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Saúde5 novembro 2026

Consenso orienta bevacizumabe no carcinoma hepatocelular em pacientes de risco

No carcinoma hepatocelular avançado, riscos de sangramento e comorbidades exigem avaliação antes do início do tratamento com bevacizumabe.
Por Bruna Lupp

Um consenso de especialistas publicado na revista Ecancer em 2026 orienta o uso de bevacizumabe no carcinoma hepatocelular avançado em pacientes com condições clínicas pouco representadas nos ensaios clínicos. O documento aborda situações como hipertensão portal, uso de anticoagulantes e disfunção hepática ou renal, com foco na segurança e na individualização do tratamento.

Dez especialistas em oncologia e hepatologia elaboraram recomendações por meio de revisão da literatura e método Delphi modificado. As recomendações abrangem disfunções hepática e renal, trombocitopenia, doenças cardiovasculares e risco de hemorragia digestiva.

Consenso aborda carcinoma hepatocelular avançado

Para pacientes que utilizam ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose na prevenção cardiovascular, o consenso permite manter o bevacizumabe sem modificações rotineiras. Já na anticoagulação terapêutica ou no uso de clopidogrel, recomenda avaliação multidisciplinar individualizada, com monitoramento de complicações hemorrágicas.

Estudos observacionais não identificaram aumento significativo de hemorragias graves em pacientes que receberam bevacizumabe associado a anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários. Entretanto, os resultados são limitados e não eliminam a necessidade de avaliar varizes gastroesofágicas e histórico de sangramento antes do tratamento.

Na trombocitopenia, o consenso não estabelece contraindicação absoluta ao bevacizumabe, mas exige avaliação individualizada do risco hemorrágico, da hipertensão portal e da função hepática. Para contagens plaquetárias inferiores a 75 × 10⁹/L, as evidências permanecem limitadas, justificando seleção individualizada e vigilância clínica rigorosa.

As evidências sobre a segurança e a eficácia da combinação de atezolizumabe e bevacizumabe são mais robustas em pacientes com função hepática preservada (Child-Pugh A). Em pacientes Child-Pugh B7, o consenso considera o tratamento uma opção em casos selecionados, desde que apresentem boa capacidade funcional e hipertensão portal compensada.

Para Child-Pugh B8 e B9, a documentação científica é insuficiente para estabelecer segurança semelhante. O documento considera contraindicado o bevacizumabe em Child-Pugh C e reforça a avaliação das varizes antes do tratamento.

Saiba mais: Baveno VIII atualiza o manejo da hipertensão portal

Como avaliar a hipertensão portal antes do tratamento?

A avaliação da hipertensão portal inclui endoscopia digestiva alta e verificação da necessidade de profilaxia para sangramento varicoso antes de iniciar bevacizumabe. Varizes gastroesofágicas de alto risco sem tratamento e sangramento varicoso recente justificam adiar ou evitar o medicamento, conforme o consenso.

O Baveno VII é um consenso internacional de especialistas que estabelece recomendações para diagnóstico, estratificação de risco e manejo da hipertensão portal. Publicado em 2022, o documento orienta o uso de betabloqueadores não seletivos na cirrose compensada com hipertensão portal clinicamente significativa.

Entre esses medicamentos estão carvedilol, propranolol e nadolol, com preferência pelo carvedilol na cirrose compensada. Para pacientes com varizes de alto risco e contraindicação ou intolerância aos betabloqueadores, o consenso recomenda a ligadura elástica endoscópica para prevenir o primeiro episódio de sangramento varicoso.

Varizes previamente tratadas não representam contraindicação absoluta ao bevacizumabe, segundo o consenso sobre o medicamento. Após ligadura endoscópica, esse documento recomenda intervalo mínimo de 14 dias antes de iniciar ou retomar o tratamento, devido ao risco de cicatrização tardia das úlceras pós-ligadura e sangramento tardio.

Saiba mais: ACG orienta cuidados preventivos na cirrose

Atezolizumabe e bevacizumabe têm indicação aprovada pela Anvisa

No Brasil, a Anvisa aprovou em 2020 atezolizumabe e bevacizumabe para adultos com carcinoma hepatocelular irressecável sem tratamento sistêmico anterior. A indicação regulatória não elimina a necessidade de individualizar o uso de bevacizumabe diante dos riscos clínicos descritos no consenso.

A aprovação regulatória também deve ser diferenciada da incorporação ao SUS. A disponibilidade do esquema na rede pública depende das decisões de incorporação e das regras de financiamento, aquisição e oferta dos medicamentos oncológicos.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Bruna Lupp

Bruna Lupp

Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.

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