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PediatriaOUT 2021

Estudo compara ingestão de nutrientes em bebês de 6 a 12 meses utilizando o desmame tradicional ou o método BLW

Bebês submetidos a uma introdução alimentar tradicional (desmame tradicional) apresentaram maior ingestão de nutrientes-chave aos 6 a 8 meses.

De acordo com um estudo publicado no Journal of Human Nutrition and Dietetics, bebês submetidos a uma introdução alimentar tradicional (desmame tradicional – DT) apresentaram maior ingestão de micronutrientes-chave aos 6 a 8 meses, embora tenham ocorrido poucas diferenças na ingestão de nutrientes dos 9 a 12 meses ou na exposição de grupo alimentar entre bebês após o DT ou BLW (babyled approach to weaning — abordagem de desmame liderada pelo bebê). 

A alimentação complementar é a introdução de alimentos sólidos ao lactente, concomitantemente à amamentação habitual por leite materno e/ou fórmula infantil, com início aos seis meses de vida do bebê, idade em que o leite, por si só, não é mais suficiente para atender às necessidades nutricionais do lactente. Dessa forma, a introdução alimentar também é chamada de “desmame”. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a alimentação complementar seja oportuna e segura, com os alimentos sendo oferecidos de forma adequada e condizente com o apetite e a saciedade da criança.

Ouça mais: O papel dos profissionais de saúde na conscientização sobre os mitos na amamentação [podcast]

Um método tradicional de desmame geralmente envolve o uso de papas com colher, havendo evolução progressiva da textura dos alimentos até que o bebê atinja um ano de vida, idade em que já pode consumir alimentos de mesma consistência dos da família. Já o BLW abrange a oferta de alimentos saudáveis, o compartilhamento da hora das refeições em família, a autoalimentação e a auto-seleção, além de oferecer alimentos que possam ser segurados pelo bebê ​​desde o início, isto é, que os bebês possam pegar com as mãos. Os defensores do BLW sugerem que o método permite que o bebê escolha o que e quanto comer, respondendo assim ao apetite, desenvolvendo habilidades motoras e aprender sobre a textura e sabor variados de cada alimento. Todavia, apesar do aumento da popularidade do BLW, este método de desmame não é apoiado por muitas instituições: muitos profissionais de saúde questionam se o BLW leva a uma ingestão inadequada de ferro, zinco e energia e se aumenta o risco de asfixia. 

Estudo compara ingestão de nutrientes em bebês de 6 a 12 meses utilizando o desmame tradicional ou o método BLW

Metodologia

Os pesquisadores conduziram um estudo transversal que explorou a aderência às características do BLW e as diferenças na exposição do grupo de alimentos e ingestão de nutrientes entre bebês após DT ou BLW. Os participantes foram solicitados a fornecer um número de telefone, que foi usado por um pesquisador para preencher um formulário de 24 horas com várias passagens tanto para o cuidador quanto para o bebê, seguindo uma metodologia padronizada. O número de alimentos ingeridos pelo bebê foi contado e foi calculada a porcentagem de alimentos iguais aos consumidos pelo cuidador. Os cuidadores também foram questionados se um membro adulto da família estava comendo (refeição ou lanche) ao mesmo tempo que o bebê estava comendo (independentemente de o mesmo alimento ter sido consumido), se cada alimento dado ao bebê foi dado à colher ou se ele se alimentou sozinho e se cada alimento foi fornecido como um papa ou como um alimento inteiro ou cortado em pedaços, em colher ou se um alimento mais duro foi usado para comer um mais macio (exemplo: cenoura em tiras para comer homus). 

Os participantes eram os cuidadores principais de bebês com idades entre 6 e 12 meses, recrutados por meio da colocação de anúncios em fóruns de pais, grupos de desmame e pais no Facebook em três momentos: 4 de outubro a 30 de novembro de 2019, 22 de junho a 7 de julho de 2020 e 1° de novembro a 1° de dezembro de 2020. Os participantes eram autosselecionados. Alguns pais adicionais foram incluídos em um segundo estudo, recrutados em junho de 2019 (antes do início dos alimentos sólidos) com dados nutricionais coletados em 4 de outubro a 30 de novembro de 2019, quando seus bebês tinham entre 6 e 12 meses. Os questionários foram armazenados na plataforma de pesquisa JISC22 e preenchidos online.

Resultados

Os bebês foram agrupados de acordo com a idade: 

  • 6 a 8 meses: DT (n = 36) e BLW (n = 24);
  • 9 a 12 meses: DT (n = 24) e BLW (n = 12). 

O estudo encontrou diferenças significativas na forma como os bebês eram alimentados. Ao observar a ingestão diária total, os bebês mais jovens (6 a 8 meses) após o DT consumiram mais ferro, zinco, iodo e vitamina D do que bebês BLW, enquanto os bebês BLW mais jovens consumiram mais gordura e gordura saturada por meio do leite do que seus pares submetidos ao DT. Considerando apenas os alimentos complementares, apenas a ingestão de vitamina B12 e vitamina D foi significativamente maior em crianças mais jovens submetidas ao DT. Além disso, bebês mais jovens submetidos ao DT tiveram mais exposição a cereais infantis fortificados com ferro e alimentos para bebês produzidos comercialmente. As diferenças na ingestão nutricional e na exposição do grupo de alimentos desapareceram por volta de 9 a 12 meses: não foram observadas diferenças na ingestão de nutrientes entre crianças dessa idade. Poucas diferenças foram observadas entre os grupos em seu número de exposições a grupos de alimentos específicos.

Conclusão

Os pesquisadores descreveram que há dados escassos na literatura comparando o DT e o BLW e esse estudo contribui para um quadro crescente criado por pequenos estudos semelhantes no Reino Unido e na Nova Zelândia. Embora a qualidade geral da evidência em toda a gama de estudos disponíveis possa ser baixa, parece haver poucas diferenças persistentes na ingestão nutricional ou exposição de grupo de alimentos entre bebês submetidos ao DT e ao BLW e o risco de asfixia não foi observado com esses dados. Dessa forma, à medida que mais pais optam por adotar o método BLW, os profissionais de saúde devem se preocupar menos com o risco e se concentrar mais nas implicações de saúde de longo prazo. Portanto, pesquisas utilizando amostras maiores são necessárias. 

Leia mais: https://pebmed.com.br/abordagem-pratica-do-metodo-blw-baby-led-weaning-para-introducao-alimentar/ 

Referências bibliográficas:

  • Pearce J, Langley-Evans SC. Comparison of food and nutrient intake in infants aged 6-12 months, following baby-led or traditional weaning: A cross-sectional study [published online ahead of print, 2021 Sep 2]. J Hum Nutr Diet. 2021. doi10.1111/jhn.12947
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