Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) identificaram que as recomendações do TikTok podem ampliar a exposição a conteúdos relacionados à saúde mental, mesmo quando os usuários demonstram intenção de evitá-los. O estudo foi publicado em maio de 2026 nos Proceedings of the International AAAI Conference on Web and Social Media.
A pesquisa investigou como diferentes tipos de busca por conteúdos relacionados à saúde mental e os padrões de interação dos usuários influenciam as recomendações da plataforma.

Algoritmos ampliam exposição a conteúdos sobre saúde mental
Durante sete dias, os pesquisadores acompanharam 30 contas experimentais e analisaram 8.727 vídeos recomendados. Nas contas que interagiram ativamente com publicações sobre saúde mental, esses conteúdos chegaram a representar aproximadamente 45% das recomendações diárias.
Entre as contas que evitavam essas publicações, a exposição caiu para aproximadamente 11% a 13%, enquanto aquelas que mantinham uma visualização passiva registraram percentuais entre 16% e 20%. Os resultados indicam que, embora a redução do engajamento diminua a frequência das recomendações, ela não elimina completamente a exposição.
O comportamento de interação com os vídeos teve maior influência sobre as recomendações do que a intenção expressa nas buscas iniciais. Embora a procura por apoio psicológico favorecesse a exibição de conteúdos potencialmente úteis, o sistema continuou recomendando materiais classificados como prejudiciais.
Entre esses conteúdos, destacaram-se publicações relacionadas ao autodiagnóstico e à positividade tóxica, além de desinformação e materiais sobre suicídio e automutilação. Para os pesquisadores, os resultados evidenciam limitações do algoritmo.
Estado emocional pode influenciar na informação procurada
Um segundo estudo, publicado na Nature Human Behaviour, investigou a relação entre navegação digital e saúde mental em quatro pesquisas com 1.145 participantes.
Os pesquisadores identificaram uma relação bidirecional: pessoas com pior estado emocional tendiam a consumir informações mais negativas, enquanto a exposição experimental a esses conteúdos também provocou piora do humor.
Em uma das etapas experimentais, os pesquisadores expuseram participantes a páginas com conteúdos negativos ou neutros. A exposição às informações negativas provocou piora do humor e favoreceu a busca posterior por conteúdos semelhantes.
Os resultados apontam para um ciclo de retroalimentação, no qual o estado emocional influencia as escolhas de navegação e o conteúdo consumido pode reforçar esse mesmo estado.
A pesquisa também identificou que apresentar informações prévias sobre o possível impacto emocional das páginas reduziu a escolha de conteúdos negativos, sugerindo uma estratégia para favorecer experiências digitais menos prejudiciais.
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Evidências ainda apresentam limitações clínicas
O estudo da UCLA utilizou contas simuladas, sem avaliar diretamente os efeitos das recomendações sobre a saúde mental de usuários reais. Já a pesquisa publicada na Nature Human Behaviour analisou a navegação na internet de forma mais ampla, sem investigar especificamente os algoritmos das redes sociais.
Embora os resultados não permitam estabelecer uma relação causal entre recomendações algorítmicas e transtornos mentais, os estudos apontam para a importância de considerar o impacto emocional dos conteúdos digitais e desenvolver mecanismos de proteção mais sensíveis às necessidades dos usuários.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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