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Saúde27 outubro 2026

Estudo liga células WIF1+ à hiperplasia prostática benigna

Análise de células prostáticas relaciona a hiperplasia prostática benigna a perfis moleculares, com achados exploratórios e limites clínicos.
Por Bruna Lupp

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins associaram células basais WIF1+ à hiperplasia prostática benigna (HPB) em artigo publicado em setembro de 2026 no The Journal of Pathology. A análise transcriptômica identificou diferenças moleculares nas regiões da próstata, especialmente na zona de transição, e destacou genes com expressão aumentada na HPB. Trata-se de estudo descritivo em tecido humano, sem validação funcional. 

O estudo utilizou sequenciamento de RNA de células isoladas de regiões benignas de próstatas removidas por câncer localizado. Os pesquisadores também reanalisaram conjuntos independentes de dados e realizaram validações em amostras de tecido prostático.

Células basais WIF1+ predominam na zona de transição

Os pesquisadores analisaram 129.887 células obtidas de 25 amostras prostáticas de 10 pacientes submetidos à prostatectomia radical. A comparação entre as zonas periférica, central e de transição identificou quatro subpopulações de células basais, incluindo um subtipo caracterizado pela expressão de WIF1, VCAN e NRG1.

Esse subtipo apresentou concentração significativamente maior na zona de transição, região predominantemente acometida pela hiperplasia prostática benigna. A hibridização cromogênica in situ confirmou a presença simultânea de WIF1 e TP63 nas células basais dessa região, enquanto a expressão de WIF1 foi praticamente ausente nas células basais das zonas periférica e central.

Para investigar a associação com a HPB, os autores reanalisaram dados independentes de três amostras glandulares hiperplásicas e seis amostras prostáticas de doadores. A proporção de células basais WIF1+ foi significativamente superior nos tecidos com hiperplasia, em comparação com a zona de transição dos doadores, embora a comparação tenha envolvido poucas amostras. 

A análise histológica complementar incluiu amostras de dois pacientes com HPB, de 66 e 71 anos, e dois doadores, de 21 e 25 anos. Os resultados foram compatíveis com a associação  entre esse subtipo celular e a doença, embora os pesquisadores não tenham conseguido excluir completamente a influência da idade.

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Pesquisa identifica 45 genes com expressão aumentada na HPB

A análise transcriptômica identificou 104 genes com expressão aumentada nas células basais WIF1+, em comparação com os outros três subtipos basais investigados. Entre os marcadores identificados estavam WIF1, VCAN, PPP1R14C e NRG1, associados a diferentes processos de organização e manutenção tecidual.

Ao comparar células WIF1+ de tecidos hiperplásicos com aquelas de próstatas de doadores, os pesquisadores identificaram 45 genes simultaneamente relacionados à identidade desse subtipo e à HPB. Entre os genes com expressão elevada destacaram-se WIF1, VCAN, NRG1, ITGA2, PRSS23 e GPR87.

As análises de enriquecimento identificaram vias relacionadas à transição epitélio-mesenquimal, angiogênese, resposta hormonal e proliferação celular. O gene VCAN, relacionado à matriz extracelular, apresentou expressão elevada, enquanto NRG1 foi associado a possíveis interações entre células basais e células epiteliais luminais.

A análise de comunicação celular indicou uma possível interação de NRG1 com receptores ERBB2 e ERBB3 nas células luminais. Entretanto, essa comunicação foi inferida computacionalmente, sem demonstração funcional direta no estudo.

Os pesquisadores também identificaram maior expressão de genes associados ao subtipo WIF1+ em amostras de HPB com maior volume prostático, quando comparadas às de menor volume. Em conjunto, os resultados sustentam a hipótese de participação dessas células no remodelamento epitelial e estromal, sem estabelecer uma relação causal com o desenvolvimento da doença.

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Quais limitações do estudo afetam a prática clínica?

Os autores reconhecem que os achados são associativos e não demonstram que células WIF1+ causem hiperplasia prostática benigna. Também não foi possível excluir completamente efeitos da idade sobre os resultados, apesar de análises com ajuste etário.

O tecido analisado veio de regiões sem tumor de próstata de homens com câncer de próstata, e as amostras de validação foram pequenas. O subtipo WIF1+ não foi identificado em células basais de camundongo. 

As interações entre células (NRG1 com ERBB2 e ERBB3) foram inferidas por análise computacional. Os achados não têm aplicação diagnóstica ou terapêutica no momento e não alteram a conduta clínica na HPB. 

Conflito de interesse

Na declaração de interesses, Angelo De Marzo relatou consultoria remunerada à Merck e financiamento de Janssen e Myriad para trabalhos não relacionados. Srinivasan Yegnasubramanian informou financiamentos institucionais, consultoria à Cepheid e participação societária em Brahm Astra Therapeutics e Digital Harmonic.

Os pesquisadores defendem estudos funcionais para esclarecer a participação das células basais WIF1+ na hiperplasia prostática benigna. Até essa confirmação, os genes ligados à HPB permanecem achados associativos.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Bruna Lupp

Bruna Lupp

Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.

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