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Saúde21 maio 2026

Cladribina: Fiocruz produzirá medicamento oral para esclerose múltipla no Brasil

Transferência de tecnologia amplia autonomia nacional e fortalece acesso ao tratamento pelo SUS

A Fiocruz anunciou uma parceria para produção nacional da cladribina oral, medicamento utilizado no tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). Comercializado como Mavenclad®, o fármaco passará a ser fabricado no Brasil e distribuído ao Sistema Único de Saúde. A iniciativa integra as estratégias de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis) e busca ampliar a autonomia brasileira na produção de medicamentos de alta complexidade. O acordo envolve cooperação tecnológica com empresas do setor farmacêutico nacional e internacional.

Saiba mais: Novos critérios de Esclerose Múltipla: o que muda na prática clínica? 

Cladribina: Fiocruz produzirá medicamento oral para esclerose múltipla no Brasil

Tratamento inovador para esclerose múltipla

A cladribina oral é considerada um tratamento inovador por ser a primeira terapia oral de curta duração com efeito prolongado para a esclerose múltipla remitente-recorrente.

O esquema terapêutico prevê administração em até 20 dias ao longo de dois anos, com benefício clínico sustentado por até quatro anos. Estudos apontam redução de surtos e desaceleração da progressão da doença.

Atualmente, o medicamento é o único tratamento para esclerose múltipla presente na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde.

Leia ainda: Estratégia de sequenciamento das terapias de alta eficácia na esclerose múltipla

Produção nacional fortalece SUS

A produção será realizada por Farmanguinhos/Fiocruz, com transferência de tecnologia desenvolvida em parceria com a farmacêutica Merck e a Nortec Química.

Segundo a Fiocruz, o projeto amplia a capacidade nacional de produção de medicamentos estratégicos e reduz a dependência de importações. O presidente da instituição destacou que a iniciativa fortalece o SUS, gera empregos especializados e amplia o acesso da população a terapias inovadoras.

Estudos mostram benefício prolongado

Dados recentes apresentados no Congresso Europeu de Esclerose Múltipla demonstraram redução de lesão neuronal após dois anos de tratamento com cladribina oral. Em acompanhamento de longo prazo com 435 pacientes, cerca de 90% não precisaram de cadeira de rodas, enquanto mais da metade permaneceu sem necessidade de novos medicamentos para a doença.

No Brasil, estima-se que cerca de 35 mil pessoas convivam com esclerose múltipla, condição neurológica crônica que afeta principalmente adultos jovens e mulheres.

Leia mais: Esclerose múltipla: Anvisa aprova nova terapia para controle da progressão

Autoria

Foto de Roberta Santiago

Roberta Santiago

Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.

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