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Saúde2 outubro 2026

Carta médica pede proibição de implantes hormonais manipulados

Pedido aponta falta de evidência de eficácia e segurança dos implantes hormonais manipulados, mas preserva terapia hormonal registrada
Por Redação Afya

Entidades médicas, propostas como signatárias da Carta do Rio de Janeiro, pedem à Anvisa a proibição total de implantes hormonais manipulados. O documento veio a público em 1º de outubro, no 20º Congresso Mundial de Menopausa, no Rio. A justificativa é a falta de ensaios clínicos de qualidade sobre benefício e segurança dessas formulações por via implantável.

Integram a lista SBEM, Febrasgo e a Sociedade Internacional da Menopausa, além de mais 9 sociedades, entre elas de cardiologia, urologia e outras áreas. O texto do pedido critica também a produção em escala, o treinamento de prescritores e a divulgação nas redes sociais.

Imagem de implantes hormonais manipulados em bancada de manipulação

Proibição total abrangeria seis frentes, da manipulação ao uso

A carta estende o veto a todas as etapas dos implantes hormonais manipulados, incluindo estoques, venda, distribuição e publicidade. As entidades cobram ainda fiscalização, farmacovigilância, notificação compulsória de eventos adversos e responsabilização dos elos comerciais.

Em outubro de 2024, a Anvisa suspendeu todos esses implantes. Porém, após recursos de médicos, clínicas e farmácias, a agência recuou no mês seguinte e adotou regras mais restritivas. 

Desde então, estão vetados implantes com anabolizantes ou androgênios para fins estéticos, ganho muscular e desempenho esportivo, mas outras finalidades terapêuticas seguem permitidas em condições específicas. Para as entidades, entretanto, essa exceção não pode sustentar um mercado sem os estudos exigidos de medicamentos registrados.

Saiba mais: Anvisa reforça restrições para uso de implantes hormonais

Quais riscos a via implantável impõe às pacientes?

Pela via implantável, a exposição hormonal pode durar meses, sem chance de reduzir a dose ou suspender a administração diante de eventos adversos. A retirada nem sempre é completa, sobretudo com pellets bioabsorvíveis.

Faltam dados de estabilidade, esterilidade e liberação hormonal, além de respostas sobre risco cardiovascular, hepático, tromboembólico, AVC e câncer. A gestrinona, presente em parte dos implantes, pode causar hirsutismo, alopecia, alteração da voz e clitoromegalia, alguns potencialmente persistentes.

Saiba mais: Ministério da Saúde ajusta faixa etária do implante de etonogestrel

Terapia hormonal da menopausa permanece fora do pedido

Segundo a carta, a terapia hormonal da menopausa bem indicada é eficaz, com formulações registradas por via oral, transdérmica ou vaginal. Essas opções permitem ajustar a dose e interromper o tratamento quando preciso.

Para mulheres, a testosterona tem aval de consensos internacionais apenas no transtorno do desejo sexual hipoativo após a menopausa. A dose deve manter os níveis na faixa fisiológica feminina, sem evidência para emagrecimento, ganho muscular ou longevidade.

Ficam fora do pedido de proibição total os contraceptivos registrados, como o implante de etonogestrel. O alvo são apenas os implantes hormonais manipulados, sem a avaliação de eficácia e segurança exigida de medicamentos registrados.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

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Foto de Redação Afya

Redação Afya

Equipe de Jornalistas da Afya.

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