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Afya News29 outubro 2026

29/10/2026 | AVC, encefalite e doenças do sangue

Calor e poluição no risco de AVC, nova diretriz para encefalite infecciosa e alvo genético em doença falciforme e talassemia.

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AVC em idosos, nova diretriz para encefalite e avanços nas doenças hereditárias do sangue

No Afya News de hoje, confira a associação entre ondas de calor, poluição do ar e AVC em idosos, as novas recomendações europeias para o manejo da encefalite infecciosa e a identificação de um possível alvo terapêutico para doença falciforme e betatalassemia.

Matérias citadas no episódio de hoje:

O que importa hoje: ondas de calor e poluição elevam risco de AVC em idosos

Um estudo da Faculdade de Medicina da USP, apresentado na FAPESP Week Países Baixos, associou cada dia adicional de onda de calor na cidade de São Paulo a um maior risco de AVC agudo em pessoas com 65 anos ou mais. A análise incluiu 769 pacientes do estudo EMMA. Isoladamente, o calor elevou a chance do evento em 12,1% por dia de exposição. Combinado à poluição por material particulado PM10, o aumento chegou a 40,4%.

Os resultados ainda são preliminares, mas colocam o calor extremo e a má qualidade do ar entre os possíveis gatilhos agudos de eventos cerebrovasculares em idosos. Entre os mecanismos envolvidos estão desidratação, aumento da viscosidade sanguínea e sobrecarga cardiovascular.

Durante ondas de calor, médicos devem reforçar orientações sobre hidratação, avaliar o uso de diuréticos e anti-hipertensivos quando indicado e manter atenção aos sinais neurológicos em pacientes de maior risco.

O que muda na prática: diretriz atualiza o manejo da encefalite infecciosa

A European Academy of Neurology e a European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases publicaram uma diretriz conjunta para o diagnóstico e o tratamento de adultos hospitalizados com encefalite infecciosa. O documento atualiza as recomendações de 2010 e orienta iniciar aciclovir intravenoso, idealmente, nas primeiras seis horas após a chegada ao hospital.

A punção lombar deve ser realizada o mais cedo possível, enquanto a ressonância magnética é recomendada nas primeiras 24 a 48 horas. Nos casos confirmados de encefalite por HSV, o tratamento deve durar pelo menos 14 dias.

A principal orientação para a prática clínica é não adiar o aciclovir enquanto se aguardam os exames. Resultados negativos precoces não excluem encefalite herpética e podem exigir uma nova punção. A diretriz desaconselha a substituição do PCR específico no líquor por painéis multiplex e não recomenda nem contraindica o uso de corticoide na encefalite por HSV. No Brasil, a investigação também deve considerar arboviroses e a epidemiologia local.

Radar: BACH2 surge como possível alvo para doença falciforme e talassemia

Um estudo publicado na Nature, liderado por pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, do Boston Children’s Hospital e do Broad Institute, analisou dados genômicos de mais de 28 mil pessoas de ancestralidades europeia, africana e asiática, com a participação de grupos brasileiros.

Os pesquisadores identificaram o gene BACH2 como um freio na produção de hemoglobina fetal. Quando sua atividade diminui, o fator NRF2 passa a ativar esses genes por uma via independente do BCL11A, alvo das terapias gênicas atuais.

O achado é relevante porque níveis mais altos de hemoglobina fetal atenuam a gravidade da doença falciforme e da betatalassemia. Em laboratório, a inibição farmacológica do BACH2 aumentou a hemoglobina fetal em precursores de hemácias, abrindo caminho para novos medicamentos ou estratégias de edição gênica. Os resultados ainda são pré-clínicos e não há dados de segurança ou eficácia em pacientes.

Esse foi o Afya News de hoje! Para acompanhar diariamente as principais atualizações médicas com análise especializada, inscreva-se no Afya News no Spotify e YouTube. Até o próximo episódio!

Autoria

Foto de Redação Afya News

Redação Afya News

Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.

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