O combate global à meningite perdeu ritmo nos últimos anos e pode comprometer as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde para 2030. Segundo levantamento publicado na revista The Lancet Neurology, mais de 250 mil pessoas morreram pela doença em 2023, enquanto cerca de 2,5 milhões foram infectadas.
Apesar de uma queda expressiva de 63,5% na mortalidade desde 1990, o avanço recente desacelerou. Entre 2015 e 2023, a redução anual das mortes foi de 4,1%, quase metade do necessário para atingir os objetivos globais.
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Metas globais sob risco
A estratégia da OMS, lançada em 2021, prevê eliminar epidemias de meningite bacteriana, reduzir casos preveníveis por vacina em 50% e mortes em 70%, além de diminuir sequelas associadas à doença.
No entanto, para alcançar esses resultados até 2030, seria necessário acelerar o ritmo de queda para cerca de 8% ao ano nas mortes e 4,6% na incidência. Os dados atuais mostram que esse cenário ainda está distante.
Especialistas apontam que o progresso inicial foi impulsionado por campanhas de vacinação bem-sucedidas, que praticamente eliminaram alguns sorotipos em regiões historicamente afetadas.
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Novos desafios: variantes e desigualdades
Entre os principais obstáculos estão o surgimento de cepas não cobertas pelas vacinas e o aumento da resistência a antibióticos. Essas mudanças têm dificultado o controle da doença e contribuído para oscilações nos casos.
As crianças menores de cinco anos seguem como o grupo mais vulnerável, concentrando mais de um terço das mortes. Fatores como prematuridade, baixo peso ao nascer e exposição à poluição do ar aumentam o risco de desfechos graves.
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Regiões mais afetadas concentram maior risco
O impacto da meningite é mais intenso em países de baixa renda, especialmente na África Subsaariana, no chamado “cinturão da meningite”. Nessa região, surtos são frequentes, sobretudo durante períodos secos, e países como Nigéria, Chade e Níger apresentam altas taxas de mortalidade.
Prevenção e caminho à frente
A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o sistema nervoso central e pode causar sequelas graves, como surdez e danos neurológicos. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias.
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A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção, com imunizantes disponíveis contra diferentes agentes causadores da doença. Especialistas defendem que ampliar a cobertura vacinal, fortalecer o diagnóstico precoce e melhorar o acesso ao tratamento são medidas essenciais para retomar o avanço no controle da meningite e evitar mortes evitáveis.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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