A sedação e a analgesia foram temas amplamente discutidos no 1º Congresso Mundial de Urgências e Emergências Pediátricas, realizado entre 26 e 28 de março, em São Paulo. A sessão “Sedação e analgesia – o que há de novo?” trouxe atualizações relevantes para a prática clínica.
Objetivos da sedação e analgesia em pediatria
Controle da dor e do desconforto
A sedação e a analgesia para procedimentos em pediatria têm como principais objetivos:
- Controle adequado da dor
- Redução do medo e da ansiedade
- Minimização do desconforto em procedimentos fora do centro cirúrgico
Além disso, permitem a imobilidade do paciente quando necessário, utilizando fármacos de início rápido, curta duração e com poucos efeitos adversos.
Segurança como prioridade
Deve-se sempre:
- Avaliar o perfil de segurança dos fármacos
- Evitar, sempre que possível, o uso de contenção física
- Priorizar a segurança do paciente em todas as etapas
Escolha dos medicamentos
A seleção do sedativo e/ou analgésico deve considerar:
- Tipo de procedimento
- Características do paciente
- Tempo de início de ação
- Duração do efeito
- Dose administrada
A individualização da conduta é fundamental para melhores desfechos.
Classes farmacológicas na sedação pediátrica
Sedativos e hipnóticos
Promovem sono, amnésia e ansiólise, sem efeito analgésico.
- Midazolam
- Propofol
- Etomidato
- Dexmedetomidina
Analgésicos
Atuam no controle da dor, mas podem causar depressão respiratória, especialmente quando associados a sedativos.
- Fentanil
- Morfina
Agentes dissociativos
Proporcionam analgesia, sedação e amnésia, preservando reflexos protetores.
- Cetamina
- Combinação “ketofol” (ex: cetamina + dexmedetomidina)
Antídotos
Funcionam como agentes de reversão, aumentando a segurança do procedimento.
- Flumazenil
- Naloxona
Princípios fundamentais na prática
Analgesia como primeiro passo
A analgesia deve sempre ser priorizada antes da sedação.
Uso de opioides
- Não devem ser evitados no manejo da dor aguda intensa
- Seu uso associado à cetamina não aumentou eventos adversos
Segurança e eventos adversos
Cetamina
Apresenta eventos adversos dependentes da dose, incluindo:
- Dessaturação
- Necessidade de intervenção respiratória
- Vômitos
Preditores de risco
O reconhecimento de fatores de risco permite:
- Melhor preparo da equipe
- Redução de complicações
- Maior segurança no procedimento
Novas estratégias e tendências
Dexmedetomidina intranasal
Mostra-se uma alternativa:
- Segura
- Menos invasiva
- Com redução de internações para sedação
Além disso, contribui para:
- Redução de custos
- Otimização de recursos
Sedação de precisão
Caminha-se para um modelo baseado em:
- “Paciente certo”
- “Medicação certa”
- “Momento certo”
- “Menor sedação necessária”
Com potencial uso futuro de inteligência artificial na monitorização.
Importância dos protocolos
A implementação de protocolos em emergências pediátricas permite:
- Padronização das condutas
- Adaptação à realidade local
- Maior segurança assistencial
- Alinhamento entre equipes
Mensagem prática
A sedação e analgesia pediátrica devem ser individualizadas, seguras e guiadas por protocolos bem definidos.
A escolha adequada dos fármacos, o reconhecimento de riscos e a incorporação de novas estratégias, como a dexmedetomidina intranasal e a sedação de precisão, são fundamentais para otimizar o cuidado na emergência pediátrica.
Autoria

Roberta Esteves Vieira de Castro
Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora adjunta de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação ⦁ Instagram: @draroberta_pediatra
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