A toxoplasmose na gravidez representa uma infecção parasitária de relevância clínica significativa devido ao risco de transmissão congênita e às complicações fetais associadas. O diagnóstico precoce por meio de rastreio sorológico no pré-natal, a interpretação adequada dos testes de triagem e o manejo especializado da gestante infectada constituem estratégias centrais para reduzir a morbidade neonatal e prevenir sequelas neurológicas e oftalmológicas no recém-nascido.
Este artigo apresenta revisão atualizada sobre toxoplasmose gestacional, abordando transmissão, diagnóstico laboratorial, interpretação de testes sorológicos, protocolos de tratamento e medidas preventivas baseadas em evidências científicas e diretrizes nacionais.
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O que é a toxoplasmose e como ela é transmitida
A toxoplasmose é uma zoonose causada pelo protozoário intracelular obrigatório Toxoplasma gondii, capaz de infectar mamíferos e aves. Embora a infecção seja frequentemente assintomática ou oligossintomática em imunocompetentes, a aquisição do parasita durante a gestação expõe o feto ao risco de transmissão vertical, com potencial de dano variável conforme o momento da infecção materna.
Agente etiológico e formas de transmissão
O Toxoplasma gondii possui ciclo de vida complexo, com reprodução sexuada restrita ao trato intestinal de felídeos, hospedeiros definitivos que eliminam oocistos não esporulados nas fezes. Após esporulação no ambiente, esses oocistos tornam-se infectantes e podem permanecer viáveis no solo e na água por meses e eventualmente anos.
As principais vias de infecção humana incluem:
- Ingestão de oocistos esporulados presentes em água, solo, alimentos contaminados ou superfícies expostas
- Consumo de cistos teciduais contidos em carne crua ou mal passada de animais infectados
- A manipulação de carne crua sem adequada higiene após, levando a mão a boca/mucosas ou mesmo outros alimentos contaminando-os.
- Transmissão transplacentária durante parasitemia materna (transmissão congênita)
A transmissão congênita acontece quando a gestante adquire a infecção primária durante a gravidez, pois a parasitemia transitória permite a passagem transplacentária do parasita. Mulheres com infecção crônica prévia, evidenciada por sorologia positiva antes da concepção, raramente transmitem o parasita ao feto, exceto em situações de imunossupressão grave ou reativação documentada.
O papel dos gatos e outros reservatórios ambientais
Embora os felídeos sejam hospedeiros definitivos e eliminem oocistos, o contato direto com gatos domésticos saudáveis representa risco limitado, especialmente se o animal vive exclusivamente em ambientes internos e não caça. A eliminação de oocistos ocorre por período curto de 1 a 3 semanas, geralmente após a primoinfecção felina, e os oocistos recém-eliminados exigem esporulação de um a cinco dias para tornarem-se infectantes.
Fatores que aumentam o risco de exposição:
- Fezes de gatos desconhecidos ou de vida livre
- Solo contaminado e jardins com circulação de felídeos
- Caixas de areia não higienizadas regularmente
- Água não tratada
- Hortaliças cultivadas em solo exposto
- Utensílios de cozinha mal higienizados após manipulação de carne crua
Infecção prévia versus infecção adquirida na gestação
Gestantes com sorologia prévia positiva para IgG anti-Toxoplasma, indicando infecção crônica, apresentam imunidade protetora que impede nova infecção e transmissão congênita em condições normais de imunocompetência.
Por outro lado, gestantes soronegativas permanecem suscetíveis e devem ser monitoradas sorologicamente durante o pré-natal para identificação precoce de soroconversão, que sinaliza infecção aguda e risco de acometimento fetal.
A primoinfecção materna durante a gestação desencadeia resposta imune celular e humoral, mas o tempo necessário para controle parasitário pode permitir a invasão placentária e fetal. A magnitude do risco de transmissão e a gravidade das lesões fetais dependem da idade gestacional no momento da infecção materna.
Sintomas maternos e riscos para o feto
A toxoplasmose materna adquirida durante a gestação costuma ser oligossintomática ou completamente assintomática, dificultando o diagnóstico clínico e reforçando a necessidade de rastreio laboratorial sistemático.
