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Saúde13 julho 2026

Inteligência artificial: pacientes estão aliando ferramenta com psicoterapia

A American Psychological Association (APA) apresentou dados sobre a percepção de psicólogos em relação ao uso de Inteligência Artificial
Por Redação Afya

Pesquisa realizada pela American Psychological Association com mais de 1,200 psicólogos dos Estados Unidos mostrou que 77% deles atendem pacientes que utilizaram alguma ferramenta de inteligência artificial (IA) de forma concomitante ao tratamento, com objetivos variados.

Dois em cada cinco psicólogos afirmaram que seus pacientes se autodiagnosticaram com IA, um terço relatou pacientes utilizando essas ferramentas como assistentes de terapia e uma quantidade similar de profissionais indicou que seus pacientes utilizam IA para questões envolvem autodisciplina ou reforços comportamentais.

Leia também: IA na triagem de pacientes: eficiência do sistema ou risco de desumanização?

Inteligência artifical: pacientes estão aliando ferramenta com psicoterapia

Inteligência artificial como terapeuta e terapia

Ainda que, segundo a pesquisa, 35% dos psicólogos digam que seus pacientes usam IA como um profissional de saúde mental adicional, não foram identificadas quais os tipos de ferramenta de IA estão sendo utilizadas, se chatbots (robôs de conversa) treinados e voltados para auxílio psicológico ou se os modelos mais gerais disponíveis no mercado.

O uso dessas ferramentas também vai além da questão terapêutica, 33% dos psicólogos colocam seus pacientes as utilizando por diversão, 22% com algum objetivo de criar laços de amizade e 13% relatam indicativos de criação de relacionamentos íntimos com os pacientes e os chatbots.

Profissionais cujos pacientes chegaram a desenvolver um “relacionamento” com a inteligência artificial (seja apenas como “alguém” para conversar ou um “profissional” adicional) relataram ter observado efeitos positivos, sendo essa a percepção de 49% dos participantes da pesquisa, enquanto 25% consideraram as conversas como tendo efeito deletério, 36% notaram o desenvolvimento de algum nível de dependência do paciente com a ferramenta, com 15% relatando casos de pacientes que desenvolveram pensamentos distorcidos ou delirantes associados às ferramentas.

Falta de confiança e segurança

Praticamente todos os psicólogos que participaram da pesquisa (97%) acreditam que o uso de chatbots pode reforçar comportamentos negativos nos pacientes e que o estado atual da tecnologia (94%) não é capaz de tratar condições que afetam a saúde mental de forma apropriada, possuindo brechas técnicas, legais e éticas.

Também há uma preocupação sobre a natureza complacente das IAs, que pode prender os pacientes em armadilhas cognitivas, reforçando pensamentos desadaptativos, distorções e comportamentos de esquiva. Por exemplo, pacientes que buscam aconselhamento com IA antes de uma consulta podem estar menos abertos a informações que contradigam suas ideias preconcebidas.

Além disso, há uma grande desconfiança sobre as empresas por trás dessa tecnologia, 9 em cada 10 psicólogos não confiam nelas para o manejo dos dados sensíveis desses pacientes e 89% dos profissionais também julgam que o uso de IA em questões de saúde mental pode levar a casos de autolesão.

Devido a essas questões, 94% dos profissionais afirmam possuir alguma ressalva sobre a forma como os pacientes interagem com ferramentas de IA, reforçando o risco de utilizar essas ferramentas como única fonte de cuidado mental.

Saiba mais: Entenda como a IA pode apoiar a prática clínica com segurança

Diferentes percepções

Mesmo com o alto índice de ressalvas e preocupações apresentados na pesquisa, 54% dos profissionais consultados afirmaram que se sentem confortáveis com os pacientes utilizando essas ferramentas, ainda mais se forem usadas em conjunto com o acompanhamento de um profissional real.

De acordo com a APA isso pode ser um resultado do aumento na disponibilidade de ferramentas mais direcionadas para uso em questões de saúde mental e o uso de IA em pesquisas da área.

O uso de IA pelos próprios psicólogos também afeta a avaliação que fazem da tecnologia, aqueles que utilizam esse tipo de ferramenta mais frequentemente, seja para tarefas administrativas ou de forma auxiliar durante a prática, possuem uma visão mais otimista sobre inteligência artificial, com o índice chegando a 79% contra 47% no média geral.

Psicólogos mais veteranos também se mostram mais inclinados a acreditar no uso seguro e eficazes de IA na prática clínica, profissionais com até 10 anos de formados são mais céticos quanto ao uso dessas ferramentas.

No geral, há uma preocupação maior sobre chatbots se fazendo passar por profissionais licenciados (85%) do que os profissionais sendo substituídos completamente pela inteligência artificial (24%).

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Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Equipe de Jornalistas da Afya.

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