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Pediatria19 janeiro 2026

Vitamina C na sepse neonatal 

Pesquisa investigou a eficácia da administração intravenosa de vitamina C em recém-nascidos sépticos e submetidos à ventilação mecânica

A sepse neonatal continua sendo uma das principais causas globais de morbidade e mortalidade, particularmente entre recém-nascidos (RN) cirúrgicos, altamente suscetíveis a infecções devido a procedimentos invasivos. Embora seja essencial, a antibioticoterapia apresenta riscos potenciais em lactentes não infectados. Considerando as crescentes evidências de que pacientes sépticos em estado crítico apresentam níveis reduzidos de vitamina C e que essa vitamina pode atenuar a disfunção orgânica relacionada à sepse por meio de mecanismos antioxidantes, hemodinâmicos e endócrinos, um ensaio clínico randomizado (ECR) duplo-cego avaliou a eficácia da vitamina C intravenosa (IV) em RN sépticos a termo, submetidos à ventilação mecânica (VM) após cirurgia. O estudo Role of vitamin C infusion in postoperative mechanically ventilated neonates with sepsis: a randomized controlled trial foi publicado na edição de novembro de 2025 do jornal European Journal of Pediatrics.  

Metodologia 

Conduzido no Egito em uma única Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) no Tanta University Hospital entre fevereiro e agosto de 2023, o estudo teve como objetivo avaliar o impacto da vitamina C IV nos parâmetros ventilatórios, duração do desmame da VM e necessidade de suporte inotrópico. RN prematuros, com anomalias congênitas graves ou comorbidades neurológicas significativas foram excluídos do estudo.  

Os RN foram aleatoriamente designados em dois grupos: 

  • Grupo sem vitamina C: para receber tratamento padrão de sepse com placebo; 
  • Grupo com vitamina C: para receber infusão de vitamina C administrada como uma dose de ataque de 0,5 g/kg seguida por uma dose de manutenção de 0,5 g/kg/h durante 6 horas, continuada por 7 a 10 dias.

Resultados 

Cinquenta RN cirúrgicos a termo, com sepse confirmada e em VM, foram alocados igualmente para receber vitamina C IV ou tratamento padrão, com características demográficas e clínicas basais comparáveis ​​entre os grupos.  

Embora a frequência cardíaca, a pressão arterial média e a saturação de oxigênio não tenham apresentado diferenças ao longo do tempo, o grupo da vitamina C demonstrou frequências respiratórias (FR) e pressões inspiratórias de pico significativamente menores em 24, 72 e 120 horas, bem como menor necessidade de FiO₂ e maiores relações SpO₂/FiO₂ em 72 e 120 horas. Além disso, os RN que receberam vitamina C apresentaram menor tempo de VM (4,44±1,23 vs. 5,64±2,2 dias, p=0,021) e menor necessidade de suporte inotrópico (40% vs. 76%, p=0,010), embora não tenham sido observadas diferenças significativas nos dias livres de VM, no tempo de internação na UTIN ou no hospital, ou na mortalidade.  

Leia também: Deficiências de micronutrientes: uma visão rápida e atualizada

Conclusão 

O estudo sugere que a vitamina C IV pode ser uma terapia adjuvante benéfica para melhorar a função respiratória na sepse neonatal pós-operatória. No entanto, há necessidade de estudos multicêntricos de maior porte. 

Comentário 

O estudo indica que a vitamina C pode ter uma função relevante na estabilização das funções respiratória e cardiovascular durante condições graves. Os pesquisadores apontaram a necessidade de ensaios multicêntricos de maior porte antes da adoção rotineira, mas os resultados obtidos nos levam a considerar a administração da vitamina IV como uma intervenção de suporte de baixo custo e biologicamente plausível em populações selecionadas e por meio de protocolos clínicos baseados em evidências científicas.

Autoria

Foto de Roberta Esteves Vieira de Castro

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora adjunta de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação ⦁ Instagram: @draroberta_pediatra

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