Manifestações clínicas na gestante
A ausência de sintomas evidentes na maioria das gestantes infectadas impede a identificação de casos sem triagem sorológica, retardando o início do tratamento e aumentando o risco de transmissão congênita e sequelas na criança.
Quando presentes, os sintomas incluem:
- Linfonodomegalia cervical ou occipital
- Febre baixa
- Mialgia
- Astenia
- Exantema discreto (ocasional)
Esse quadro inespecífico pode ser confundido com infecções virais benignas. Os sintomas constitucionais leves, quando ocorrem, duram poucos dias e resolvem espontaneamente, mas a parasitemia e a possibilidade de invasão placentária persistem independentemente da resolução clínica materna.
Saiba mais: Toxoplasmose na gestação: o que mudou com a diretriz de 2022?
Risco de transmissão conforme idade gestacional
A taxa de transmissão vertical aumenta com a progressão da gestação:
| Trimestre | Taxa de transmissão | Gravidade das lesões |
| Primeiro trimestre | 10–15% | Maior gravidade (aborto, malformações, comprometimento neurológico extenso) |
| Segundo trimestre | 25–30% | Gravidade intermediária |
| Terceiro trimestre | 60–80% | Menor gravidade (quadros assintomáticos ou subclínicos) |
Essa variação se relaciona com o aumento da permeabilidade placentária e da vascularização feto-placentária ao longo da gravidez. Contudo, a gravidade das lesões fetais segue lógica inversa: infecções adquiridas precocemente associam-se a manifestações mais graves.
Infecções tardias, embora mais frequentemente transmitidas, costumam resultar em quadros assintomáticos ao nascimento ou manifestações subclínicas detectadas apenas em seguimento especializado prolongado.
Complicações da toxoplasmose congênita
A toxoplasmose congênita pode manifestar-se por tríade clássica de coriorretinite, calcificações intracranianas e hidrocefalia, embora essa apresentação completa seja rara e associada a infecções precoces graves.
Principais complicações fetais e neonatais:
- Oftalmológicas: lesões de retina uni ou bilaterais, com risco de perda visual progressiva
- Neurológicas: calcificações cerebrais difusas, hidrocefalia, atraso do desenvolvimento, convulsões, déficits motores
- Sistêmicas: hepatoesplenomegalia, icterícia, anemia, trombocitopenia, pneumonite, miocardite
- Tardias: coriorretinite recorrente, perda auditiva neurossensorial, déficits cognitivos
Recém-nascidos assintomáticos ao nascimento podem desenvolver complicações ao longo da infância, reforçando a importância do acompanhamento multidisciplinar prolongado e mesmo de tratamento.
A relação entre toxoplasmose e aborto espontâneo ou perda fetal é bem documentada em infecções do primeiro trimestre, período em que a resposta inflamatória placentária e a invasão trofoblástica pelo parasita podem comprometer a viabilidade gestacional.
Diagnóstico da toxoplasmose na gravidez
O diagnóstico fundamenta-se em rastreio sorológico sistemático no pré-natal, permitindo identificar gestantes suscetíveis, detectar soroconversão e orientar investigação complementar quando necessário. A interpretação adequada dos testes de triagem exige compreensão das limitações técnicas dos ensaios e das cinéticas de anticorpos IgG e IgM.
Rastreio sorológico e interpretação
O rastreio inicial deve incluir dosagem simultânea de IgG e IgM anti-Toxoplasma, preferencialmente na primeira consulta pré-natal.
| IgG | IgM | Interpretação | Conduta |
| ➕ | ➖ | Infecção crônica prévia | Proteção fetal; dispensar investigações adicionais* |
| ➖ | ➖ | Suscetibilidade | Repetir sorologia mensal ou trimestral |
| ➕ ou ➖ | ➕ | Possível infecção aguda | Avaliar avidez de IgG; investigar datação |
*Salvo imunossupressão documentada
A presença de IgM positivo, isoladamente ou associada a IgG positivo, sinaliza possível infecção aguda, mas enfrenta limitações diagnósticas significativas: persistência de IgM por meses ou anos após infecção pregressa, resultados falso-positivos por reações cruzadas e variabilidade entre métodos laboratoriais.
Teste de avidez de IgG
O teste de avidez de IgG avalia a força de ligação entre anticorpos e antígenos, aumentando progressivamente após a infecção primária.
