Logotipo Afya
Anúncio
Saúde15 junho 2026

Combate ao HIV: relatório da ONU alerta para risco de retrocesso

Relatório aponta queda no financiamento internacional, enfraquecimento da prevenção e aumento das desigualdades como ameaças ao controle da epidemia.
Por Redação Afya

Os avanços conquistados nas últimas décadas no enfrentamento do HIV podem estar em risco. É o que alerta o novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), divulgado nesta sexta-feira (12). Intitulado Unidas e unidos para acabar com a AIDS, o documento destaca que cortes no financiamento internacional, redução de investimentos em prevenção, enfraquecimento dos direitos humanos e dificuldades enfrentadas por organizações comunitárias estão comprometendo a resposta global à epidemia. 

Segundo o relatório, a assistência internacional ao desenvolvimento registrou, em 2025, uma queda de 23%, a maior já observada. Como consequência, programas voltados ao HIV sofreram impacto direto em diversos países de baixa renda e alta incidência da doença. 

Saiba mais: Acordo com Fiocruz pode viabilizar produção no Brasil de injeção que previne o HIV 

Prevenção perde espaço em momento decisivo 

Entre 2024 e 2025, os programas de testagem para hiv tiveram redução de 22% em regiões de alta prevalência. O uso da profilaxia pré-exposição (PrEP), uma das principais estratégias de prevenção, caiu 38% nos 62 países que reportaram dados ao UNAIDS. 

O cenário preocupa especialistas porque coincide com o surgimento de novas tecnologias preventivas de longa duração, consideradas capazes de transformar o controle da epidemia. Apesar disso, a prevenção respondeu por apenas 11% dos investimentos globais em HIV em 2024, percentual que segue em queda. 

Conquistas históricas continuam sob ameaça 

O relatório reconhece que a resposta ao HIV permanece como uma das maiores histórias de sucesso da saúde pública global. Desde 2010, as mortes relacionadas à aids diminuíram 56%, passando de 1,3 milhão para 570 mil ao ano. No mesmo período, as novas infecções caíram 43%. 

Atualmente, cerca de 32 milhões de pessoas recebem tratamento antirretroviral, o equivalente a 78% da população que vive com HIV. Ainda assim, aproximadamente 9 milhões permanecem sem acesso à terapia. 

Leia ainda: Mortalidade por AIDS atinge menor nível da série histórica 

Direitos humanos e comunidades no centro da resposta 

O UNAIDS também alerta para o aumento da criminalização de populações vulneráveis e para a redução do financiamento de organizações comunitárias, responsáveis por grande parte das ações de prevenção, acolhimento e tratamento em grupos historicamente mais afetados pela epidemia. 

Apesar dos desafios, o relatório aponta sinais positivos, como o aumento da participação dos recursos domésticos no financiamento da resposta ao HIV e novos compromissos internacionais de investimento. Para o UNAIDS, as metas de eliminar a aids como ameaça à saúde pública até 2030 continuam possíveis, desde que haja manutenção dos recursos, fortalecimento dos direitos humanos e ampliação do acesso à prevenção e ao tratamento. 

Leia também: Conheça algumas histórias inspiradoras de médicas brasileiras 

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Equipe de Jornalistas da Afya.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Saúde