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Pediatria1 abril 2026

Congressos Pediátricos - Sedação e analgesia: atualizações na emergência

Sedação e analgesia pediátrica: novidades, escolha de fármacos, segurança e manejo na emergência.

A sedação e a analgesia foram temas amplamente discutidos no 1º Congresso Mundial de Urgências e Emergências Pediátricas, realizado entre 26 e 28 de março, em São Paulo. A sessão “Sedação e analgesia – o que há de novo?” trouxe atualizações relevantes para a prática clínica.

Objetivos da sedação e analgesia em pediatria

Controle da dor e do desconforto

A sedação e a analgesia para procedimentos em pediatria têm como principais objetivos:

  • Controle adequado da dor
  • Redução do medo e da ansiedade
  • Minimização do desconforto em procedimentos fora do centro cirúrgico

Além disso, permitem a imobilidade do paciente quando necessário, utilizando fármacos de início rápido, curta duração e com poucos efeitos adversos.

Segurança como prioridade

Deve-se sempre:

  • Avaliar o perfil de segurança dos fármacos
  • Evitar, sempre que possível, o uso de contenção física
  • Priorizar a segurança do paciente em todas as etapas

Escolha dos medicamentos

A seleção do sedativo e/ou analgésico deve considerar:

  • Tipo de procedimento
  • Características do paciente
  • Tempo de início de ação
  • Duração do efeito
  • Dose administrada

A individualização da conduta é fundamental para melhores desfechos.

Classes farmacológicas na sedação pediátrica

Sedativos e hipnóticos

Promovem sono, amnésia e ansiólise, sem efeito analgésico.

  • Midazolam
  • Propofol
  • Etomidato
  • Dexmedetomidina

Analgésicos

Atuam no controle da dor, mas podem causar depressão respiratória, especialmente quando associados a sedativos.

  • Fentanil
  • Morfina

Agentes dissociativos

Proporcionam analgesia, sedação e amnésia, preservando reflexos protetores.

  • Cetamina
  • Combinação “ketofol” (ex: cetamina + dexmedetomidina)

Antídotos

Funcionam como agentes de reversão, aumentando a segurança do procedimento.

  • Flumazenil
  • Naloxona

Princípios fundamentais na prática

Analgesia como primeiro passo

A analgesia deve sempre ser priorizada antes da sedação.

Uso de opioides

  • Não devem ser evitados no manejo da dor aguda intensa
  • Seu uso associado à cetamina não aumentou eventos adversos

Segurança e eventos adversos

Cetamina

Apresenta eventos adversos dependentes da dose, incluindo:

  • Dessaturação
  • Necessidade de intervenção respiratória
  • Vômitos

Preditores de risco

O reconhecimento de fatores de risco permite:

  • Melhor preparo da equipe
  • Redução de complicações
  • Maior segurança no procedimento

Novas estratégias e tendências

Dexmedetomidina intranasal

Mostra-se uma alternativa:

  • Segura
  • Menos invasiva
  • Com redução de internações para sedação

Além disso, contribui para:

  • Redução de custos
  • Otimização de recursos

Sedação de precisão

Caminha-se para um modelo baseado em:

  • “Paciente certo”
  • “Medicação certa”
  • “Momento certo”
  • “Menor sedação necessária”

Com potencial uso futuro de inteligência artificial na monitorização.

Importância dos protocolos

A implementação de protocolos em emergências pediátricas permite:

  • Padronização das condutas
  • Adaptação à realidade local
  • Maior segurança assistencial
  • Alinhamento entre equipes

Mensagem prática

A sedação e analgesia pediátrica devem ser individualizadas, seguras e guiadas por protocolos bem definidos.

A escolha adequada dos fármacos, o reconhecimento de riscos e a incorporação de novas estratégias, como a dexmedetomidina intranasal e a sedação de precisão, são fundamentais para otimizar o cuidado na emergência pediátrica.

Acompanhe a cobertura do 1º Congresso Mundial, em conjunto com o 5º Congresso Brasileiro e o 5º Congresso Paulista de Urgências e Emergências Pediátricas

Autoria

Foto de Roberta Esteves Vieira de Castro

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora adjunta de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação ⦁ Instagram: @draroberta_pediatra

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Referências bibliográficas

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