Considerando que pessoas com câncer que fumam apresentam uma depêndencia maior de cigarro do que pessoas sem câncer que fumam, uma pesquisa avaliou o potencial preditivo do Fagerström Test for Cigarette Dependence (FTCD) e do Heaviness of Smoking Index (HSI) para abstinência nesses pacientes.
“Os dados sugerem que entre 15 e 60 por cento das pessoas que fumavam antes de serem diagnosticadas com câncer continuam a fumar após o diagnóstico. É crucial ajudar as pessoas com câncer a parar de fumar, porque isso levará a melhores prognósticos de tratamento do câncer, prevenirá o câncer secundário e aumentará a qualidade de vida”, afirmou Rubén Rodríguez-Cano, um dos autores do estudo.
Metodologia
Foram analisados dados de 5.934 pacientes com câncer em busca de tratamento para cessação do tabagismo na Universidade do Texas (52,8% mulheres; idade média 55,52 anos; e consumo médio de 11,17 cigarros por dia).
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O potencial preditivo dos testes foi avaliado nos períodos de 3, 6 e 9 meses após a primeira consulta. A concordância entre os testes foi feita através do coeficiente kappa de Cohen e diferentes modelos de correlação e regressão. Dados de gênero de nascimento, raça e etnia também foram avaliados.
Resultados
Ambos os testes demonstraram uma acurácia preditiva similar em todos os seguimentos, com concordância significativa, principalmente nos níveis mais baixos de dependência. Contudo, a concordância variou quando foi considerada a raça do paciente.
De acordo com os autores, os resultados indicam que tanto o FTCD quanto o HSI são eficazes para prever a cessação do tabagismo em pacientes com câncer, sendo o HSI uma opção de avaliação com melhor custo-benefício. Contudo, para Rodríguez-Cano “nossa pesquisa mostra que pode ser necessário adaptar os testes para diferentes grupos”.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
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