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Pediatria30 janeiro 2026

Impacto da poluição do ar na persistência de alergias alimentares

Poluição do ar na infância aumenta risco e persistência da alergia ao amendoim. Estudo associa PM2.5 e NO₂ a alergias alimentares em crianças.
Por Jôbert Neves

A prevalência de alergias alimentares tem aumentado globalmente, representando um desafio significativo para pediatras. Fatores ambientais, como poluição do ar, têm sido sugeridos como possíveis contribuintes para o desenvolvimento e persistência dessas alergias. Um artigo publicado no Jornal da Academia Americana de Pediatria analiso a associação entre exposição à poluição atmosférica nos primeiros anos de vida e alergia alimentar.  

O estudo é um subprojeto do HealthNuts, uma coorte populacional longitudinal na Austrália, que incluiu 5.276 lactentes recrutados entre 2007 e 2011. Foram realizados testes cutâneos, dosagem de IgE específica e, quando indicados, testes de provocação oral (TPO) para confirmar alergia alimentar. Acompanhamentos ocorreram aos 4, 6 e 10 anos.VA exposição à poluição foi estimada por níveis anuais médios de material particulado fino (PM2.5) e dióxido de nitrogênio (NO₂) nos endereços residenciais. Alta exposição foi definida como NO₂ ≥10 ppb e aumento de PM2.5 por incremento de 1,2 μg/m³. Veja abaixo os resultados em destaque:  

Associação com alergia ao amendoim:  

  • Alta exposição a NO₂ aos 1 anos aumentou a prevalência de alergia ao amendoim aos 1 e 4 anos (OR ajustado: 2,21 e 2,29). 
  • Exposição elevada a PM2.5 aos 1 anos associou-se à persistência da alergia aos 4, 6 e 10 anos (OR: 1,27; 1,27; 1,46). 

Sem associação significativa: Não houve relação consistente entre poluição e alergia ao ovo ou eczema. 

Veja também: A poluição do ar: Fator de risco na demência?

Conclusão  

A exposição precoce à poluição atmosférica, especialmente a PM2.5 e NO₂, está associada à persistência da alergia ao amendoim até os 10 anos de idade. Esses dados reforçam a necessidade de estratégias preventivas e políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade do ar, com impacto potencial na redução da carga de alergias alimentares na população pediátrica. 

Dicas para os pediatras no Brasil: 

  • Orientação preventiva: Incentivar famílias a reduzir exposição à poluição, especialmente em áreas urbanas com tráfego intenso. 
  • Atenção ao risco persistente: Crianças com alergia ao amendoim podem apresentar maior dificuldade de resolução se expostas precocemente à poluição. 
  • Política pública: Apoiar medidas que melhorem a qualidade do ar pode ter impacto direto na saúde infantil. 

Embora não haja evidência para eczema ou alergia ao ovo, os achados sugerem que a poluição pode atuar como adjuvante imunológico, perpetuando alergias graves como a do amendoim.

Autoria

Foto de Jôbert Neves

Jôbert Neves

Médico do Departamento de Pediatria e Puericultura da Irmandade da Santa Casa  de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP), Pediatria e Gastroenterologia Pediátrica pela ISCMSP, Título de Especialista em Gastroenterologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).  Médico formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Coordenador Young LASPGHAN do grupo de trabalho de probióticos e microbiota da Sociedade Latino-Americana de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica (LASPGHAN).

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