- Avidez baixa: sugere infecção recente (geralmente nos últimos 3–4 meses)
- Avidez alta: indica infecção ocorrida há mais de 4 meses, reduzindo probabilidade de infecção na gestação atual
- Avidez intermediária: limita a interpretação; exige seguimento sorológico sequencial
Interpretação combinada:
- IgM ➕ + alta avidez de IgG se colhido até 16 semanas: infecção provavelmente prévia à concepção (tranquiliza quanto ao risco fetal)
- IgM ➕ + baixa avidez de IgG: investigação complementar obrigatória
Resultados falso-positivos de IgM são comuns em ensaios imunoenzimáticos menos específicos, reforçando a importância de confirmação em laboratórios de referência e interpretação conjunta com avidez de IgG, contexto clínico e epidemiológico. Considerando que e o teste de avidez avalia apenas o IgG no caso da sorologia apresentar apenas o IgM positivo deve ser repetido o exame para avaliar o aparecimento do IgG para confirmar a soroconversão e a doença aguda.
Considerando que o teste de avidez avalia apenas o IgG, nos casos em que a sorologia apresentar apenas IgM positivo, o exame deve ser repetido para avaliar o aparecimento de IgG, confirmar a soroconversão e caracterizar doença aguda.
Saiba mais: Como interpretar o teste de avidez de IgG para toxoplasmose congênita
PCR em líquido amniótico e ultrassom fetal
Quando a infecção materna aguda é confirmada ou fortemente suspeita, a investigação de infecção fetal pode ser realizada por PCR para Toxoplasma gondii em líquido amniótico, obtido por amniocentese:
- Momento ideal: após 18 semanas de gestação e, preferencialmente, 4 semanas após infecção materna presumida
- Sensibilidade: 60–80%
- Especificidade: >95%
Interpretação:
- PCR positiva: confirma infecção fetal; orienta tratamento específico e seguimento intensivo
- PCR negativa: não exclui completamente infecção, especialmente em coletas precoces ou gestantes sob tratamento antitoxoplasmose
O ultrassom morfológico fetal complementa a investigação, identificando sinais sugestivos de toxoplasmose congênita grave:
- Calcificações intracranianas
- Dilatação ventricular
- Hepatoesplenomegalia
- Ascite
- Espessamento placentário
- Crescimento intrauterino restrito
A ausência de alterações ultrassonográficas não descarta infecção fetal assintomática, mas tranquiliza quanto a formas graves.
Tratamento e acompanhamento da gestante
O tratamento visa reduzir o risco de transmissão congênita quando iniciado precocemente após infecção materna e atenuar a gravidade das lesões fetais caso a infecção congênita esteja confirmada ou seja altamente provável. A escolha do esquema terapêutico depende da confirmação de infecção fetal, da idade gestacional e da disponibilidade de medicamentos.
Esquemas terapêuticos
- Gestantes com infecção materna aguda confirmada, sem evidência de infecção fetal:
- Espiramicina: 1 g VO a cada 8 horas, mantida até o parto
- Macrolídeo que concentra-se na placenta, reduzindo transmissão vertical
- Não atravessa efetivamente a barreira placentária para tratar infecção fetal estabelecida
- Infecção fetal confirmada ou fortemente suspeitada:
- Após primeiro trimestre: pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico
- Maior penetração fetal
- Pirimetamina tem risco teratogênico nas primeiras semanas
- No primeiro trimestre (até pirimetamina ser segura): sulfadiazina + espiramicina
Monitorização obrigatória:
- Hemograma periódico
- Função hepática
- Função renal
- Suplementação de ácido folínico (previne toxicidade medular da pirimetamina)
Seguimento obstétrico e neonatal
Gestantes com toxoplasmose confirmada devem ser acompanhadas por equipe multidisciplinar:
- Obstetra
- Infectologista ou especialista em medicina fetal
- Ultrassonografias seriadas mensais
Avaliação neonatal obrigatória (mesmo em casos assintomáticos):
- Exame oftalmológico com fundo de olho
- Neuroimagem
- Sorologia neonatal
Seguimento pós-natal prolongado:
- Infectologia pediátrica
- Oftalmologia (manifestações tardias, especialmente coriorretinite recorrente, podem surgir meses ou anos após o nascimento)
- Tratamento prolongado no primeiro ano de vida para crianças com toxoplasmose congênita, independentemente de sintomas
Prevenção da toxoplasmose na gestação
A prevenção baseia-se em medidas de educação alimentar e de higiene direcionadas a gestantes soronegativas, população vulnerável à infecção primária. Estratégias simples de prevenção primária reduzem significativamente o risco de exposição ao parasita.
