O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento com prevalência crescente. Dessa forma, há necessidade de uma identificação precoce, precisa e oportuna para melhorar os desfechos do desenvolvimento.
A escala de rastreio Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-Up (M-CHAT-R/F) é a ferramenta mais utilizada para crianças de 16 a 30 meses, tendo demonstrado alta precisão diagnóstica. No entanto, existem incertezas quanto ao momento ideal de aplicação, ao desempenho em diferentes populações e à eficácia comparativa em relação a instrumentos mais recentes de triagem.
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Esta revisão sistemática, publicada no Family Medicine and Community Health, comparou o desempenho diagnóstico do M-CHAT-R/F com outras ferramentas de rastreio do TEA. Além disso, o estudo avaliou medidas como sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VPP) e valor preditivo negativo (VPN) em diversos contextos clínicos e demográficos.

Como a revisão sistemática avaliou as ferramentas de triagem
A revisão sistemática foi realizada em conformidade com as diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Os pesquisadores utilizaram uma síntese narrativa para integrar os achados de diversos desenhos de estudo. Já a qualidade metodológica foi avaliada por meio da lista de verificação do Joanna Briggs Institute. As seguintes bases de dados foram pesquisadas: Scopus, PubMed, ScienceDirect e ProQuest. A revisão foi conduzida entre outubro e novembro de 2025.
Os critérios de elegibilidade foram artigos em inglês, revisados por pares e publicados de 1º de janeiro de 2020 a 9 de outubro de 2025. Além disso, também foram incluídos estudos com abordagem observacional (coorte, transversal ou caso-controle) e pesquisas que compararam diretamente a acurácia de rastreamento do M-CHAT-R/F com a de outras ferramentas de rastreamento.
Os critérios de exclusão foram cartas, estudos de caso, relatos de caso, editoriais ou revisões, além de pesquisas que se concentraram no rastreamento de TEA e daquelas que enfatizaram apenas o método M-CHAT-R/F, sem qualquer comparação com outros instrumentos.
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Desempenho do M-CHAT-R/F varia entre estudos e faixas etárias
Foram identificados 172 artigos e analisados seis estudos de alta qualidade, publicados entre 2021 e 2025. No total, a busca obteve 12.633 participantes com idades entre 12 e 48 meses.
Embora a sensibilidade do M-CHAT-R/F para detectar casos potenciais fosse altamente inconsistente, seu VPN manteve-se consistentemente alto, identificando de forma confiável as crianças com resultado negativo na triagem. Por outro lado, o M-CHAT-R/F demonstrou especificidade variável e um VPP persistentemente baixo, indicando uma carga substancial de falsos-positivos e menor confiança nos resultados positivos. Além disso, a acurácia da ferramenta mostrou-se fortemente dependente da idade: o desempenho teve queda fora da faixa ideal de 16 a 30 meses em comparação com outras ferramentas especializadas.
O que os achados permitem concluir
Os pesquisadores concluíram que, devido ao número limitado de estudos incluídos na análise e à heterogeneidade substancial dessas pesquisas, as conclusões resultantes devem ser interpretadas com cautela. Os achados apontaram limitações notáveis no desempenho da ferramenta M-CHAT-R/F, porém são insuficientes para embasar recomendações definitivas contra a sua aplicação universal, considerando políticas públicas. Dessa forma, o estudo mostra que os profissionais e sistemas de saúde poderiam considerar a exploração de fluxos de rastreamento escalonados e específicos por faixa etária, levando em conta a variabilidade observada no desempenho da ferramenta ao longo dos diferentes estágios do desenvolvimento. Todavia, novas pesquisas são necessárias devido à limitação de evidências empíricas robustas que sustentem diretamente a eficácia de tais estratégias.
Mensagem prática para o rastreamento do TEA
Essa é uma revisão muito interessante que reforça que a triagem para autismo não deve basear-se exclusivamente no M-CHAT-R/F. Portanto, esse estudo reforça a necessidade de uma avaliação cuidadosa e multidisciplinar para o diagnóstico do TEA.
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Autoria

Roberta Castro
Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Faculdade de Medicina de Valença, com residência em pediatria e medicina intensiva pediátrica. Mestrado (UFF). Doutorado (UERJ). Além da atuação na Afya, atua como professora de pediatria (UERJ), rotina da enfermaria de pediatria (UERJ) e consultório particular.
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