A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou uma parceria com instituições públicas brasileiras para implementar um projeto piloto que inclui o uso do medicamento semaglutida no tratamento da obesidade em serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa faz parte de um protocolo de cuidado mais amplo, que pretende avaliar o impacto clínico e assistencial dessa abordagem na rede pública.
O programa será implementado inicialmente em dois centros já definidos: o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, instituição federal, e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), no Rio de Janeiro. Um terceiro centro municipal ainda será selecionado para integrar o projeto.
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A iniciativa brasileira integra um programa global de Acesso Equitativo lançado pela Novo Nordisk em parceria com o governo da Dinamarca, que também prevê projetos semelhantes na Europa e em algumas ilhas do Pacífico.

Protocolo inclui tratamento medicamentoso e abordagem multidisciplinar
O projeto não se limitará ao fornecimento do medicamento. A proposta prevê a implementação de um protocolo de cuidado integrado para obesidade, com acompanhamento clínico e orientações nas áreas de nutrição, saúde mental e atividade física.
As instituições participantes receberão capacitação profissional e definirão critérios para seleção dos pacientes que participarão da iniciativa. A prioridade deve ser dada a pessoas com maior risco cardiovascular, como pacientes com histórico de infarto, acidente vascular cerebral ou doença coronariana estabelecida.
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A expectativa é que o projeto tenha duração inicial de pelo menos dois anos, período no qual serão coletados dados clínicos e assistenciais capazes de avaliar os efeitos do tratamento no contexto do SUS.
Projeto busca gerar evidências para políticas públicas
Atualmente, nenhum medicamento para obesidade está incorporado ao SUS. A inclusão de terapias baseadas em análogos de GLP-1, como a semaglutida, já foi analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), mas não foi recomendada devido ao alto custo.
Segundo a empresa, o objetivo do projeto é justamente gerar dados de “mundo real” que permitam avaliar não apenas os resultados clínicos do tratamento, mas também seus impactos no sistema de saúde, como redução de complicações cardiovasculares, hospitalizações e demanda por procedimentos mais complexos.
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O tema ganha relevância diante do crescimento da obesidade no país. Dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que a prevalência da doença aumentou 118% entre 2006 e 2024, atingindo cerca de 25,7% dos adultos brasileiros. Quando considerado o sobrepeso, a proporção chega a 62,6% da população.
A expectativa é que os resultados obtidos nos centros participantes contribuam para futuras discussões sobre estratégias de tratamento da obesidade no sistema público de saúde.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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