Medidas de prevenção alimentar
Carnes:
- Cocção completa a temperaturas >67°C em toda a extensão do alimento
- Congelamento a -20°C por pelo menos 48 horas antes do preparo
- Evitar carnes processadas artesanalmente (linguiças frescas) ou cozinhar completamente
- Higienização adequada após manipulação de carnes cruas
Frutas, verduras e legumes:
- Lavagem rigorosa em água corrente abundante
- Imersão em solução clorada
Água:
- Filtração ou fervura antes da ingestão (fontes de procedência duvidosa)
Higiene cruzada:
- Higienizar utensílios de cozinha, tábuas de corte e mãos após manipulação de carne crua
Medidas de prevenção ambiental
Contato com solo:
- Uso de luvas em atividades de jardinagem
- Lavagem cuidadosa das mãos
Convívio com gatos:
- Evitar limpeza de caixas de areia (delegar a outros membros da família)
- Higienização diária da caixa com água fervente (inativa oocistos)
- Manter gatos domésticos em ambientes internos, sem acesso a caça
Educação e acompanhamento sorológico
A orientação clara e objetiva sobre formas de transmissão e medidas preventivas deve ser fornecida na primeira consulta pré-natal, reforçada ao longo do acompanhamento e documentada em prontuário.
Gestantes soronegativas:
- Sorologia de controle mensal ou trimestral
- Identificação precoce de soroconversão
- Início imediato de tratamento e investigação fetal quando indicada
A investigação epidemiológica detalhada (hábitos alimentares, presença de animais domésticos, exposição a solo e fontes de água) auxilia na identificação de fatores de risco individuais e direciona orientações personalizadas.
Pesquisas recentes, diretrizes e atualização profissional
O diagnóstico e manejo da toxoplasmose na gravidez evoluem continuamente com o desenvolvimento de novos métodos laboratoriais, revisão de estratégias terapêuticas e publicação de diretrizes nacionais e internacionais baseadas em evidências científicas acumuladas.
Avanços em métodos laboratoriais
Ensaios sorológicos de nova geração, com maior especificidade para detecção de IgM e IgA, reduzem a ocorrência de resultados falso-positivos e melhoram a acurácia diagnóstica de infecção aguda. Técnicas moleculares aprimoradas ampliam a sensibilidade da PCR em líquido amniótico, sangue fetal ou tecidos placentários, contribuindo para detecção mais precoce de transmissão congênita.
Diretrizes nacionais
Diretrizes brasileiras publicadas por sociedades médicas especializadas recomendam:
- Rastreio universal de gestantes no primeiro trimestre
- Seguimento sorológico de soronegativas
- Protocolos de tratamento alinhados a evidências internacionais
Discrepâncias regionais na prevalência de infecção, acesso a métodos diagnósticos avançados e disponibilidade de medicamentos específicos influenciam a implementação local das recomendações.
Estratégias para atualização contínua
Profissionais envolvidos no cuidado pré-natal e neonatal devem manter-se atualizados sobre:
- Modificações em protocolos diagnósticos
- Interpretação de testes sorológicos
- Indicações de amniocentese
- Esquemas terapêuticos
- Seguimento pós-natal
Recursos recomendados:
- Programas de educação médica continuada
- Diretrizes atualizadas de sociedades especializadas (FEBRASGO, Ministério da Saúde)
- Análise crítica de estudos recentes
- Discussão multidisciplinar de casos complexos
- Acesso a centros de referência em medicina fetal e infectologia
Desafios persistem na padronização de métodos laboratoriais entre diferentes serviços, na interpretação de resultados discordantes e na definição de condutas em situações limítrofes.
Perguntas frequentes sobre toxoplasmose na gestação
- Gestantes que tiveram contato com gatos devem sempre fazer exames?
