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Psiquiatria1 agosto 2024

Caso Clínico: TARE

Paciente masculino, 13 anos, chega ao consultório de pediatria, onde é constatado baixo peso (percentil 12). A familiar do paciente (genitora) refere que o paciente mudou seu padrão alimentar no último ano, após um caso de gastroenterite, quando chegou a permanecer em observação hospitalar por algumas horas. Na ocasião, a suspeita é de que o quadro tenha sido desencadeado por algum alimento contaminado que ingeriu durante uma viagem a um local de praia. Desde então, o paciente teria recusado alimentos similares aos que ingeriu na ocasião, mas, com o passar dos meses, vem restringindo cada vez mais sua dieta alegando medo de passar mal. Antes do episódio de gastroenterite, alimentava-se de forma adequada para a idade e seu peso e altura encontravam-se adequados nos gráficos de percentil.

Quando o médico lhe pergunta se está fazendo dieta de propósito para perder peso ou por não gostar do seu corpo, o paciente nega. Diz se lembrar do episódio de intoxicação no ano anterior e ter medo de que volte a passar mal daquela maneira. Sua genitora informa que o filho é o 2o de uma prole de 2. Sua gestação foi desejada e não houve intercorrências durante a gravidez. O paciente nasceu a termo, com Apgar 8 e 9, segundo sua carteirinha. Não há indícios de atraso no desenvolvimento, presença de estereotipias, inflexibilidade, interesses restritos ou dificuldades acadêmicas. O paciente apresenta um temperamento tímido, mas possui amigos na escola, onde estuda desde sempre. Possui boa relação com os amigos, com quem gosta de brincar, e pratica futebol 2x/semana. Na escola, suas notas são medianas, assegurando aprovações. Nega bullying ou sintomas depressivos, embora se mostre ansioso na hora da alimentação. Frequentemente, recusa-se a se alimentar na escola. Eventualmente sente dores de cabeça durante as aulas. Em casa, prefere alimentos líquidos, como leite, iogurte e sucos, estabelecendo uma série de restrições a alimentos sólidos, com recusa absoluta a frutos do mar. A hora das refeições é marcada por conflitos com familiares, que insistem que ele coma, enquanto o paciente empurra os alimentos no prato ou brinca com eles, mas resiste a ingeri-los. Nega fome excessiva ou ingestão de grande quantidade de comida para compensar a recusa das refeições. Afirma não sofrer com pesadelos frequentes com temática específica, sintomas somáticos, dificuldade de concentração, aumento da tensão ou pensamentos intrusivos.

O médico solicita exames complementares para avaliar o estado nutricional, encaminha para o serviço de nutrição e prescreve suplementos para estimular o ganho de peso. O paciente aceita tomar os suplementos e passar por avaliação nutricional.

Qual o diagnóstico provável e a abordagem complementar mais indicada?

AAnorexia nervosa / Terapia Cognitivo-Comportamental

BBulimia nervosa / Fluoxetina 10 mg/dia

CTranstorno Alimentar Restritivo-Evitativo / Terapia Cognitivo-Comportamental

DTranstorno de estresse pós-traumático / Iniciar Fluoxetina 10 mg/dia

Autoria

Foto de Paula Benevenuto Hartmann

Paula Benevenuto Hartmann

Conteudista médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica em Psiquiatria na mesma instituição (2018) e Área de Atuação em Psiquiatria da Infância e Adolescência pela mesma instituição (2024). Mestrado em Psiquiatria e Saúde Mental pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP, Portugal). Além da atuação na Afya, também atende em consultório particular.

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