Os avanços conquistados nas últimas décadas no enfrentamento do HIV podem estar em risco. É o que alerta o novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), divulgado nesta sexta-feira (12). Intitulado Unidas e unidos para acabar com a AIDS, o documento destaca que cortes no financiamento internacional, redução de investimentos em prevenção, enfraquecimento dos direitos humanos e dificuldades enfrentadas por organizações comunitárias estão comprometendo a resposta global à epidemia.
Segundo o relatório, a assistência internacional ao desenvolvimento registrou, em 2025, uma queda de 23%, a maior já observada. Como consequência, programas voltados ao HIV sofreram impacto direto em diversos países de baixa renda e alta incidência da doença.
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Prevenção perde espaço em momento decisivo
Entre 2024 e 2025, os programas de testagem para hiv tiveram redução de 22% em regiões de alta prevalência. O uso da profilaxia pré-exposição (PrEP), uma das principais estratégias de prevenção, caiu 38% nos 62 países que reportaram dados ao UNAIDS.
O cenário preocupa especialistas porque coincide com o surgimento de novas tecnologias preventivas de longa duração, consideradas capazes de transformar o controle da epidemia. Apesar disso, a prevenção respondeu por apenas 11% dos investimentos globais em HIV em 2024, percentual que segue em queda.
Conquistas históricas continuam sob ameaça
O relatório reconhece que a resposta ao HIV permanece como uma das maiores histórias de sucesso da saúde pública global. Desde 2010, as mortes relacionadas à aids diminuíram 56%, passando de 1,3 milhão para 570 mil ao ano. No mesmo período, as novas infecções caíram 43%.
Atualmente, cerca de 32 milhões de pessoas recebem tratamento antirretroviral, o equivalente a 78% da população que vive com HIV. Ainda assim, aproximadamente 9 milhões permanecem sem acesso à terapia.
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Direitos humanos e comunidades no centro da resposta
O UNAIDS também alerta para o aumento da criminalização de populações vulneráveis e para a redução do financiamento de organizações comunitárias, responsáveis por grande parte das ações de prevenção, acolhimento e tratamento em grupos historicamente mais afetados pela epidemia.
Apesar dos desafios, o relatório aponta sinais positivos, como o aumento da participação dos recursos domésticos no financiamento da resposta ao HIV e novos compromissos internacionais de investimento. Para o UNAIDS, as metas de eliminar a aids como ameaça à saúde pública até 2030 continuam possíveis, desde que haja manutenção dos recursos, fortalecimento dos direitos humanos e ampliação do acesso à prevenção e ao tratamento.
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