Estudo publicado no International Journal for Equity in Health analisou dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Brasil referentes a 2.537.511 nascidos vivos em 2023 e observou que, apesar da cobertura nacional para uma consulta pré-natal ter sido de 99,4%, esse índice cai para 78,1% para sete consultas e vai para 67,4% em oito ou mais consultas. Essa queda é muito mais exacerbada para populações vulneráveis, como mulheres indígenas e aquelas com menor nível educacional.
Equidade Inversa
De acordo com o estudo, os resultados encontrados corroboram a Hipótese da Equidade Inversa, segundo a qual quando uma nova intervenção é introduzida, neste caso a recomendação recente de diretrizes internacionais para oito ou mais consultas ao médico para o pré-natal, “grupos socialmente mais favorecidos acessam seus benefícios primeiro, enquanto populações mais vulneráveis demoram mais a alcançá-la. Isso pode ampliar desigualdades no curto prazo, mesmo quando a intervenção representa um avanço.”
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Exacerbadores de desigualdade no acompanhamento pré-natal
Segundo a análise, o primeiro fator correlacionado com a possibilidade de alguém conseguir completar o ciclo de consultas do pré-natal é a escolaridade. Na comparação dos índices da primeira consulta, entre mulheres sem escolaridade e aquelas com 12 anos ou mais de escolaridade, a diferença é de apenas 1,6 ponto percentual, contudo essa diferença salta para 24,9 pontos para oitava consulta.
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População indígena
As mulheres indígenas foram o grupo que apresentou os menores níveis de cobertura em todas as etapas do pré-natal. Com a desigualdade se tornando cada vez mais visível a medida que o número de consultas progride entre os grupos, sendo a raça/cor uma das principais barreiras na continuidade do cuidado:
- Indígenas: a perda entre a primeira e a sétima consulta é a maior do país entre os grupos étnicos: 46,2 p.p.
- Pretas e pardas: também apresentam abandono elevado (23,4 p.p. e 24,0 p.p., respectivamente).
- Brancas: Apresentam a menor queda, de 15,3 p.p.
Disparidades regionais
Quando a análise se debruçou sobre as diferenças entre as cinco regiões, o Sul apresentou o melhor resultado, com uma diferença entre primeira e sétima consulta de 14,6 pontos percentuais. Enquanto o Norte ficou bem abaixo com 35,5 p.p.
De acordo com os pesquisadores, “esses dados mostram que falhas estruturais de acesso nas regiões Norte e Nordeste seguem determinando quem consegue completar o pré-natal.”
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*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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