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Saúde6 abril 2026

Dependência de opioides: O que dizem novas recomendações da OMS?

Recomendações reforçam terapias eficazes e ampliam opções de cuidado para reduzir mortes associadas ao uso de opioides

A Organização Mundial da Saúde anunciou a atualização de recomendações que irão compor as novas diretrizes globais para o tratamento da dependência de opioides e o manejo comunitário de overdoses. A medida busca ampliar o acesso a cuidados baseados em evidências e enfrentar um problema crescente de saúde pública. 

Estima-se que 316 milhões de pessoas tenham usado drogas em 2023, sendo cerca de 61 milhões usuários não médicos de opioides. Essas substâncias respondem pela maior parte das mortes relacionadas a drogas: dos cerca de 600 mil óbitos anuais, aproximadamente 450 mil estão ligados aos opioides. 

Saiba mais: AAP aborda manejo da dependência e abstinência iatrogênica de opioides em crianças 

Lacuna no acesso ao tratamento 

Apesar da magnitude do problema, o acesso ao tratamento ainda é limitado. A OMS aponta que menos de 10% das cerca de 64 milhões de pessoas com transtornos por uso de substâncias recebem algum tipo de cuidado. 

Diante desse cenário, as novas diretrizes têm como objetivo orientar países na ampliação de serviços acessíveis, éticos e eficazes, com foco na redução de danos e na prevenção de mortes por overdose. 

Terapias recomendadas e novas abordagens 

Entre as recomendações atualizadas, a OMS reafirma o uso do tratamento de manutenção com agonistas opioides (OAMT), considerado padrão-ouro no manejo da dependência. Esse modelo inclui o uso supervisionado de medicamentos como metadona e buprenorfina oral. 

Como avanço, a organização passa a recomendar também formulações injetáveis de longa duração de buprenorfina, ainda de forma condicional. A inclusão amplia as opções terapêuticas e pode favorecer a adesão ao tratamento em diferentes contextos. 

Leia ainda: Buprenorfina versus metadona para tratamento de dependência de opioide 

Base científica e próximos passos 

As recomendações foram elaboradas a partir de um processo rigoroso, que avaliou benefícios, riscos, custo-efetividade, equidade e viabilidade. Revisões sistemáticas e análises qualitativas subsidiaram as decisões do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes da OMS. 

A versão completa das diretrizes, com orientações detalhadas para implementação, deve ser publicada até o final de 2026 ou início de 2027. A expectativa é que o documento contribua para qualificar políticas públicas e reduzir de forma consistente a mortalidade associada ao uso de opioides. 

Acesse também: Whitebook: intervenção breve no abuso de drogas 

Autoria

Foto de Roberta Santiago

Roberta Santiago

Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.

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