Logotipo Afya
Anúncio
Reumatologia24 fevereiro 2026

Qual a relação temporal entre as espondiloartrites e as DII? 

Estudo analisou a probabilidade de espondiloartrites precederem o diagnóstico de DII e o risco de surgimento de SpA após o diagnóstico de DII
Por Gustavo Balbi

As espondiloartrites (SpA) axiais (axSpA) e periféricas (pSpA) possuem uma conhecida relação com as doenças inflamatórias intestinais (DII). Estudos com biópsia intestinal demonstram que até 60-70% dos pacientes com SpA, a depender da série analisada, podem apresentar sinais de colite microscópica. Já nos pacientes com DII recentemente diagnosticada, até 17% e 50% podem apresentar, respectivamente, sinais de axSpA e pSpA, após avaliação reumatológica detalhada. 

Um outro ponto em comum entre esses grupos de doença é o atraso no diagnóstico, que pode chegar a anos, em ambas as situações. De modo a minimizar esse atraso, é importante conhecer a relação temporal e os fatores de risco para o seu desenvolvimento para diagnósticos mais oportunos. 

Nesse sentido, Agrawal et al. desenvolveram um estudo cujo objetivo era relação temporal entre o diagnóstico de espondiloartrite (EpA) e doença inflamatória intestinal (DII), além de identificar os fatores de risco associados a essa coexistência. 

Métodos 

Trata-se de uma coorte populacional nacional da Dinamarca, que incluiu pacientes entre janeiro de 1998 e julho de 2022. 

Foram identificados 17.108 indivíduos com DII e pareados na proporção de 1:5 com 85.540 indivíduos de referência sem DII. Utilizou-se regressão logística para determinar as chances (OR) de EpA preceder o diagnóstico de DII e regressão de Cox para determinar o risco (HR) de EpA de início recente após o diagnóstico de DII.  

Resultados 

Foram incluídos 17.108 indivíduos com DII (29,5% com doença de Crohn e 70,5% com retocolite ulcerativa). A proporção de pacientes do sexo feminino  foi de 53,3%. A idade no diagnóstico era: <30 anos (25,2%), 30-49 anos (34,3%), 50-70 anos (28,7%) e > 70 anos (11,8%). 

Os autores encontraram uma chance aumentada de SpA até 8 anos antes do diagnóstico de DII (aOR 1,95; IC95% 1,78-2,14), quando comparados com a população de referência. A chance de axSpA nos pacientes com DII foi maior do que a de pSpA (aOR 4,65; IC95% 3,63-5,95 e aOR 1,74; IC95% 1,58-1,93, respectivamente). Além disso, a chance de SpA foi maior nos pacientes com diagnóstico posterior de doença Crohn (aOR 11,49; IC95% 7,55-17,92). 

Após o diagnóstico de DII, o risco de SpA foi maior nos pacientes com DII geral, doença de Crohn e retocolite ulcerativa (aHR 2,51; IC95% 2,34-2,70; aHR 3,17; IC 95% 2,81-3.59, e aHR 2,24; IC95% 2,05-2,45, respectivamente). O aHR foi maior para axSpA nos pacientes com doença de Crohn (aHR 8,28; IC95% 5,95-11,51). 

A análise de tendência temporal demonstrou que o risco aumentou acentuadamente no ano anterior ao diagnóstico de DII e nos 2 anos seguintes, principalmente em mulheres, jovens (18-45 anos) no início da DII, subtipo axSpA e doença de Crohn.  

Qual a relação temporal entre as espondiloartrites e as DII? 

Imagem de peoplecreations/freepik

Comentários: espondiloartrites e as doenças inflamatórias intestinais

O conhecimento dessa evolução temporal e fatores de risco para a coexistência de espondiloartrites (SpA) e doenças inflamatórias intestinais (DII) pode nos guiar na formulação de estratégias de rastreamento desse grupo importante de pacientes.

Saiba mais: Fator Reumatoide (FR)

Autoria

Foto de Gustavo Balbi

Gustavo Balbi

Editor-chefe de Clínica Médica da Afya • Residência em Clínica Médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Reumatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro • Doutorando pela USP • Professor de Reumatologia da Universidade Federal de Juiz de Fora • Chefe do serviço de Clínica Médica do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora • Membro da Comissão de Síndrome Antifosfolípide e da Comissão de Vasculites da Sociedade Brasileira de Reumatologia

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Reumatologia