Uma pesquisa realizada em pouco mais de 100 hospitais brasileiros aponta um dado preocupante: um em cada cinco não faz o ajuste correto na dosagem de antibióticos. O estudo, lançado como parte de uma campanha nacional de conscientização sobre resistência antimicrobiana, reforça a urgência em combater o uso inadequado desses medicamentos.
Realizada em unidades públicas e privadas, a pesquisa alerta para o risco do uso excessivo ou ineficaz de antibióticos, prática que aumenta a chance de surgirem bactérias resistentes. Nos 104 hospitais avaliados, quase 88% ainda utilizam antibióticos de forma empírica, ou seja, com prescrição baseada em tentativa e erro, sem respaldo adequado em exames ou protocolos.
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De acordo com especialistas, os indicadores reforçam a necessidade de políticas públicas mais robustas para conter o uso indiscriminado de antibióticos. A falta de ajuste correto representa um risco adicional de infecção hospitalar, além de favorecer a resistência bacteriana e gerar impactos ambientais. O uso inadequado desses medicamentos contribui para o surgimento de microrganismos contra os quais eles deixam de ter eficácia, dificultando o controle real das infecções.
Impacto global das falhas na prescrição de antibióticos e medidas urgentes
Estima-se que 48 mil pessoas morram todos os anos no Brasil em decorrência de infecções resistentes, o que pode representar mais de 1,2 milhão de mortes acumuladas até 2050. Nesse contexto, o controle da cadeia que envolve desde a prescrição até o descarte dos antibióticos é considerado fundamental para reduzir a resistência. No entanto, a pesquisa revelou que nenhum dos hospitais avaliados possui protocolos de descarte ou análise de efluentes hospitalares, transformando a questão também em um problema ambiental.
A resistência antimicrobiana já é tratada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma crise silenciosa, com potencial de superar o câncer em número de mortes até 2050. Infecções comuns, como urinárias, pneumonias e complicações cirúrgicas, tornam-se cada vez mais difíceis ou até impossíveis de tratar, sendo responsáveis por mais de 5 milhões de óbitos anuais no mundo.
Segundo os pesquisadores, a prescrição empírica e sem evidências pode levar a desfechos graves, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTIs). Apesar de os hospitais contarem com comissões de controle de infecção hospitalar, ainda são registradas falhas importantes. Diante desse cenário, reforça-se a necessidade de protocolos mais rigorosos e capacitação contínua das equipes para o uso racional de antimicrobianos, como forma de promover uma resposta coletiva e coordenada ao problema.
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