Pesquisadores da Universidade da Noruega desenvolveram uma ferramenta que, ao que tudo indica, será capaz de identificar sinais de burnout com grande precisão. Ela recebeu o nome de Burnout Assessment Tool (BAT) e está sendo testada em 30 países.
De acordo com o artigo publicado pelo News – Medical & Life Science, em 15 de fevereiro desse ano, a ocorrência de pessoas que experienciam sintomas de burnout em seus ambientes de trabalho tem sido cada vez maior — inclusive na própria Noruega, que, segundo pesquisas, apresenta índices melhores do que a média da União Europeia no que diz respeito às condições trabalhistas.
"Estimamos que 13% dos trabalhadores noruegueses possui, hoje, um risco alto de desenvolver esgotamento emocional”, diz Leon De Beer, professor associado do Departamento de Psicologia da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.
Juntamente com seus colegas do grupo de pesquisa sobre ambientes saudáveis de trabalho, De Beer desenvolveu esse novo estudo sobre burnout, publicado no Scandinavian Journal of Psychology, a partir de uma amostra representativa de 500 trabalhadores noruegueses.
Itens avaliados
A Burnout Assessment Tool mede os quatro grupos principais de fatores de risco: exaustão, distanciamento mental, prejuízo cognitivo e comprometimento emocional. De forma aprofundada, mensura o quão mentalmente exausto cada pessoa se sente no trabalho, o quão difícil é se sentir entusiasmado para sair da cama em um dia de atividades, o nível de dificuldade dos entrevistados em se concentrarem nos seus afazeres e o quão desmedidas podem ser suas reações emocionais no ambiente de trabalho.Ferramenta padrão
Os diagnósticos de burnout feitos até hoje, geralmente, dependem da interpretação do profissional designado para a função. Ao longo da entrevista, o psicólogo deve identificar e avaliar o processo de surgimento do transtorno. Ao demonstrar grande capacidade de assertividade em comparação com os métodos mais comuns para avaliação, o BAT atende a todos os requisitos para que seja adotado como ferramenta padrão na avaliação do burnout, de acordo com a publicação. Leia ainda: Como está a saúde mental dos médicos no Brasil? Baixe a pesquisa completaIntervenção precoce é fundamental no burnout
Burnout não é exatamente uma doença, mas uma sensação de exaustão física ou mental, uma resposta do corpo a uma situação persistente e duradoura. E, embora seja mais comumente atribuído ao esgotamento relacionado às atividades laborais, há evidências suficientes que seus efeitos não se extinguem com a volta do funcionário para casa ao fim do dia ou simplesmente uma folga. “Por isso, é importante criar boas condições de trabalho e estruturas que salvaguardem a saúde dos colaboradores”, afirma o professor Marit Christensen, também integrante do departamento de psicologia. “A ferramenta pode ajudar a identificar quem necessita de acompanhamento mais urgente para que o risco de esgotamento possa ser reduzido”, diz o acadêmico. No entanto, ele frisa que o BAT é apenas um meio de identificar sintomas. O tratamento da síndrome deve ser levado até um profissional de saúde para que ele tome as devidas medidas. Saiba mais: Governo do RJ sanciona projeto de lei sobre fornecimento de canabidiol e TH Quanto antes identificado o burnout, maior será a chance de reduzir seus efeitos nocivos. Nos colaboradores, os danos causados por esse estado de esgotamento incluem doenças cardiovasculares, dores musculares, problemas para dormir e depressão. As empresas também podem se prejudicar ao perderem funcionários e enfrentarem quadros de afastamento por doença.Como você avalia este conteúdo?
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