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Saúde7 agosto 2026

Obesidade em conjunto com deficiência de vitamina D possui maior mortalidade?

Estudo analisou dados populacionais para entender se a obesidade abdominal em conjunto com déficit de vitamina D aumento o risco de morte

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos publicaram na revista Diabetes, Obesity and Metabolism uma investigação sobre a associação entre obesidade abdominal (OA) e deficiência de vitamina D e se essa combinação gera um maior risco de mortalidade.

Embora estudos analisados durante a investigação demonstrem a associação inversa entre o aumento da gordura abdominal e a diminuição dos níveis séricos de 25(OH)D e tanto a OA quanto a deficiência de vitamina D podem ter consequências sistêmicas e aumentar o risco de morte, e, ainda, durante a pesquisa, os autores tenham encontrado estudos com populações significativas indicando uma associação entre obesidade, deficiência de vitamina D e maior risco de morte, as evidências que sustentam essa conexão permanecem limitadas em idosos. Dessa forma, os autores deste estudo decidiram focar sua investigação sobre indivíduos com 50 anos ou mais.

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Obesidade em conjunto com deficiência de vitamina D possui maior mortalidade?

Metodologia

Foram selecionados 5.520 participantes, com idade ≥ 50 anos, do estudo ELSA (English Longitudinal Study of Ageing) estudo longitudinal inglês realizado através entrevistas domiciliares a cada dois anos utilizando questionários, e coleta de biomarcadores, realização de exames físicos e testes de desempenho funcional a cada quatro anos. O acompanhamento foi de seis anos.

Obesidade abdominal (OA) foi definida pela circunferência da cintura (> 102 cm para homens e > 88 cm para mulheres) e os níveis de vitamina D, medidos por meio das concentrações séricas de 25-hidroxivitamina D [25(OH)D], sendo categorizados como suficientes (≥ 50 nmol/L), insuficientes (30–50 nmol/L) e deficitários (< 30 nmol/L). Seis grupos foram formados para análise: NOA/VDS (24,9%), NOA/VDI (14,8%), NOA/VDD (9,9%), OA/VDS (18,9%), OA/VDI (17%) e OA/VDD (14,5%).

*NOA (sem obesidade abdominal), OA (com obesidade abdominal), VDS (vitamina D suficiente), VDI (vitamina D insuficiente) e VDD (vitamina D deficitária).

Foram utilizados modelos de regressão de Cox ajustados para características sociodemográficas, comportamentais e clínicas para estimar o risco de mortalidade.

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Achados e conclusão

Os dados levantados pelo estudo mostraram que as pessoas do grupo com obesidade abdominal e que possuíam um nível deficitário de vitamina D (OA/VDD) apresentou um risco de mortalidade 123% maior (RR = 2,23; IC 95%: 1,50–3,33) que o grupo sem obesidade abdominal e com níveis de vitamina D suficientes (NOA/VDS).

Os indivíduos dos grupos NOA/VDI e NOA/VDD possuíam um risco de morte 91% (RR = 1,91; IC 95%: 1,37–2,66) e 81% maior (HR = 1,81; IC 95%: 1,25–2,62), respectivamente. Já os grupos OA/VDS e OA/VDI apresentaram um risco de mortalidade 47% (RR = 1,47; IC 95%: 1,02–2,14) e 50% maior (RR = 1,50; IC 95%: 1,01–2,23), respectivamente, em comparação com o grupo NOA/VDS.

Um dos possíveis mecanismos influenciando os resultados encontrados, de que a obesidade abdominal combinada com a deficiência de vitamina D aumenta o risco de mortalidade em idosos, segundo os autores, é o desenvolvimento de um ambiente inflamatório exacerbado e de disfunção metabólica decorrentes da coexistência de obesidade abdominal e deficiência de 25(OH)D.

Para os pesquisadores, os achados do estudo destacam os benefícios potenciais do rastreamento de rotina e do manejo clínico adequado para ambas as condições.

Autoria

Foto de Augusto Coutinho

Augusto Coutinho

Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.

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