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Pediatria15 junho 2026

Imunoglobulina em pediatria: segurança e eventos adversos da IVIG

Revisão aborda tolerabilidade da IVIG, reações leves, primeira infusão e monitorização em pacientes pediátricos.
Por Jôbert Neves

O uso de imunoglobulina intravenosa (IVIG) se consolidou como uma das terapias mais versáteis na pediatria, com aplicações que vão de imunodeficiências a doenças inflamatórias e autoimunes. De forma geral, a evidência confirma um ponto importante para a prática: a IVIG é bem tolerada na população pediátrica. No entanto, essa segurança não deve ser confundida com ausência de eventos adversos, que são relativamente frequentes, ainda que, na maioria das vezes, leves. 

Saiba mais: Atualização dos sinais de alarme para imunodeficiência em crianças 

Segurança da IVIG precisa considerar eventos leves e manejáveis 

Um dos dados mais relevantes para o clínico é que cerca de 38,8% dos pacientes podem apresentar algum evento adverso, embora a maioria seja de baixa gravidade. Quando analisado por infusão, a taxa é menor, em torno de 12,6%, o que ajuda a contextualizar melhor o risco real por exposição. 

Os eventos mais comuns são previsíveis e familiares: 

  • Cefaleia 
  • Febre 
  • Náusea 
  • Fadiga 

Na prática, isso reforça que a IVIG não é uma intervenção isenta de efeitos, mas que estes tendem a ser transitórios e manejáveis. 

Saiba mais: Associação entre dose de imunoglobulina intravenosa e desfechos em crianças com doença de Kawasaki aguda 

Por que a primeira infusão merece atenção maior? 

Um dos achados mais consistentes é o maior risco de eventos adversos na primeira exposição à IVIG. Isso tem implicações diretas na prática: é nesse momento que a vigilância deve ser mais ativa. 

Com infusões subsequentes, a tendência é de redução dessas reações, possivelmente pela introdução de medidas como ajuste de velocidade e premedicação. 

Quando o contexto clínico muda a interpretação do evento? 

Nem todo evento adverso é “culpa da IVIG”. Outro ponto importante é a interpretação clínica dos eventos adversos. Nem todos são diretamente atribuíveis ao medicamento, especialmente em pacientes com doenças de base grave ou comorbidades. Eventos mais severos, como alterações renais ou cardiovasculares, foram raros e frequentemente associados a pacientes de maior risco. 

Embora a maioria dos eventos adversos seja leve e manejável, o risco de eventos graves, ainda que raro, existe. Casos de anafilaxia, insuficiência renal e complicações cardiovasculares foram descritos, destacando a importância da monitorização durante a infusão. 

Como levar esses pontos para a prática pediátrica? 

Na prática clínica, alguns pontos ajudam a otimizar a segurança e o uso racional: 

  • Antecipar eventos leves como parte do curso esperado 
  • Monitorar com maior atenção nas primeiras infusões 
  • Ajustar a velocidade de infusão conforme a tolerância 
  • Considerar premedicação em casos selecionados 
  • Interpretar eventos adversos dentro do contexto clínico 

Mesmo com bom perfil de segurança, a IVIG permanece uma terapia complexa, com variabilidade entre preparações e pacientes. Diferenças de produto, dose e indicação podem impactar diretamente na ocorrência de eventos adversos. 

O equilíbrio entre eficácia, segurança e julgamento clínico 

O uso de IVIG em pediatria reforça um princípio importante: terapias eficazes e relativamente seguras ainda exigem uso criterioso. Eventos adversos existem, mas são previsíveis, majoritariamente leves e manejáveis. O papel do clínico é antecipar risco, monitorar adequadamente e individualizar a conduta. 

Lembre-se: 

  • A IVIG é, em geral, segura e bem tolerada em pediatria 
  • Eventos adversos são comuns, mas predominantemente leves 
  • A primeira infusão é o momento de maior risco 
  • Eventos graves são raros e geralmente associados a pacientes de risco 
  • Monitorização adequada é parte essencial do tratamento 
  • Segurança não substitui julgamento clínico 

Saiba mais: Uso combinado de imunoglobulina intravenosa e infliximabe em crianças com SIM-P 

Autoria

Foto de Jôbert Neves

Jôbert Neves

Médico do Departamento de Pediatria e Puericultura da Irmandade da Santa Casa  de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP), Pediatria e Gastroenterologia Pediátrica pela ISCMSP, Título de Especialista em Gastroenterologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).  Médico formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Coordenador Young LASPGHAN do grupo de trabalho de probióticos e microbiota da Sociedade Latino-Americana de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica (LASPGHAN).

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