Logotipo Afya
Anúncio
Pediatria29 julho 2026

M-CHAT-R/F no rastreamento precoce do TEA: qual é a acurácia?

Revisão sistemática compara o M-CHAT-R/F a outras ferramentas de triagem do TEA e analisa desempenho por idade e contexto.
Por Roberta Castro

O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento com prevalência crescente. Dessa forma, há necessidade de uma identificação precoce, precisa e oportuna para melhorar os desfechos do desenvolvimento.

A escala de rastreio Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-Up (M-CHAT-R/F) é a ferramenta mais utilizada para crianças de 16 a 30 meses, tendo demonstrado alta precisão diagnóstica. No entanto, existem incertezas quanto ao momento ideal de aplicação, ao desempenho em diferentes populações e à eficácia comparativa em relação a instrumentos mais recentes de triagem.

Saiba mais: TEA: evidências em rastreio, diagnóstico e rede de cuidado [ebook]

Esta revisão sistemática, publicada no Family Medicine and Community Health, comparou o desempenho diagnóstico do M-CHAT-R/F com outras ferramentas de rastreio do TEA. Além disso, o estudo avaliou medidas como sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VPP) e valor preditivo negativo (VPN) em diversos contextos clínicos e demográficos.

transtorno do espectro autista

Como a revisão sistemática avaliou as ferramentas de triagem

A revisão sistemática foi realizada em conformidade com as diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Os pesquisadores utilizaram uma síntese narrativa para integrar os achados de diversos desenhos de estudo. Já a qualidade metodológica foi avaliada por meio da lista de verificação do Joanna Briggs Institute. As seguintes bases de dados foram pesquisadas: Scopus, PubMed, ScienceDirect e ProQuest. A revisão foi conduzida entre outubro e novembro de 2025.

Os critérios de elegibilidade foram artigos em inglês, revisados por pares e publicados de 1º de janeiro de 2020 a 9 de outubro de 2025. Além disso, também foram incluídos estudos com abordagem observacional (coorte, transversal ou caso-controle) e pesquisas que compararam diretamente a acurácia de rastreamento do M-CHAT-R/F com a de outras ferramentas de rastreamento.

Os critérios de exclusão foram cartas, estudos de caso, relatos de caso, editoriais ou revisões, além de pesquisas que se concentraram no rastreamento de TEA e daquelas que enfatizaram apenas o método M-CHAT-R/F, sem qualquer comparação com outros instrumentos.

Saiba mais: AAP 2025: Atualizações em autismo na prática pediátrica

Desempenho do M-CHAT-R/F varia entre estudos e faixas etárias

Foram identificados 172 artigos e analisados seis estudos de alta qualidade, publicados entre 2021 e 2025. No total, a busca obteve 12.633 participantes com idades entre 12 e 48 meses.

Embora a sensibilidade do M-CHAT-R/F para detectar casos potenciais fosse altamente inconsistente, seu VPN manteve-se consistentemente alto, identificando de forma confiável as crianças com resultado negativo na triagem. Por outro lado, o M-CHAT-R/F demonstrou especificidade variável e um VPP persistentemente baixo, indicando uma carga substancial de falsos-positivos e menor confiança nos resultados positivos. Além disso, a acurácia da ferramenta mostrou-se fortemente dependente da idade: o desempenho teve queda fora da faixa ideal de 16 a 30 meses em comparação com outras ferramentas especializadas.

O que os achados permitem concluir

Os pesquisadores concluíram que, devido ao número limitado de estudos incluídos na análise e à heterogeneidade substancial dessas pesquisas, as conclusões resultantes devem ser interpretadas com cautela. Os achados apontaram limitações notáveis no desempenho da ferramenta M-CHAT-R/F, porém são insuficientes para embasar recomendações definitivas contra a sua aplicação universal, considerando políticas públicas. Dessa forma, o estudo mostra que os profissionais e sistemas de saúde poderiam considerar a exploração de fluxos de rastreamento escalonados e específicos por faixa etária, levando em conta a variabilidade observada no desempenho da ferramenta ao longo dos diferentes estágios do desenvolvimento. Todavia, novas pesquisas são necessárias devido à limitação de evidências empíricas robustas que sustentem diretamente a eficácia de tais estratégias.

Mensagem prática para o rastreamento do TEA

Essa é uma revisão muito interessante que reforça que a triagem para autismo não deve basear-se exclusivamente no M-CHAT-R/F. Portanto, esse estudo reforça a necessidade de uma avaliação cuidadosa e multidisciplinar para o diagnóstico do TEA.

Saiba mais: Recomendações para o diagnóstico, investigação e abordagem terapêutica do TEA

Autoria

Foto de Roberta Castro

Roberta Castro

Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Faculdade de Medicina de Valença, com residência em pediatria e medicina intensiva pediátrica. Mestrado (UFF). Doutorado (UERJ). Além da atuação na Afya, atua como professora de pediatria (UERJ), rotina da enfermaria de pediatria (UERJ) e consultório particular.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Pediatria