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Prescrição cultural: Joy, a história da fertilização in vitro, as memórias de um neurocirurgião e o blues de B.B. King
Na prescrição cultural deste domingo, o Afya News indica três obras que dialogam com a prática médica. O filme Joy mostra como nasceu a fertilização in vitro. O livro Sem Causar Mal fala do erro na neurocirurgia. E a canção The Thrill Is Gone ajuda a pensar na perda do encanto pela profissão e no esgotamento.
Matérias citadas no episódio de hoje:
- Joy na Netflix: a história real dos pioneiros da fertilização in vitro
- Sem Causar Mal, de Henry Marsh: memórias de neurocirurgia pela editora nVersos
- The Thrill Is Gone, de B.B. King: ouça o clássico do blues de 1969 no Spotify
Filme: Joy e os bastidores do nascimento da fertilização in vitro
Joy (Reino Unido, 2024) tem direção de Ben Taylor e conta com Thomasin McKenzie, James Norton e Bill Nighy no elenco. Baseado em fatos reais, o filme acompanha dez anos de trabalho, de 1968 a 1978, que levaram ao nascimento de Louise Joy Brown, a primeira pessoa concebida por fertilização in vitro.
A história é contada pelo olhar de Jean Purdy, jovem enfermeira e embriologista que se une ao fisiologista Robert Edwards e ao cirurgião Patrick Steptoe na tentativa de vencer a infertilidade. O trio enfrenta a resistência da igreja, da imprensa, do governo e de parte da comunidade médica. Também passa por uma longa sequência de tentativas frustradas com as mulheres que se voluntariaram para a pesquisa. O título vem do nome do meio de Louise, e o filme resgata a contribuição de Purdy, que por muito tempo foi pouco reconhecida.
Por que assistir: o filme lembra que procedimentos hoje rotineiros nasceram de incerteza, de fracassos repetidos e de intenso debate ético. A obra valoriza o trabalho de toda a equipe, inclusive de enfermagem e laboratório, e o papel das pacientes que aceitaram participar de uma pesquisa sem garantia de benefício.
Também convida a olhar com mais atenção para o sofrimento silencioso de quem enfrenta a infertilidade, que vai muito além do diagnóstico e do protocolo de tratamento.
Livro: Sem Causar Mal, erro médico e decisões difíceis na neurocirurgia
Sem Causar Mal: Histórias de Vida, Morte e Neurocirurgia, de Henry Marsh, foi publicado no Brasil pela nVersos. Lançado originalmente em 2014 e traduzido para quase 40 idiomas, reúne as memórias de um dos neurocirurgiões mais reconhecidos do Reino Unido, que passou boa parte da carreira no St George’s Hospital, em Londres.
Cada capítulo parte de um caso clínico para narrar cirurgias bem-sucedidas, complicações, erros e decisões difíceis, como a de operar ou não um paciente com prognóstico incerto. Com franqueza pouco comum, Marsh fala da ansiedade antes de entrar no centro cirúrgico, da vaidade nos momentos de triunfo, das frustrações com o sistema de saúde e da dor de ver pacientes sofrerem em suas mãos. O título remete ao princípio da não maleficência.
Por que ler: o livro convida a encarar o erro com honestidade, sem negá-lo e sem se paralisar por ele. Uma cultura que admite falhas é também uma cultura mais segura para o paciente.
Marsh mostra que a decisão de não intervir pode ser tão difícil quanto a de operar, e que a conversa franca sobre riscos, limites e prognóstico faz parte do cuidado. A leitura ajuda ainda a lembrar que o peso da responsabilidade é real e precisa ser compartilhado, e não carregado em silêncio.
Música: The Thrill Is Gone e os sinais de esgotamento na medicina
The Thrill Is Gone foi composta em 1951 por Roy Hawkins e Rick Darnell e gravada primeiro pelo próprio Hawkins. A canção ganhou nova vida quando B.B. King a registrou em 1969 para o álbum Completely Well, lançado pelo selo BluesWay.
Por sugestão do produtor Bill Szymczyk, a gravação recebeu um arranjo de cordas que reforçou o tom melancólico do blues em tom menor e se afastou do som habitual do artista. A faixa se tornou o maior sucesso da carreira de King. Rendeu a ele o Grammy de melhor performance vocal masculina de R&B em 1970 e entrou para o Grammy Hall of Fame em 1998. A letra fala do fim de um amor e de alguém que reconhece que o encanto acabou e decide seguir em frente.
Por que ouvir: a canção serve de alerta para um processo que muitas vezes avança sem ser percebido, a perda gradual do encanto pela profissão. Cansaço persistente, distanciamento dos pacientes e a sensação de que o trabalho perdeu o sentido são sinais de esgotamento que merecem atenção, e não resignação.
Reconhecer essa perda, conversar com colegas e buscar apoio são passos para reencontrar o que motivou a escolha pela medicina.
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Autoria
Redação Afya News
Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.
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