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Pediatria12 dezembro 2023

Prematuridade e o maior risco de apendicite no primeiro ano de vida

Estudo analisou pacientes com menos de 1 ano de idade com diagnóstico de apendicite confirmada por cirurgia ou necrópsia e sua relação com a prematuridade.

Infelizmente, a prematuridade está associada a morbidade e mortalidade significativas: as complicações do parto prematuro resultam em, aproximadamente, 1 milhão de óbitos entre crianças com menos de 5 anos de idade, sendo, portanto, a principal causa de mortalidade nessa faixa etária.

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A emergência cirúrgica abdominal mais frequente em pediatria é a apendicite. Lactentes raramente apresentam apendicite, representando somente 0,1% a 0,34% de todos os casos em pediatria. Dessa forma, o diagnóstico e o tratamento tardios são quase certos. Portanto, a apendicite infantil continua a ser uma condição potencialmente fatal, com taxas de mortalidade relatadas na literatura de 78% no período de 1901 a 1975 e de 23% de 1990 a 2014.

Bebês prematuros são suscetíveis a infecções devido à imaturidade de seu sistema imunológico em desenvolvimento. Dessa forma, acredita-se que eles possam apresentar um risco elevado de apendicite. No entanto, a associação potencial entre prematuridade e apendicite infantil ainda não havia sido explorada e foi o objetivo de um recente estudo chinês publicado no periódico Pediatrics.

Prematuridade e o maior risco de apendicite no primeiro ano de vida

Metodologia do estudo sobre prematuridade e apendicite

Foi conduzido um estudo de caso-controle retrospectivo, multicêntrico e pareado, sendo incluídos pacientes consecutivos, admitidos entre dezembro de 2007 e maio de 2023, com menos de 1 ano de idade com diagnóstico de apendicite confirmada por cirurgia (apendicectomia, laparotomia, laparotomia exploradora) ou necrópsia.

Os critérios de exclusão foram:

  1. Achado intraoperatório de um apêndice de aparência normal;
  2. Achados patológicos não consistentes com apendicite;
  3. Casos com inflamação abdominal difusa nos quais não se sabe se a apendicite foi a causa primária;
  4. Enterocolite necrosante (necrotizing enterocolitis – NEC) comórbida;
  5. Diverticulite de Meckel comórbida;
  6. Doença de imunodeficiência comórbida ou malignidade.

Para cada caso, 10 controles saudáveis foram selecionados de um grupo com mais de 10.000 bebês saudáveis ambulatorialmente. Os controles foram selecionados aleatoriamente e pareados por idade. Os critérios de exclusão incluíram história de apendicite aguda ou crônica, história de fecálito apendicular e doença de imunodeficiência ou malignidade. Por fim, os bebês foram categorizados como neonatos (0 a 28 dias) ou bebês mais velhos (> 28 dias e < 1 ano).

Resultados

Foram incluídos:

  • 106 bebês com diagnóstico de apendicite com idade mediana de 2,4 meses, sendo 33 do sexo feminino (31,1%) e 73 bebês do sexo masculino (68,9%). Houve 39 casos no “grupo neonatal” e 67 no “grupo de bebês mais velhos”;
  • 1.060 bebês controles saudáveis de mesma idade, com idade mediana de 2,4 meses, sendo 492 do sexo feminino (46,4%) e 568 bebês do sexo masculino (53,6%).

Na análise univariada, os fatores associados a um maior risco de apendicite no primeiro ano de vida foram:

  • Prematuridade (odds ratio [OR], 4,23; intervalo de confiança de 95% [IC 95%], 2,67–6,70);
  • Sexo masculino (OR, 1,91; IC 95%, 1,25–2,94);
  • Escore z de peso para idade (OR, 0,72; IC 95%, 0,64–0,81);
  • Bebês alimentados exclusivamente com fórmula (OR, 2,95; IC95%, 1,77–4,91).

Nas análises multivariadas, a prematuridade permaneceu significativamente associada à apendicite (OR ajustado, 3,32; IC95%, 1,76–6,24).

A análise de subgrupo mostrou que uma história de nascimento prematuro aumentou o risco de apendicite tanto no “grupo neonatos” (OR ajustado, 4,56; IC 95%, 2,14–9,71) quanto no “grupo de bebês mais velhos” (OR ajustado, 3,63; IC 95%, 1,72–7,65). No entanto, a prematuridade não influenciou significativamente a incidência de perfuração apendicular (OR = 0,79; IC 95%, 0,32-1,91).

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Conclusões 

O estudo demonstrou que bebês prematuros apresentam risco aumentado de apendicite durante o primeiro ano de vida. Consequentemente, uma história de prematuridade deve ser considerada no algoritmo diagnóstico de apendicite infantil. No entanto, conforme descrito pelos pesquisadores, estudos futuros são necessários para ampliar o conhecimento da apendicite infantil e promover o diagnóstico oportuno.

Comentários sobre prematuridade e apendicite

A associação entre prematuridade e apendicite em bebês com menos de 1 ano é um tema relevante e desafiador na pediatria. Bebês nascidos prematuramente frequentemente apresentam sistemas imunológicos menos desenvolvidos e órgãos imaturos, aumentando sua vulnerabilidade a diversas condições de saúde. A apendicite pode ser particularmente preocupante nesse grupo, pois os sintomas podem ser difíceis de identificar em bebês tão pequenos. O desafio diagnóstico reside na dificuldade de reconhecimento precoce dos sinais clínicos, muitas vezes mascarados por outros desconfortos comuns em neonatos e lactentes. Portanto, profissionais de saúde devem estar atentos a qualquer sinal de desconforto abdominal, irritabilidade persistente ou alterações no padrão alimentar, considerando a possibilidade de apendicite para garantir diagnóstico e tratamento adequados.

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Referências bibliográficas

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