O 1º Congresso Mundial de Urgências e Emergências Pediátricas, realizado em São Paulo/SP, de 25 a 28 de março, reúne especialistas nacionais e internacionais para discutir temas relevantes da prática pediátrica. Na mesa-redonda “Meu filho ficou roxo”, temas relacionados à alteração do nível de consciência foram abordados.
O Dr. Simon Craig, da Austrália, destacou a importância da anamnese e do exame físico detalhados na avaliação da perda de consciência, a fim de permitir a identificação de sinais de alerta que indiquem necessidade de intervenção mais precoce.
Síncope: definição, tipos e desencadeantes
Ressaltou que a síncope resulta da hipoperfusão cerebral, causando perda súbita da consciência e do tônus postural. A forma vasovagal é a mais comum e geralmente precedida por pródromos como náuseas, tontura e palidez, sendo desencadeada por fatores como permanência prolongada em pé, calor, desidratação e estímulos emocionais ou dolorosos. Já a síncope situacional ocorre diante de estímulos específicos, como micção, evacuação, tosse ou espirro.
Síndrome da taquicardia postural ortostática (POTS)
Também foi discutida a síndrome da taquicardia postural ortostática (POTS), uma condição de intolerância à posição em ortostase, mais frequente em adolescentes do sexo feminino. É caracterizada por aumento acentuado da frequência cardíaca ao assumir a posição ortostática, sem queda da pressão arterial associada. Os sintomas incluem palpitações, tontura, tremores e fadiga, podendo evoluir para síncope vasovagal. A falta de condicionamento físico é uma de suas causas.
Síncope de origem cardíaca: sinais de alerta
Em relação à síncope de origem cardíaca, foram enfatizados sinais de alerta como antecedente prévio de cardiopatia, alterações na ausculta cardíaca, episódios durante esforço e história familiar de morte súbita. Ressaltou-se a importância do eletrocardiograma na investigação inicial, bem como o risco de desfechos graves quando essa etiologia não é prontamente reconhecida.
Diferenças entre síncope e crise epiléptica
Na diferenciação entre síncope e crise epiléptica, enfatizou que a síncope costuma apresentar gatilhos identificáveis, pródromos autonômicos, recuperação rápida da consciência e ausência de confusão prolongada, embora possa haver fadiga. Por outro lado, crises epilépticas tendem a cursar com movimentos tônico-clônicos ou focais, mordedura de língua, liberação esfincteriana, período pós-ictal prolongado, presença de aura, maior duração da inconsciência e possíveis déficits neurológicos residuais.
Importância da avaliação clínica na emergência
Nesse contexto, reforça-se que a avaliação clínica criteriosa, baseada em anamnese dirigida e identificação de sinais de alarme, é essencial para diferenciar quadros de baixo risco daqueles potencialmente graves, orientando a necessidade de investigação complementar e garantindo maior segurança na condução do paciente na emergência pediátrica.

Live Afya
Acompanhe no dia 30/03, às 19h, a live com os destaques do 1º Congresso Mundial, em conjunto com o 5º Congresso Brasileiro e o 5º Congresso Paulista de Urgências e Emergências Pediátricas, realizado entre 25 e 28 de março em São Paulo/SP.
Link para se inscrever na live: https://io.pedpapers.com.br/blog-cong-mundial-ped-2026
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Autoria

Roberta Esteves Vieira de Castro
Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora adjunta de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação ⦁ Instagram: @draroberta_pediatra
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