A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar parte concreta da rotina de médicos e pacientes. É o que mostra o estudo “Panorama do Uso de IA em Saúde: Perspectivas do Médico e do Paciente”, realizado pelo Research & Innovation Center da Afya em parceria com o Conexa Research Center. A pesquisa ouviu 551 médicos e 511 pacientes, com o objetivo de compreender como esses públicos utilizam, percebem e avaliam ferramentas de IA no contexto da saúde.
Os resultados apontam para um cenário de adoção acelerada, mas ainda marcado por cautela. Entre os médicos, 78% já utilizam IA na prática médica, principalmente para pesquisa de medicamentos, apoio à decisão clínica e atualização científica. Entre os pacientes, 49% já utilizaram IA em saúde, sobretudo para tirar dúvidas sobre sintomas, interpretar exames e buscar informações sobre medicamentos.
Ao mesmo tempo, a pesquisa deixa claro que o avanço da IA não elimina a centralidade da relação médico-paciente. A confiança cresce quando a tecnologia atua como apoio informacional ou operacional, mas diminui quando se aproxima de decisões clínicas autônomas, compartilhamento de dados sensíveis ou consultas 100% conduzidas por IA.

Panorama do Uso de IA em Saúde
O estudo foi desenvolvido para mapear o uso da Inteligência Artificial em saúde a partir de dois olhares complementares: o do médico e o do paciente. Essa dupla perspectiva permite entender não apenas como a tecnologia vem sendo incorporada à prática clínica, mas também como ela é recebida por quem busca cuidado.
A conclusão geral é que a IA já faz parte do presente da saúde. No entanto, sua adoção caminha para um modelo híbrido, no qual a tecnologia atua como ferramenta de apoio, enquanto o julgamento clínico, a responsabilidade profissional e o vínculo terapêutico permanecem humanos.

