Recentemente tivemos a publicação de um artigo no Archives of Endocrinology que faz uma abrangente revisão sobre o papel dos micronutrientes e vitaminas sobre a saúde óssea, como cálcio, magnésio, fósforo, vitamina D e vitamina K. Neste texto, faremos um resumo das principais conclusões referentes à suplementação de cálcio e vitamina D.
Os autores destacam a relevância do cálcio e da vitamina D para a manutenção da massa óssea e a redução do risco de fraturas ao longo da vida. Ambos os micronutrientes atuam de maneira integrada na homeostase mineral, sendo especialmente importantes em populações com deficiência nutricional, idosos e indivíduos com risco aumentado de osteoporose.
A ingestão inadequada de cálcio leva à mobilização óssea para manutenção da calcemia, contribuindo para perda óssea e maior risco de fraturas. As recomendações de ingestão diária situam-se entre 800 e 1200 mg em adultos, dependendo da idade e do sexo. Apesar disso, dados brasileiros mostram ingestão média significativamente inferior ao recomendado, com elevada prevalência de inadequação, especialmente em mulheres adultas e idosos.
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A suplementação de cálcio demonstra benefício modesto na redução da perda de densidade mineral óssea e do risco de fraturas, sobretudo quando associada à vitamina D e em indivíduos idosos, institucionalizados ou com baixa ingestão dietética. Contudo, em populações gerais ou pré-menopáusicas saudáveis, os efeitos são limitados, não sendo indicada como estratégia populacional ampla.
Quando indicada, a suplementação de cálcio deve ser feita preferencialmente através a dieta, por ser mais fisiológico e com menos risco de efeitos adversos. Qual a ingestão dietética não for suficiente, deve-se complementar com sais de cálcio, mas sabendo-se que há uma maior chance de efeitos gastrointestinais indesejáveis e um potencial para aumento de risco de nefrolitíase, especialmente com o carbonato de cálcio. O efeito sobre o risco cardiovascular ainda é motivo de debate, sendo necessário mais evidências para uma conclusão mais assertiva.
A vitamina D exerce papel fundamental na manutenção da calcemia, principalmente por aumentar a absorção intestinal de cálcio e modular a secreção de PTH. Em estados de deficiência, ocorre hiperparatireoidismo secundário, aumento da reabsorção óssea e prejuízo da mineralização, culminando em osteomalácia. Seus efeitos ósseos são predominantemente indiretos, mediados por ações no intestino, rim e paratireoides.
As recomendações atuais visam prevenir hipovitaminose D, definida por níveis séricos de 25(OH)D <20 ng/mL, com ingestão diária de 600 a 800 UI para adultos, podendo ser maior em idosos e grupos de risco. No Brasil, a ingestão dietética é muito baixa, e a síntese cutânea por exposição solar constitui a principal fonte, o que não aprece ser suficiente, já que temos uma alta prevalência de hipovitaminose D no país. Desta forma, muitas vezes é preciso realizar a suplementação com doses que costumam variar de 800 a 2000 UI/dia (com dose máxima diária de manutenção de 4000 UI).
Em indivíduos acima de 65 anos ou com condições associadas a maior risco ósseo, níveis séricos entre 30 e 60 ng/mL são considerados desejáveis. Já em indivíduos mais jovens e sem comorbidades, níveis entre 20 e 60 ng/mL são aceitáveis.
Autoria

Erik Trovão
Formado em Medicina pela UFCG •Residência em Clínica Médica pelo HBLSUS/PE •Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE •Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM •Mestre em neurociências pela UFPE •Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE
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