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Pediatria28 maio 2026

Fisioterapia na constipação pediátrica: revisão avalia benefícios

A constipação funcional é prevalente na infância e adolescência, com repercussões relevantes na qualidade de vida, no rendimento escolar e na dinâmica familiar.
Por Amanda Neves

Diante disso, cresce o interesse por abordagens complementares ao tratamento convencional que considerem os aspectos funcionais e comportamentais do ato evacuatório. A fisioterapia, especialmente por meio de intervenções direcionadas ao assoalho pélvico, tem se destacado como estratégia promissora nesse contexto. 

Nesse sentido, o estudo de Medrano-Sánchez et al., publicado em abril de 2026 no European Journal of Pediatrics, teve como objetivo avaliar a eficácia das intervenções fisioterapêuticas no manejo da constipação funcional na população pediátrica, por meio de uma revisão sistemática com metanálise. 

Metodologia 

Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que investigaram intervenções fisioterapêuticas em pacientes pediátricos, com até 18 anos, diagnosticados com constipação funcional. 

A busca foi realizada em bases como PubMed, Embase, Web of Science e Cochrane Library. O grupo intervenção contemplou diferentes modalidades terapêuticas, como exercícios do assoalho pélvico, biofeedback, telerreabilitação, eletroestimulação e mobilização visceral, comparadas ao tratamento convencional, incluindo laxantes osmóticos e estratégias de educação em saúde. Casos de constipação secundária a etiologias orgânicas foram excluídos. 

Leia mais: Orientações sobre o manejo da constipação intestinal em crianças

Resultados e discussão 

A análise quantitativa demonstrou diferença favorável às intervenções fisioterapêuticas em relação ao tratamento convencional isolado para frequência evacuatória, com diferença média de 1,00 (IC 95%: 0,35 a 1,65; p = 0,003). Entretanto, observou-se heterogeneidade substancial entre os estudos (I² = 85%), refletindo diferenças metodológicas e de protocolos terapêuticos. 

De modo geral, houve melhora em desfechos como dor à evacuação, consistência das fezes e qualidade de vida. Os resultados referentes à frequência evacuatória foram menos consistentes. 

A redução da dor parece estar associada à reeducação da coordenação do assoalho pélvico, à diminuição da hipertonia perineal e ao treinamento de técnicas de relaxamento, promovendo evacuações mais eficientes e menos traumáticas. 

A qualidade de vida também apresentou melhora, especialmente após três meses de intervenção, com impacto físico e emocional, aspecto particularmente relevante diante do caráter biopsicossocial da constipação funcional. 

Por outro lado, os resultados referentes à consistência das fezes foram variáveis entre os estudos. Esse parâmetro depende majoritariamente da terapia farmacológica, sobretudo do uso de laxantes osmóticos como o polietilenoglicol. Ainda assim, a fisioterapia pode exercer papel complementar, contribuindo para a manutenção dos resultados clínicos. 

Limitações 

A principal limitação identificada foi a elevada heterogeneidade dos estudos incluídos, especialmente quanto aos protocolos fisioterapêuticos utilizados. A ausência de padronização dificulta comparações diretas e a definição de condutas ideais. 

Mensagem prática 

A fisioterapia pode ser considerada como estratégia complementar no manejo da constipação funcional pediátrica, especialmente em pacientes com alterações relacionadas à coordenação evacuatória. 

Sua incorporação não substitui a terapêutica medicamentosa, mas pode contribuir para uma abordagem mais integrada, ao contemplar dimensões funcionais e comportamentais frequentemente envolvidas na constipação funcional. 

Na prática, intervenções como biofeedback, reeducação evacuatória e treinamento do assoalho pélvico podem auxiliar a criança a desenvolver maior controle e consciência da musculatura envolvida no ato evacuatório. 

Outro aspecto relevante é o envolvimento familiar, que favorece a adesão e a consolidação dos resultados. Assim, o manejo da constipação funcional pode se beneficiar de estratégias integradas e centradas no paciente.

Autoria

Foto de Amanda Neves

Amanda Neves

Editora médica assistente da Afya ⦁ Residência de Pediatria pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ⦁ Graduação em Medicina pela UFPE

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