A asma é um problema de saúde global, afetando aproximadamente 300 milhões de pessoas em todo o mundo e causando cerca de 1.000 mortes por dia. Interferindo no trabalho, na educação e na vida familiar das pessoas, especialmente em crianças. A asma está se tornando mais prevalente em muitos países em desenvolvimento econômico e o custo do tratamento está aumentando. A Iniciativa Global para a Asma (GINA) tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre a asma entre profissionais de saúde, autoridades de saúde pública e comunidades e, todos os anos, publica um relatório estratégico contendo informações e recomendações sobre asma, com base nas evidências médicas mais recentes.

GINA 2026
A atualização de 2026 da Estratégia Global para o Manejo e a Prevenção da Asma incorporou novas informações científicas sobre a asma, baseadas em uma revisão da literatura científica recente realizada por um painel internacional de especialistas do Comitê Científico da GINA. Neste artigo trazemos algumas das alterações deste ano.
Manejo da asma aguda na atenção primária e em unidades de cuidados intensivos
Fluxogramas: O documento aponta que uma importante iniciativa da GINA este ano foi o desenvolvimento de quatro novos fluxogramas para avaliação, tratamento e acompanhamento de pacientes que procuram atendimento devido a exacerbação da doença ou asma aguda: para adultos e adolescentes e crianças de 6 a 11 anos na atenção primário; adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos em unidades intensivas ou de emergência; crianças de 5 anos ou menos na atenção primária; e crianças de 5 anos ou menos em unidades intensivas ou de emergência.
Indicando uma avaliação padronizada, cada fluxograma fornece critérios para apresentações leves, moderadas, graves e com risco de vida, com orientações sobre o tratamento inicial e subsequente e o acompanhamento.
Anafilaxia e asma: Caso o paciente apresente características de anafilaxia, bem como asma, foi adicionada uma recomendação em cada fluxograma para administração de epinefrina (adrenalina) primeiro e, em seguida, broncodilatadores. A epinefrina pode ser administrada por via intramuscular ou intranasal (a via intranasal não é adequada para crianças pequenas).
Limiares e metas de saturação de oxigênio: Estes foram revisados para baixo com oxigênio suplementar não recomendado a menos que a saturação esteja abaixo de 92%. Se for administrado oxigênio, o limite superior da meta de saturação de oxigênio para adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos é de 95%. Para crianças de 5 anos ou menos com sibilos agudos ou exacerbação grave de asma, a meta de saturação, se for administrado oxigênio, é ≥ 92%.
Doses recomendadas de beta-2-agonistas de curta duração (SABAs): Se tornaram mais conservadoras devido às evidências crescentes de tratamento excessivo durante exacerbações agudas, aumentando o potencial de toxicidade significativa dos SABAs, incluindo acidose láctica, que pode resultar em hiperventilação compensatória que pode ser interpretada erroneamente como piora da asma e levar à administração adicional de beta-2-agonistas de curta duração.
ICS-formoterol: Foi adicionado como opção nos fluxogramas para o tratamento de adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos com exacerbação leve que se apresentam na atenção primária ou em emergência, como alternativa ao SABA inalatório.
Leia também: SUS atualiza protocolo de asma e amplia opções de tratamento para casos graves
Tratamento da asma em crianças de 6 a 11 anos
Resultados do estudo CARE em crianças de 5 a 15 anos que usavam apenas SABA, demonstraram que a budesonida-formoterol em baixa dose, usada conforme necessário para alívio dos sintomas, reduziu o risco de exacerbações de moderadas a graves em quase metade dos pacientes, em comparação com SABA isoladamente.
Tratamento da asma em adultos e adolescentes
Trilha terapêutica 1: O ICS-formoterol continua sendo o tratamento preferencial para adultos e adolescentes, pois reduz substancialmente o risco de exacerbações graves, exposição sistêmica a corticosteroides e necessidade de atendimento médico urgente, em comparação com os regimes baseados em SABA.
Trilha terapêutica 2: A terapia com anti-inflamatório em combinação com ICS-SABA foi adicionada na primeira etapa de tratamento. No estudo BATURA, entre pacientes com asma descontrolada, o ICS-SABA sob demanda (seja isoladamente, ou como alívio para pacientes que tomam ICS ou antagonista do receptor de leucotrieno diariamente) reduziu o risco de exacerbações graves em quase metade, em comparação com um alívio apenas com SABA. A terapia com anti-inflamatório em combinação com ICS-SABA agora está incluída em todas as etapas de tratamento.
Asma severa
Foram acrescentados novos medicamentos nas opções de tratamento: depemoquimabe e o primeiro anti-IgE biossimilar (omalizumabe).
O depemoquimabe é um anti-IL5 de longa duração administrado por injeção a cada 26 semanas, recentemente aprovado pela Anvisa para tratamento complementar da asma em pacientes adultos e pediátricos com idade igual ou acima de 12 anos de idade com inflamação do tipo 2 (alérgica) caracterizada pelo excesso de eosinófilos (glóbulos brancos envolvidos na inflamação das vias aéreas) no sangue e rinossinusite crônica com pólipos nasais.
Outras atualizações
Vacinação: evidências atualizadas, incluindo informações sobre a eficácia das vacinas contra influenza, vírus sincicial respiratório (VSR) e covid-19. Tanto a imunização materna contra o VSR quanto o tratamento de bebês com nirsevimabe resultaram em uma redução da carga de infecção grave por VSR e hospitalização relacionada ao VSR em bebês, com grande interesse em saber se isso poderia potencialmente contribuir para uma redução na incidência de asma de início na infância (p. 232).
Agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (aGLP-1): uma breve atualização sobre dados observacionais que sugerem um possível papel futuro dos aGLP-1 na melhora dos resultados da asma.
O relatório de estratégia completo pode ser acessado através deste link. Fique de olho nas atualizações e artigos da nossa equipe médica sobre as novidades de 2026 da Estratégia Global para o Manejo e a Prevenção da Asma
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.