A Fiocruz anunciou a criação de um novo insumo de produção 100% nacional que poderá ser agregado ao teste rápido de Leishmaniose Visceral, sendo possível utilizá-lo tanto para detecção da doença em seres humanos quanto em cães (que podem ser reservatórios importantes).
Produção nacional
De acordo com a instituição, a fase de testes de campo do insumo já recebeu financiamento através de uma parceira da Fiocruz com o Ministério da Saúde e deve ser iniciada logo.
Foram duas décadas de pesquisa para chegar a esse resultado que possibilitará a substituição dos insumos utilizados tanto no teste para população canina quanto humana. Ao final das etapas necessárias, incluindo registro e autorização pela Anvisa, a expectativa é que a inclusão do novo antígeno ao teste rápido sorológico utilizado no Sistema Único de Saúde (SUS), além de diminuir a dependência tecnológica estrangeira, atenda a demanda do sistema gerando retorno na saúde pública.
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Os resultados obtidos nos estudos já realizados com o insumo, nas duas populações (canina e humana), foram equivalentes ou superiores comparados aos testes de diagnóstico sorológico atualmente disponíveis.
Situação epidemiológica
Endêmica no Brasil, que responde por 90% dos casos na América Latina, a leishmaniose visceral possui uma letalidade de 90% se não tratada e teve uma média anual próxima de 3.000 casos entre 2012 e 2022 (com os anos correspondentes à pandemia de covid-19 apresentando uma média abaixo de 2.000), de acordo com dados do Ministério da Saúde.
A doença é transmitida pela picada do mosquito palha (ou asa-dura, tatuquiras, birigui, dentre outros nomes), e ocorre quando as fêmeas infectadas picam cães ou outros animais e depois picam um humano, transmitindo o protozoário Leishmania chagasi.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
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