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PediatriaABR 2022

OMS alerta para casos de hepatite aguda grave de causa desconhecida em crianças

A OMS publicou um alerta, no último dia 23, para um aumento no número de casos de hepatite aguda de etiologia desconhecida em crianças.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) publicaram um alerta, no último dia 23, para um aumento no número de casos de hepatite aguda de etiologia desconhecida em crianças. Até 21 de abril de 2022, pelo menos 169 casos de hepatite aguda de etiologia desconhecida foram reportados em 11 países da Europa e nos Estados Unidos da América.

Os casos foram observados em crianças sadias de 1 mês a 16 anos de idade. Aproximadamente 10% dos pacientes necessitaram de transplante hepático e uma morte foi relatada.

médico consultando criança com hepatite aguda grave de causa desconhecida

Hepatite aguda grave

A síndrome clínica se caracteriza por elevação importante de enzimas hepáticas (AST e ALT superior a 500 U/L), icterícia e sintomas gastrointestinais, como diarreia, dor abdominal e vômito. A maioria dos casos não apresentou febre. Vírus sabidamente relacionados à hepatite aguda (A, B, C, D e E) foram descartados. Até a presente data, não se observou relação com viagens ou links epidemiológicos.

Segundo o ECDC, as hipóteses iniciais da equipe de incidentes no Reino Unido em torno da origem etiológica dos casos giravam em torno de um agente infeccioso ou de uma possível exposição tóxica. Nenhum vínculo com a vacina contra a covid-19 foi identificado e informações detalhadas coletadas por meio de um questionário para casos sobre alimentos, bebidas e hábitos pessoais não identificaram nenhuma exposição comum.

As investigações toxicológicas estão em andamento, mas uma etiologia infecciosa é considerada mais provável devido ao quadro epidemiológico e às características clínicas dos pacientes.

O adenovírus foi detectado em pelo menos 74 casos, e naqueles com diagnóstico molecular foi identificado o adenovírus F tipo 41. O vírus SARS-CoV-2 foi relatado em 20 casos, 19 em concomitância com o adenovírus. Embora o adenovírus seja uma hipótese, até o momento, ele não explica totalmente a gravidade do quadro clínico. A infecção por adenovírus tipo 41 não foi previamente associada a hepatite grave em crianças sadias. Os adenovírus são patógenos comuns que geralmente causam infecções autolimitadas. Outras explicações infecciosas e não infecciosas precisam ser excluídas.

Definição de caso

A Organização Mundial da Saúde sugere a identificação, investigação e notificação de todos os casos potenciais de hepatite que se enquadrem na seguinte definição de caso:

  • Suspeito: indivíduo com hepatite aguda (não hepatite A, B, C, D, E) com transaminase sérica >500 UI/L (AST ou ALT), com 16 anos ou menos, desde 1º de janeiro de 2021;
  • Vínculo epidemiológico: indivíduo com hepatite aguda (não hepatite A, B, C, D, E) de qualquer idade que seja um contato próximo de um caso confirmado, desde 1º de janeiro de 2021.

De acordo com a OMS, recomenda-se que sejam realizados testes de sangue, soro, urina, fezes e amostras respiratórias, bem como amostras de biópsia hepática (quando disponíveis), com caracterização adicional do vírus, incluindo sequenciamento. Outras causas infecciosas e não infecciosas precisam ser minuciosamente investigadas.

Ademais, a OMS não recomenda nenhuma restrição de viagens e/ou comércio com o Reino Unido, ou qualquer outro país onde os casos sejam identificados, com base nas informações atualmente disponíveis.

Linha do tempo

05 de abril de 2022

Um aumento nos casos de hepatite aguda de etiologia desconhecida entre crianças previamente saudáveis ​​com menos de 10 anos na Escócia foi relatado pelo Reino Unido.

08 de abril de 2022

Investigações adicionais em todo o Reino Unido identificaram um total de 74 casos (incluindo os 10 casos) que cumprem a definição de caso. A síndrome clínica nos casos identificados é de hepatite aguda com enzimas hepáticas acentuadamente elevadas, muitas vezes com icterícia, às vezes precedida por sintomas gastrointestinais, principalmente em crianças de até 10 anos de idade. Alguns casos exigiram transferência para unidades especializadas em hepatologia infantil e seis crianças foram submetidas a transplante de fígado.

11 de abril de 2022

Até essa data, nenhuma morte foi relatada entre esses casos e um caso epidemiologicamente relacionado foi detectado.

12 de abril de 2022

O Reino Unido informou que, além dos casos na Escócia, havia aproximadamente 61 casos adicionais sob investigação na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte (a maioria desses casos em crianças com idades entre 2 e 5 anos).

14 de abril de 2022

  • A Escócia informou que, dos 13 casos sob investigação, dois pares de casos tinham epidemiologia associada.
    15 de abril de 2022.
  • A OMS divulga nota alertando sobre casos de hepatite aguda de etiologia desconhecida no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.

21 de abril de 2022

O CDC emite alerta destacando que está atualmente trabalhando com o Departamento de Saúde Pública do Alabama para investigar um conjunto de nove casos de hepatite de origem desconhecida em crianças com idades entre 1 e 6 anos, todas previamente saudáveis. Nenhuma dessas crianças estava no hospital por causa de uma infecção atual por SARS-CoV-2. Os primeiros casos nos Estados Unidos foram identificados em outubro de 2021 em um hospital infantil no Alabama que admitiu cinco crianças com lesão hepática significativa, incluindo algumas com insuficiência hepática aguda, sem causa conhecida, que também testaram positivo para adenovírus. Os vírus da hepatite A, hepatite B e hepatite C foram descartados.

23 de abril de 2022

A OMS declara que, até 21 de abril, pelo menos 169 casos de hepatite aguda de origem desconhecida foram relatados em 11 países da Região Europeia da OMS e um país na Região das Américas da OMS. Foram notificados casos na Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (Reino Unido) (114), Espanha (13), Israel (12), Estados Unidos da América (9), Dinamarca (6), Irlanda (< 5), Holanda (4), Itália (4), Noruega (2), França (2), Romênia (1) e Bélgica (1). De acordo com a OMS, nessa data, ao menos um óbito foi confirmado e 17 crianças foram submetidas a transplante hepático.]

Texto produzido em colaboração:

  • Roberta Esteves: Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro ⦁ Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) 
  • Guilherme Grossi: Residência médica em Clínica Médica e Gastroenterologia pelo HC-UFMG ⦁ Mestrado em saúde do adulto com ênfase em Gastroenterologia pela Faculdade de Medicina da UFMG ⦁ Chefe da Gastrohepatologia do Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais ⦁ Preceptor de hepatologia e clínica médica do HC-UFMG ⦁ Membro da AASLD, SBH, GEDIIB.
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Referências bibliográficas

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