Informações sobre o estudo
A pesquisa teve abordagem quantitativa, com questionários on-line estruturados aplicados separadamente a médicos e pacientes. O levantamento com médicos ocorreu entre 06/11/2025 e 05/01/2026, reunindo 551 respostas. Já a coleta com pacientes foi realizada entre 04/11/2025 e 09/01/2026, com 511 respostas.
A amostra apresenta nível de confiança de 95% e margem de erro de 4 pontos percentuais para ambos os públicos, o que oferece uma leitura consistente sobre o comportamento de adoção da IA em saúde.
Contexto
O avanço da digitalização na saúde criou um ambiente favorável para a adoção de soluções baseadas em Inteligência Artificial. Médicos passaram a usar ferramentas digitais para agilizar pesquisas, organizar a rotina e apoiar decisões. Pacientes, por sua vez, passaram a recorrer à IA para compreender sintomas, exames, medicamentos e orientações gerais de saúde.
Público-alvo
O estudo ouviu dois grupos: médicos de qualquer especialidade e tempo de formação, e pacientes clientes da plataforma de telemedicina, independentemente do uso ativo da ferramenta.
Entre os médicos, a amostra incluiu profissionais em diferentes fases da carreira, de generalistas a especialistas maduros ou seniores. Entre os pacientes, predominou um público jovem-adulto, com alto nível educacional e acesso frequente a ferramentas digitais.
Objetivos
O objetivo principal entre os médicos foi compreender como eles utilizam, percebem e avaliam ferramentas de IA na prática médica, considerando familiaridade, contextos de uso, grau de confiança, preocupações e expectativas futuras.
Entre os pacientes, a pesquisa buscou entender como a IA é usada no contexto da saúde, qual o nível de confiança nas respostas geradas, quais são as preocupações com privacidade e segurança, e como eles percebem o uso da IA pelos médicos durante o cuidado.
Metodologia
Os participantes foram recrutados por meios digitais. Para médicos, a divulgação ocorreu por e-mail, push, in-app e portal da Afya. Para pacientes, a pesquisa foi disponibilizada no aplicativo da Conexa e enviada por WhatsApp a grupos específicos.
O estudo adotou amostragem aleatória simples e dois questionários estruturados, um para cada público. Essa escolha metodológica permitiu comparar percepções de médicos e pacientes mantendo a especificidade de cada grupo.
Médicos
Entre os médicos, a IA já aparece como ferramenta incorporada à prática profissional. O uso se concentra em tarefas de suporte, busca de informação e eficiência, mas ainda há prudência quando a tecnologia se aproxima do núcleo decisório da medicina.
Perfil do médico
A pesquisa ouviu 551 médicos. Desse total, 46% eram generalistas e média de tempo de formação de 16 anos; 54% tinham pelo menos uma especialização concluída.
A amostra também contemplou diversidade etária, regional e de gênero. A idade média dos médicos respondentes foi de 44 anos, com participação de profissionais de todas as regiões do Brasil.
Digitalização do médico
Antes mesmo da IA, o médico já demonstrava forte inserção digital. Segundo o estudo, 69% dos médicos tinham nível médio ou alto de digitalização. Em média, os respondentes utilizavam seis tipos diferentes de aplicativos ou plataformas digitais no dia a dia.
Esse dado ajuda a explicar a adoção da IA: quanto maior o nível de digitalização, maior a frequência e a diversidade de uso das ferramentas inteligentes.
Uso de IA
A IA generativa já é amplamente conhecida entre médicos. 84% dos respondentes relataram já ter utilizado soluções de IA generativa, e 71% usam ferramentas de IA com frequência ou diariamente.
Na prática médica, 78% afirmaram utilizar IA.
A pesquisa também mostra que médicos mais jovens e mais digitalizados tendem a usar a IA de forma mais ampla, incluindo planejamento de consultas, produtividade, comunicação com pacientes e produção de conteúdo profissional.
Confiança na IA
A confiança dos médicos varia conforme o tipo de tarefa. A IA é mais bem avaliada em atividades operacionais, como planejamento de rotina, comunicação com pacientes e preparação pré-atendimento. Já em decisões clínicas, o grau de confiança é menor.
Esse comportamento revela uma postura criteriosa: a IA é vista como apoio, não como substituta do julgamento médico. O principal receio é a possibilidade de erros clínicos ou diagnósticos incorretos, preocupação citada por 67% dos médicos.
Outro achado importante: 64% relataram já ter se deparado com uma informação incorreta, inadequada ou potencialmente arriscada gerada por IA, mas perceberam o problema e corrigiram antes de aplicar a orientação. Isso reforça a importância da supervisão médica e do uso crítico dessas ferramentas.
O futuro da medicina com IA
Para os médicos, o futuro da IA na medicina tende a ser colaborativo. A maioria acredita que a tecnologia atuará em parceria com o profissional, especialmente em áreas como diagnóstico, prescrição, solicitação de exames, prontuário, follow-up e triagem.
Pacientes
Entre os pacientes, a IA também já chegou à rotina de saúde. O uso é frequente para esclarecer dúvidas, interpretar informações médicas e organizar o cuidado. Porém, a confiança ainda depende fortemente da presença humana e da segurança no uso de dados.
Quem é o paciente e como ele se digitaliza
A amostra de pacientes incluiu 511 respondentes, com predominância feminina, jovem-adulta, com renda equilibrada e elevado nível educacional. Segundo a pesquisa, 70% tinham escolaridade igual ou superior ao Ensino Superior completo, e 61% possuíam renda familiar entre 2 e 10 salários mínimos.
Além disso, 67% dos pacientes tinham nível médio ou alto de digitalização, e utilizavam em média seis tipos diferentes de tecnologias no cotidiano.
Uso da Inteligência Artificial
A IA já está consolidada no cotidiano dos pacientes. 79% declararam já ter utilizado IA, e 64% fazem uso frequente ou diário. O desconhecimento total é baixo: apenas 5% afirmaram nunca ter ouvido falar sobre IA.
Quando o recorte é saúde, 49% dos pacientes já utilizaram IA nesse contexto. Os principais usos são tirar dúvidas sobre sintomas, doenças ou diagnóstico, interpretar exames e laudos, buscar informações sobre medicamentos, receber orientações sobre alimentação, exercícios e saúde mental.
Confiança, privacidade e barreiras
A confiança dos pacientes é maior em tarefas informacionais. 88% confiam na IA para assistência na leitura ou tradução de termos médicos, e 82% confiam para informações sobre medicamentos. Já em contextos mais sensíveis, como suporte emocional e monitoramento de doenças crônicas, a confiança cai.
A privacidade aparece como ponto crítico. Entre usuários de IA em saúde, 45% afirmaram nunca compartilhar informações pessoais com a ferramenta, enquanto 37% disseram compartilhar sempre que necessário. Esse contraste mostra que parte dos pacientes já enxerga valor na personalização das respostas, mas outra parte ainda vê riscos importantes no fornecimento de dados sensíveis.
Entre os pacientes que ainda não usam IA em saúde, a principal barreira não é tecnológica: 67% preferem conversar diretamente com o médico. Isso reforça que o maior desafio da IA em saúde é relacional, e não apenas funcional.
Perspectivas futuras
A visão dos pacientes sobre o futuro da IA é dividida. Parte acredita em avanço rápido das consultas autônomas; outra parte considera que consultas 100% conduzidas por IA nunca serão comuns.
Quando questionados sobre uma consulta sem intervenção humana, 56% disseram que não confiariam, 36% confiariam apenas em consultas simples e apenas 7% confiariam totalmente em qualquer tipo de consulta.
Conclusão
A pesquisa mostra que a Inteligência Artificial já faz parte da rotina de médicos e pacientes, mas seu papel mais aceito é o de apoio. Médicos usam IA para ganhar eficiência, buscar informações e apoiar decisões. Pacientes utilizam a tecnologia para compreender melhor sintomas, exames, medicamentos e orientações de saúde.
O futuro mais provável, segundo os dados, é o de um modelo híbrido: IA como ferramenta de suporte, médico como responsável pela decisão clínica e paciente como participante mais informado da própria jornada de cuidado.
Para conhecer todos os dados, gráficos e análises do estudo, baixe a pesquisa.
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Matéria elaborada com auxílio de IA e revisada pela equipe do Portal Afya.
Autoria

Redação Afya
Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.
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