ao início da temporada de circulação de vírus respiratórios no hemisfério Sul, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta para os países reforçarem suas a vigilâncias epidemiológicas e virológicas, incluindo a identificação genômica dos vírus em circulação. De acordo com a OPAS, a temporada de gripe no hemisfério norte, que está no seu final, foi caracterizada pela predominância do vírus da Influenza A(H3N2) do subclado K. A organização destacou a importância da vacinação para prevenção de eventos graves.
No alerta, a OPAS explica que, mesmo o subclado K sendo distante da cepa vacinal incluída nas formulações recomendadas pela OMS para esta temporada, as estimativas e análises de eficácia vacinal (EV) publicadas até o momento “indicam que a vacina mantém proteção clinicamente significativa.”
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SRAG pelas capitais
Das 27 capitais, 12 apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas): Belém (PA), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Manaus (NA), Natal (RN), Palmas (TO), Recife (PE), Rio Branco (AC), Teresina (PI), e Vitória (ES).
Últimas semanas epidemiológicas
Nas últimas quatro semanas, a prevalência entre os casos positivos para infecção viral foi de: 36,2% de vírus sincicial respiratório, 31,6% de Influenza A, 26% de Rinovírus, 5,5% de SARS-CoV-2 e 2,9% de Influenza B. Já em relação aos óbitos, a influenza A continua com o maior impacto, 46,9%, seguida pelos óbitos ligados a infecção por rinovírus, 20,5%, e Sars-CoV-2 (covid-19), 16,9%, o VSR esteve conectado a 8,3% dos óbitos e a Influenza B a 4,3%.
O boletim ressalta que os dados para semanas recentes estão sujeitos a alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
SRAG em 2026
Considerando os dados para todo ano de 2026, foram notificados 46.344 casos de SRAG, desses, 20.523 tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório e 4.816 ainda aguardam resultado. Dentre os casos positivos do ano:
- 38,3% de Rinovírus;
- 26,4% de Influenza A;
- 21,5% de vírus sincicial respiratório (VSR);
- 8,5% de SARS-CoV-2 (covid-19);
- 1,9% de Influenza B.
Foram notificados 1.960 óbitos devido a SRAG em 2026, 852 (39,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório:
- 39,1% de Influenza A;
- 27,9% de SARS-CoV-2 (covid-19);
- 22,2% de Rinovírus;
- 5,8% de vírus sincicial respiratório (VSR);
- 3,2% de Influenza B.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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