Sim. O rastreio sorológico para toxoplasmose é recomendado para todas as gestantes no primeiro trimestre, independentemente de contato com gatos. O contato direto com gatos domésticos saudáveis representa risco limitado, mas outras vias de transmissão (carne mal-passada, água e solo contaminados) são igualmente importantes.
- IgMpositivo sempre significa infecção recente?
Não. O IgM pode permanecer detectável por meses ou até anos após infecção pregressa, e resultados falso-positivos são comuns. A interpretação deve ser complementada pelo teste de avidez de IgG, repetição sorológica sequencial e contexto clínico.
- O tratamento da gestante impede completamente a transmissão ao feto?
O tratamento reduz significativamente o risco de transmissão congênita quando iniciado precocemente, mas não garante proteção absoluta. Por isso, o seguimento fetal com ultrassom e, quando indicado, PCR em líquido amniótico permanece necessário.
- Recém-nascidos assintomáticos precisam de acompanhamento?
Sim. Manifestações tardias, especialmente coriorretinite recorrente, perda auditiva e déficits cognitivos, podem surgir meses ou anos após o nascimento. Crianças com toxoplasmose congênita devem receber tratamento prolongado no primeiro ano de vida e acompanhamento multidisciplinar por infectologia pediátrica e oftalmologia.
- Qual a diferença entre toxoplasmose aguda e crônica na gestação?
Toxoplasmose crônica indica infecção prévia à concepção, confirmada por IgG positivo e IgM negativo, conferindo proteção ao feto. Toxoplasmose aguda é a infecção adquirida durante a gestação, representando risco de transmissão congênita e necessidade de tratamento.
- Gestantes soronegativas devem evitar completamente o contato com gatos?
Não necessariamente. O risco está relacionado à exposição a fezes contaminadas, não ao contato direto com o animal. Gestantes soronegativas podem conviver com gatos domésticos saudáveis desde que deleguem a limpeza de caixas de areia e mantenham higiene adequada.
- Como diferenciar toxoplasmose de outras infecções congênitas?
O diagnóstico diferencial com outras infecções do grupo TORCH (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes) baseia-se em sorologia específica, achados clínicos e ultrassonográficos característicos. Calcificações intracranianas difusas e coriorretinite são mais sugestivas de toxoplasmose, mas a confirmação exige testes laboratoriais específicos.
Conclusão
A toxoplasmose na gravidez exige abordagem estruturada baseada em rastreio sorológico sistemático, interpretação criteriosa de testes de triagem, tratamento oportuno e acompanhamento especializado multidisciplinar. A identificação precoce de infecção materna aguda, a avaliação do risco de transmissão congênita e a intervenção terapêutica adequada reduzem significativamente a morbidade fetal e neonatal.
Pontos-chave para a prática clínica:
- Rastreio universal no primeiro trimestre
- Seguimento sorológico mensal ou trimestral de gestantes soronegativas
- Interpretação combinada de IgG, IgM e avidez de IgG
- Tratamento precoce com espiramicina em infecção materna sem confirmação fetal
- Investigação fetal por PCR e ultrassom em casos confirmados ou suspeitos
- Educação preventiva direcionada a gestantes suscetíveis
- Acompanhamento neonatal prolongado, mesmo em casos assintomáticos
Medidas preventivas simples, direcionadas a gestantes suscetíveis, constituem estratégia eficaz de proteção primária, enquanto a educação continuada de profissionais de saúde garante manejo atualizado e fundamentado em evidências científicas sólidas.
Autoria

Jandrei Rogério Markus
Conteudista médico na Afya. Graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Residência Médica em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela UFPR. Especialização em Dermatologia Pediatria pela UFPR. Mestrado em Saúde da Criança e do Adolescente na área de Infectologia Pediátrica. Doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente na área de Dermatologia Pediátrica. Pós-graduado em Controle de Infecções Hospitalar pelo Centro Universitário do Vale da Ribeira. Atuando como médico infectologista pediátrico no Hospital e Maternidade Dona Regina (HMDR) e do Hospital Geral Público de Palmas (HGPP). Médico do Serviço de Controle de Infecções da UTI Neonatal do HMDR, UTI Pediátrica do HGPP e da UTI adulto do HGPP. Professor de Pediatria da Afya Faculdade de Ciências Médicas em Porto Nacional, Tocantins. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Pediátrica. Presidente do Departamento Cientifico de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
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