A síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIMP) caracteriza-se por um quadro inflamatório grave e generalizado que ocorrem de 2 a 6 semanas após a infecção pelo vírus SARS – COV2. A síndrome é caracterizada por febre, processo inflamatório sistêmico e multissistêmico em pessoas menores de 21 anos. O artigo em questão analisa a epidemiologia dos casos relatados da doença nos estados unidos no período de julho a janeiro de 2022, relacionadas as variantes Delta e Omicron.

Metodologia
O artigo é uma análise descritivas dos dados coletados pela vigilância epidemiológica dos Estados Unidos, coordenadas pelo CDC, sendo que eram incluídos os pacientes que preenchiam os critérios para definir o caso como SIMP. Os dados foram comparados com as ondas anteriores da pandemia de COVID, sendo coletados dados demográficos (idade, gênero e raça), envolvimento de quais sistemas do organismo e indicadores de gravidade do quadro como necessidade de internação em unidades de terapia intensiva ou outras medidas dentro destas unidades, além da ocorrência de óbito. Outro aspecto avaliado foi a situação vacinal das crianças que apresentaram a doença. Os dados foram avaliados por testes estatísticos adequados para avaliar mudanças no perfil da doença pela ocorrência de novas cepas.
Resultados
Miller et al. observaram uma mudança no perfil da doença durante a onda relacionada as cepas Delta e Omicron, representando a onda 4 da doença, tanto no aspecto clínico quando epidemiológico em relação as outras cepas.
Houve um aumento significativo na faixa etária de 5 a 11 anos, representando 48,8% dos pacientes com o diagnóstico, enquanto na onda anterior era de 36,2%.
Alguns sistemas como o cardiovascular e gastrointestinal foram menos afetados que na onda anterior, 66,8% e 80,9% na onda 4 respectivamente, enquanto na onda 3 os mesmos sistemas apresentavam-se em 84,8% e 91,8% dos pacientes.
A necessidade de UTI também foi menor na onda 4, reduzindo de 79,9 para 63,6% dos pacientes que tinham a doença.
Porém o dado mais crítico, relacionado a mortalidade, apresentou um aumento de mais de 100%, onde na onda 3 era de 0,5% dos pacientes e na onda 4 observou-se um aumento para 1,1% dos casos.
Dos dados apresentados no trabalho o que mais chamou a atenção na prática médica é sobre a vacinação. 97% dos pacientes que apresentaram o diagnóstico na 4ª onda não estavam vacinadas. E em 3% (22 casos de 748 totais) as crianças haviam completado o esquema vacinal para a covid.
Conclusão
Na análise final do artigo de Miller et al., a SIMP continua sendo uma doença grave em crianças e potencialmente fatal com necessidade de UTI na maioria dos casos (63,6%), onde apesar da 4º a gravidade inflamatória sobre alguns sistemas importantes, como o cardiovascular e gastrointestinal, ter reduzido em relação as ondas anteriores a sua mortalidade dobrou.
A conclusão mais importante no artigo é a observação sobre a vacinação ser protetora para os casos da doença, com a maioria absoluta (97%) dos pacientes não tinham sido vacinados para a doença.
Esse dado da vacinação reforça sobre a necessidade de incentivarmos a vacinação em todas as crianças, pela redução não só da ocorrência de novos casos, mas pela diferença estatística tão significativa entre ter feito ou não a vacina para ocorrência da SIMP.
Autoria

Jandrei Rogério Markus
Médico Graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Residência Médica em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela UFPR. Especialização em Dermatologia Pediatria - pela UFPR. Mestrado em Saúde da Criança e do Adolescente com área na Infectologia Pediátrica. Doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente com área na Dermatologia Pediátrica. Pós-graduado em Controle de Infecções Hospitalar pelo Centro Universitário do Vale da Ribeira. Atuando como médico_ infectologista pediátrico no Hospital e Maternidade Dona Regina (HMDR) e do Hospital Geral Público de Palmas (HGPP). Médico do Serviço de Controle de Infecções da UTI Neonatal do HMDR, UTI Pediátrica do HGPP e da UTI adulto do HGPP. Professor de Pediatria da Afya Faculdade de Ciências Médicas - Porto Nacional-TO. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Pediátrica. Presidente do Departamento Cientifico de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.